segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

NASCEU UM FEIJOEIRO DENTRO DOO DO MEU OPALA - JAMES PIZARRO (DIÁRIO - edição de 11.1.2022)-

Meu primeiro carro foi um fusca 1300, branco, DA 1358, que comprei do médico e poeta Prado Veppo, meu saudoso e querido amigo, também padrinho de casamento. Com este carro fiz diversas viagens a Curitiba durante três anos no início dos anos 70, quando fiz meu curso de especialização em Ecologia do Departamento de Biologia na Universidade Federal do Paraná, a primeira universidade federal brasileira, criada em 1912. Mas também tive outros carros como Variant e Brasilia, até me apaixonar pelos Chevrolet Opala. Com três filhos pequenos, porta-malas enorme, banco traseiro espaçoso, era a meu juízo o modelo ideal para quem tinha prole numerosa e tinha que carregar todo tipo de tralha nas férias. Tive vários Opalas. Mas o que ficou mais famoso entre meus amigos – em especial entre meus alunos da UFSM e do cursinho - foi um Opala branco, duas portas. Por algumas razões que passo a alinhavar. Nunca entendi patavina de máquinas, motores, peças e marcas de automóveis. Nunca assisti corridas de fórmula-1. Quando pifava alguma coisa no motor numa viagem para praia, por exemplo, quem consertava era a minha mulher, que entende tudo de mecânica, tem caixas com ferramentas e sabe nome de chaves e especificações técnicas que aprendeu com seu pai. Entende de eletricidade, platinados, baterias, bobinas, marcas de baterias e assuntos afins que para mim soam como temas esotéricos. De sorte que, sem motivação alguma para carros, os únicos cuidados que tive com os mesmos sempre se resumiram a duas coisas : freios e pneus. O resto nunca dei a mínima importância. Óleo sempre mandei completar, jamais troquei. Jamais gastei dinheiro em lavagem de carro, ainda mais sendo professor de Ecologia. Como não gastava dinheiro com garagem, o carro posava na rua, em frente de casa e era lavado pela água da chuva. Quando caía um temporal e a chuva era demorada eu botava um calção e munido de esfregão ou esponja e sabão, descia para a rua com a gurizada da vizinhança e todo mundo me ajudava a lavar o carro. Era uma algazarra alegre da qual tenho muita saudade. Apesar da cara de espanto e do olhar sizudo de desaprovação de alguns vizinhos nas janelas. Nunca fechei as portas do carro durante a noite . Como eu deixava o carro na rua, com essa medida eu evitava que o mesmo fosse arrombado ou tivesse os vidros quebrados. Uma madrugada eu vi que tinha um cara sentado dentro do carro fumando. Desci e fui lá embaixo falar com ele que ficou muito assustado, pensando que eu estivesse armado. Tratava-se de um morador de rua, conhecido das redondezas, que estava sentado dentro do carro fumando e ouvindo música. Calmamente eu fiz a ele a seguinte proposta : - Eu te autorizo a dormir todas as noites dentro do meu carro desde que tu deixe o cinzeiro limpinho, porque eu não fumo e detesto cheiro de cigarro. Eu saio para a trabalhar antes das 7 e te trago um troço para comer de manhã. Topas ? Ele topou na hora. E dessa forma eu passei a ser em toda a cidade o único sujeito a ter um vigia noturno para cuidar do carro. E ele tinha teto para dormir, música ambiental e café da manhã. Também ficou famosa a história do porta-malas do meu carro. Porque a borracha do porta-malas apodreceu e caiu fora. Chovia dentro e entrava sol pelas frestas. Um dia por aquele espaço onde existia a borracha apareceu um belíssimo pé de feijoeiro. Que fizeram a alegria dos alunos. Que fizeram algazarra e batiam fotografias. Foram me avisar. Abri o porta-malas e lá estava a explicação : dos restos de sacos abertos de carvão para churrasco sobravam pó que serviram de substrato para germinarem algumas sementes de feijão que escaparam de sacos rasgados de feijão comprados do supermercado que, por fototropismo, foram atraídas pelo sol que entrava pelo do porta-malas. Um dia proibiram de circular os carros de placas laranja, lembram ? Deixei o carro estacionado em frente de casa sem usa-lo para não infringir a lei. Certo dia, ao chegar em casa, os vizinhos me avisaram que o meu Opala tinha sido guinchado. Fiquei surpreso. Achei que daria muito trabalho procura-lo, pois detesto burocracia. Fui a uma revendedora e comprei outro carro. Até hoje não sei o que fizeram com meu Opala. Nunca me comunicaram nada. Faz uns 20 anos isso. De vez em quando me bate uma saudade do coitado...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

CONFIANDO EM DEUS, UMO AOS 80 ANOS - JAMES PIZARRO (DIÁRIO, 28.12.2021)

Meu pai sempre deixou bem claro que gostava mais do ano novo do que do Natal. Questão de temperamento ou motivos cristalizados na infância, não gostava do Natal. Também não era de frequentar igreja. Minha mãe acompanhava a opinião. Mas a gente tinha a entrega de presentes e os protocolares cumprimentos. Vez por outra, minha irmã puxava uma reza. Muitas vezes, devido ao orçamento apertado, ganhei sapatos, roupas e material escolar ao invés dos presentes que gostaria de receber. Era uma época dura. Meu pai levou anos a fio para construir a casa. E eu não reclamava. Pois entendia o sacrifício. Mas ficava chateado. Minha avó Olina sempre dava presentes do meu agrado. Anos depois, quando comecei a namorar quem viria ser minha mulher, passei a ter uma ideia diferente do Natal. Morava junto na casa dela, a vó Elvira Grau, com mais de 80 anos. Luterana, como Edith, minha sogra, que tocava órgão aos domingos no culto da igreja luterana de Santa Maria, RS, a primeira igreja alemã do Brasil a ter sinos em sua torre. Na noite de Natal, o coral da Igreja Luterana visitava a casa dos idosos da comunidade alemã. E entoava lindas canções em alemão. E faziam orações. Minha sogra partilhava cucas, doces feitos com esmero, habilidosa doceira que era. Eles comiam rapidamente, pois tinham de cantar em muitas casas e a noite era curta. Vera Maria, inspirada na educação dada pela mãe, sempre cuidou muito da festa de Natal em nossa casa. Muitos dias antes da data, ela fazia bolos, doces, cucas. Ficaram famosas as bolachas em forma de estrela com recheio de goiabada, que até hoje ela faz e que tanto sucesso tem no meio de todos. Nossos filhos sempre tiveram pinheirinho, presentes, guirlanda na porta da casa e, quando bem pequenos, até Papai Noel visitava nossa casa. Foram anos felizes. Não fui um pai perfeito. Fui o que eu sabia e podia ser. Mas sempre fui trabalhador. Dava aulas na UFSM. Nos cursinhos. Fazia palestras. Às vezes, falava mais do que 10 horas por dia. As crianças puderam ter sempre alimentação farta. Frequentaram os melhores clubes. Pude lhes dar cursinho pré-vestibular de excelente qualidade. Passaram no vestibular no primeiro exame feito. Entregamos ao mundo uma fonoaudióloga, uma fisioterapeuta e um assistente social. Claro, a virtude da formatura é devida ao talento deles. Certamente, não tivemos ingerência alguma. Se tivessem nascido em outra casa e com outros pais teriam alcançado o mesmo êxito. Tive meus equívocos comportamentais. Quando pai moço. E mesmo como pai já velho. Errei muito. Mas acertei também. Vera Maria terminou o curso de Educação Física depois do nascimento dos três filhos. Foi dureza. Foi diretora de uma das maiores escolas públicas da cidade. Mãe dedicada, usava todo seu salário para comprar roupas e presentes para os filhos. Com meus proventos, eu sustentava a casa. Minha mãe e minha sogra ajudaram na retaguarda da criação dos nossos filhos quando pequenos, porque trabalhávamos. Isso só foi possível porque sempre moramos na mesma cidade. Se não, teríamos mais dificuldades. Fruto de luta, acertos e erros, encontros e desencontros, fizemos a nossa parte. Lembro das palavras da reitora da UFN, ao me cumprimentar na formatura do nosso filho : "Sua família pertence ao fechado clube brasileiro onde o pai, mãe e todos os filhos têm curso superior". Os anos passaram. As dificuldades financeiras maiores passaram. Lutamos duro para isso. Por generosidade de Deus estamos com saúde. Estamos com seis netos. Uma neta formada em Engenharia de Produção, outro se forma em Medicina na próxima semana. Uma neta fazendo Pedagogia e outro fazendo Física. Outro neto entrando no Ensino Médio. E uma netinha de 5 anos na escolinha. Todos encaminhados. E na santa ceia que fizemos recordamos muito dos natais antigos. E nosso tempo de crianças. Quando, tementes a Deus, honrávamos pai e mãe. Sem jamais erguer a voz para eles. Quanto mais criticá-los. Lembramos dos cânticos alemães da vó Elvira. E dos cabelos loiros e olhos azuis da minha sempre amada vó Olina. Época em que a gente era muito feliz. E não sabia. Agradeço a Deus pelo ano que tive e rogo a Ele a caridade que me proporcione um feliz 2022, importante para mim. Quero ter a singela alegria de comemorar meus 80 anos, em outubro, com minha mulher e com todos meus descendentes e agregados.

domingo, 19 de dezembro de 2021

1958 - NO ANO DO CENTENÁRIO, CIDADE TEVE EXPOSIÇÃO DE BALEIA DE 60 TONELADAS - JAMES PIZARRO (DIÁRIO - Seção MEMÓRIA - ediçãode 18.12.22021)

Toda vez que, longe de nossa cidade, conto o episódio do gaúcho que laçou o avião – fato amplamente noticiado por revistas nacionais e estrangeiras na época – com detalhes, endereços, fotos e nomes dos envolvidos, fui motivo de piada e tive o dissabor de ouvir frases do tipo “esses gaúchos têm cada história”. Até que reuni tudo o que se tinha publicado sobre o tema e publiquei extensa matéria sobre o ocorrido e publiquei em crônica, em blog e nas redes sociais. Uma segunda história que conto e me causa dissabor é quando digo que no ano de 1958, ano do Centenário de Santa Maria, um gigantesca baleia esteve por vários dias exposta à visitação pública na rua Niederauer na quadra existente entre o edifício Taperinha e o Clube Caixeiral. As pessoas duvidam da veracidade da história... Publiquei esta história na Linha do Tempo do meu facebook e recebi quase 300 comentários com as mais diferentes opiniões. Grande número de pessoas da mesma faixa etária minha me apoiando, avalizando o que eu tinha afirmado e confirmando que tinha visitado a tal baleia. Outros diziam que nunca tinham ouvido falar nessa baleia. E outros me gozando, me chamando de mentiroso. Cheguei a printar os comentários para publicar os mesmos junto com os nomes de seus autores nessa página memorialística de hoje. Depois, achei mais elegante não faze-lo. Essa baleia é d espécie JUBARTE e foi capturada nas costas da Espanha. Depois de percorrer vários países da Europa, África e América do Sul, chegou ao porto de Santos, SP. Dali partiu para várias regiões do Brasil para exposições de “entretenimento de caráter científico”, como dizia seu proprietário, um certo sr. J. Maturana. A baleia, chamada de MOBY DICK, tinha 20 metros de comprimento e 60.000 quilos. Era transportada por um caminhão de 18 rodas. Chegou em Santa Maria procedente do município de Alegrete e ficou estacionada no centro de Santa Maria, entre o Caixeiral e o Taperinha. Ao redor do caminhão foi estendida uma lona preta formando uma espécie de muralha e corredor . O espectador pagava entrada e adentrava por um lado, circundava todo o caminhão observando aquele imenso animal e saia pelo outro lado. Havia um forte cheiro de formol, pois o mesmo estava conservado em 7000 litros de formol que lhe haviam sido injetados para prevenção contra a putrefação. O proprietário explicava – lembro bem – que a baleia já estava sendo exposta no caminhão há três anos e que depois de Santa Maria, eles rumariam para expo-la nas cidades de Cachoera do Sul, Pelotas e Rio Grande. Quero fazer um agradecimento público à arquivista Danièle Xavier Calil, diligente e dedicada chefe do Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria que que de maneira rápida e educada me proporcionou acesso às páginas de A RAZÃO de1958, podendo dessa forma provar aos incrédulos que a baleia realmente esteve no centro de Santa Maria. Infelizmente, à época, não haviam as facilidades das máquinas fotográficas portáteis e nem os celulares, de sorte que não consegui registro fotográfico da MOBY DICK.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

A SOLIDÃO E A AMARGURA DUMA PERNA QUEBRADA... - James Pizarro (DIÁRIO - crônica, 14.12.2021)

Raramente escrevo sobre futebol. Mas lembrei hoje da época em que o Figueroa, ídolo colorado, deixou de jogar. O clube trouxe para o lugar do chileno um jogador de nome Salomon. Não me lembro se argentino ou uruguaio. Para tentar apagar a imagem de Figueroa. O chileno Figueroa sabia falar bonito. Juntava direitinho as palavras. Tinha a excelente impostação de voz. Jeito de declamador até. Cabelos ondeados. E cotovelos de ouro. Fazia uma bela figura na televisão. A torcida feminina adorava Figueroa. A alma colorada se encantou com o ele. Além de jogar excepcionalmente bem, era um emotivo. O torcedor colorado tinha um capitão bonito, inteligente, craque. Ele fez história. Fez nome. Foi legenda. E se foi... Para o seu lugar – argentino ou uruguaio ? – a diretoria do Inter trouxe Salomon. Um homem enorme. Braços pendentes, lembro bem. Algo desengonçado. Uma certa fisionomia de cavalo. E – pasme o amigo que me lê - tinha um resplandecente dente de ouro bem na frente. Um belo trabalho odontológico, me disse um amigo gremista com certo sarcasmo disfarçado. Eu diria que ele lembrava a figura do Stallone. Mas a torcida colorada, passional como sempre foi, não simpatiza com Salomon. Ao invés do bonitão Figueroa de cabelos ondeados e sorriso sedutor, a diretoria traz um sujeito de face equina com um dente de ouro ? A torcida não perdoa. A torcida não ama Salomon. A própria imprensa que ajudara no endeusamento de Figueroa tem má vontade com Salomon. E exibem fotos com sua chuteira e seu pé, Um pé de número 50 !!! O coitado do Salomon não consegue se sair bem. Não acerta. Não joga. Pelo menos não joga aquilo que a torcida esperava de alguém que tinha o peito de substituir Figueroa.. E assim Salomon foi ficando. Jogando mal. Até que o Penharol decidiu compra-lo. Chegou a ser inscrito pelo time do país vizinho para disputar o campeonato nacional deles. Afinal, era uma solução boa para todos. Salomon se livrava do Inter. O Inter se livrava de Salomon. Aí veio o jogo de despedida de Salomon, um GRENAL. Jogado numa quinta-feira, segundo minhas anotações. Uma partida que não deveria ter sido jogada por ele. Uma partida mal gerada. Uma partida com poucos torcedores, inclusive. Nem muitos jogadores titulares tinha. Mas Salomon jogou porque queria se despedir da torcida. O Inter venceu. Mas Salomon, diante de poucos torcedores que nem queriam se despedir dele, foi agredido barbaramente por um “colega” de profissão. E fraturou a tíbia e a fíbula. Que naquela época ainda chamavam de perônio. O Salomon-do-Dente-de-Ouro tinha virado agora Salomon-de-Perna-Quebrada. Todos os jornais abriram manchetes para Salomon. Disseram até que ele passaria seis meses engessado. Falaram que iriam amparar financeiramente Salomon, um atleta de 28 anos. Mas depois daquela noite, em duas ou três semanas, ninguém mais falou ou escreveu algo sobre Salomon. Nem se sabe se o Penharol o contratou com a perna quebrada. Ou mesmo se ele voltou a jogar futebol. Porque na desgraça as pessoas têm memória curta. O que certamente ficou de tudo foi a um atleta com sua perna mais fina. Aposentado do seu trabalho pela deslealdade de um colega. Com sua amargura. E com sua solidão.

sábado, 27 de novembro de 2021

UMA CARTA SEM RESPOSTA HÁ 43 ANOS - JAMES PIZARRO (Seção MEMÓRIA - 27.11.2021 - jornal DIÁRIO)

Na data de 15 de janeiro de 1978, um domingo, o jornal “O EXPRESSO” de Santa Maria, publicou com destaque à página 2 um artigo de minha autoria sob o título “BILHETE PARA O SENHOR PREFEITO”. Passados mais de 43 anos e sem ter obtido até hoje resposta, reavivo a memória da população, pois o conteúdo do que eu propunha continua mais atual do que nunca. Vamos ao texto. SENHOR PREFEITO ! “ Sei que o Sr. É um homem sensível aos apelos que lhe fazem. Sei também que o Sr. É homem muito ocupado. Como sei também que não deve ser moleza governar um município como o nosso. Eu sou um livre atirador, Sr. Prefeito. Professor universitário e homem de imprensa, apartidário e não filiado a qualquer a qualquer delírio coletivista, fico muito à vontade para pensar. E faço força, na medida das minhas limitações, para acertar. Como o Sr. é prefeito de todos nós, inclusive deste humilde escriba, eu me sinto na obrigação de ajuda-lo. Ou denunciando coisas que julgo erradas, como o desmatamento criminoso dos nossos morros. Ou aplaudindo, como no caso da avenida Itaimbé e do Calçadão. Ou sugerindo, como já fiz tantas vezes e torno a fazer hoje. Gostaria que o Sr. incluísse nos seus planos para esse ano que ainda é menino (estamos em janeiro), um plantio de árvores em todas as ruas, avenidas, vielas e becos de nossa cidade. Santa Maria tem a única Estação Experimental de Silvicultura existente no Rio Grande do Sul. Santa Maria tem o único Curso de engenharia Florestal do Rio Grande do Sul. E em nossa cidade já há, pelo menos na faixa infanto-juvenil e adolescente, uma consciência ecológica. A gente moça já tem uma boa vontade tremenda em relação às coisas da natureza, Sr. Prefeito. Não seria o caso da Prefeitura, através de uma campanha bem bolada, usar todo esse potencial que a cidade tem e partir para um planejado plantio de árvores em todos os seus recantos ? Colegas seus, Sr. Prefeito, de outros recantos do Brasil, já entraram nessa. Em belo Horizonte, por exemplo, está se desenvolvendo com sucesso uma campanha coordenada pelo Departamento de Parques e Jardins da Prefeitura, campanha intitulada Dê Carinho a uma Árvore”. Em apenas três meses, com auxílio de toda a população, o seu colega de Belo Horizonte vai plantar 20.000 árvores ! E cada proprietário de casa , na frente da qual foi plantada a árvore, recebe um manual-circular. Onde é ensinado como deve ser feita a preservação da árvore. Já pensou que negócio bacana, Sr. Prefeito ? O Sr. poderia – se aceitar minha sugestão -conceder incentivos fiscais aos moradores que colaborarem com a campanha de reflorestamento da cidade. O Sr. poderia fazer uma redução – mediante concordância da Câmara de Vereadores – entre 5 a 10 % no Imposto Territorial aos proprietários de imóveis residenciais, comerciais ou industriais que apresentarem requerimento a Prefeitura PROVANDO que mantém áreas ajardinadas e cultivam – EM CARÁTER PERMANENTE – espécies de plantas ornamentais em suas propriedades. As mudas podem ser plantadas em regime de “mutirão” com a colaboração da população. E por que não encampar a iniciativa de alguns abnegados santa-marienses que plantam mudas de hortências nas zonas da serra ? Por que não a Prefeitura ordenar que sejam plantadas hortênsias em todas as vias de acesso a nossa cidade ? Sr. Prefeito : o Sr. poderia pedir o auxílio e apoio da UFSM, da Secretaria da Agricultura, do Lions, do Rotary, da Brigada Militar, do Exército, dos escoteiros, das bandeirantes, da Coordenadoria de Ensino. Que tal a ideia ? E o Sr. poderia colocar mais gente, com mais ideias, nessa campanha. O Sr. sabe quantas crianças nascem POR DIA em Santa Maria ? Pois o Sr. poderia enviar às maternidades uma belamuda de árvore para presentear a família do recém-nascido. Seria a melhor forma de homenagear a cada novo munícipe. O pai e a mãe regressariam para casa trazendo o novo membro da família. E trariam junto a muda de árvore que haverá de dar sombra à criança. Sr. Prefeito : será que eu sou um pobre sonhador ? Ou será que sou um pobre maluco que lhe quero encher a cabeça com mais problemas ? Sr. Prefeito : seja um sonhador como eu. E participe das minhas maluquices !”

terça-feira, 16 de novembro de 2021

MINHA PRIMEIRA ROMARIA DA MEDIANEIRA - JAMES PIZARRO (DIÁRIO - 16.11.2021)

Compreendo quem tem insônia. Relevo quem tem sono agitado. Quem é atormentado por pesadelos. Tenho imensa piedade por amigos que têm distúrbios ligados ao sono. À dificuldade de dormir. Porque dos meus nove aos treze anos comi o pão que o diabo amassou por causa desses problemas. Porque sofria de insônia. Noites mal dormidas. Temores noturnos. Quando o sol ia se pondo e a noite se avizinhava, eu já sentia verdadeiro pavor. Meu pai me levou a médicos. Que me perguntavam coisas. Ouvi pediatras dizerem para meu pai que eram distúrbios da pré-adolescência. Que eu era sensível. Um deles disse que eu era "precoce". Lembro como se fosse hoje que eu fiquei estarrecido quando o médico disse isso. Porque eu não conhecia a palavra. Na minha mente agitada imaginei que fosse um tumor, uma moléstia grave. Fiquei tranquilo quando, ao chegar em casa, consultei o único dicionário que existia na época, de autoria do Fernando Fernandes. E fiquei sabendo o que queria dizer "precoce". A medicina não resolveu meus problemas noturnos. Eu continuava a ouvir ruídos. Ouvia gente cochichando. E via coisas. Principalmente fogueiras. Nunca vi pessoas e nem animais. Tudo que eu via era relacionado com fogo. Tinha vergonha e muito medo de contar para os outros. Principalmente sobre as fogueiras. Porque temia que me chamassem de louco. Como a Medicina não resolveu meu problema, a família apelou para outros recursos. Como fazem as famílias até hoje diante de casos insolúveis. Minha mãe me levou então a centros espíritas. A sessões de umbanda. Tomei passes de descarga. Sessões de descarrego. E toda uma terminologia que eu não entendia direito. Numa sessão dessas o médium receitou "Kola Fosfatada Soel", um medicamento feito de ervas muito popular naqueles tempos. E disse que eu teria de comer muita alface na janta. Também não adiantou nada. Até que minha amada avó Olina me levou na romaria de Nossa Senhora Medianeira. A primeira romaria das dezenas que eu iria comparecer depois durante toda minha vida. Lembro que fui todo de branco, com enormes asas de anjo. Carregando uma vela de quase um metro de altura. Alguns amigos meus me esperaram na rua do Acampamento. E quando eu passei um deles gritou : “Tu é um demônio, tu não é anjo”. Porque a minha fama de autor de travessuras na Silva Jardim era grande. Minha avó me dizia que eu rezasse com fé. Que aquelas vozes, aquelas visões de fogo iriam desaparecer. E que eu jamais iria sentir medo da noite. Quando a santinha passou eu olhei para ela e fiquei em estado de graça. Estava tomado pela fé da minha vó Olina. E ela me disse : “Olha para ela...pede agora, com todas as tuas forças.” E eu, chorando, pedi. Com todas as minhas forças. Como minha vó tinha mandado. As vozes realmente sumiram. Nunca mais tive medo. E quando me perguntavam se eu ainda enxergava fogueiras, labaredas, eu mentia. Porque eu continuei a ver aquele fogo durante algum tempo. Eu não queria decepcionar minha avó. E muito menos decepcionar a santinha. Até que um dia – como num passe de mágica - nunca mais enxerguei nada. E até hoje durmo que nem uma pedra.

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

BALEIA EM SANTA MARIA - James Pizarro

No final dos anos 50, entre o edifício Taperinha (ainda em construção) e o Clube Caixeiral estacionou por dias um imenso caminhão carregando uma baleia. A baleia era de grande porte e para ve-la se pagava entrada. Tinha uma cobertura de lona por cima, semelhante a uma barraca, com armações...a gente pagava o ingresso e entrava por um lado, dava a volta no caminhão e saía pelo outro lado...era preta...tinha odor de formol por causa da conservação...lembro como se fosse hj. Foi a primeira vez que a população santa-mariense viu uma baleia. Eu fui ver mais de uma vez e aquilo me marcou muito. MEU PEDIDO : alguém têm fotos ou registros de jornal sobre este fato ? Já procurei muito e ainda não encontrei. Ficaria imensamente agradecido se alguém colaborasse com informações ou fotos e notícias de jornal ou revista.Podem deixar comentário aqui mesmo ou mandar para meu e-mail : jamespizarro137@hotmail.com