sexta-feira, 13 de março de 2009

PIÇARRAS - (2)


PIÇARRAS, SC - (1)





Segundo o historiador José Ferreira da Silva, em "História do Município de Penha" (1958), na segunda metade do século XVIII, pescadores portugueses vindos de São Francisco do Sul desceram a costa em busca de baleias, na época, matéria prima da principal atividade econômica da região. Alguns desses desbravadores se fixaram no pedaço de terra do litoral catarinense que mais avança pelo mar, ao qual chamaram de Ponta do Itapocorói, região habitada pelos índios Carijó. A fartura de baleias e as condições marítimas e geográficas ideiais foram decisivas para que fundassem ali um povoado. Em 1777 nasce Armação do Itapocorói, núcleo inicial dos municípios de Penha e Piçarras. Vale esclarecer que armação era o nome que os portugueses davam para o local onde erguiam estruturas próprias para o manuseio da baleia.

A partir daí, os poucos moradores que já se espalhavam ao longo da costa passaram a ser visitados com mais freqüência por comerciantes que vinham do porto do Rio de Janeiro e retornavam com seus navios carregados de azeite, barbatanas e outros derivados da baleia, negociados em Armação. Essa efervecência econômica atraiu muitas famílias e em fins do século XVIII e início do século XIX os Vieira, San'tAnna, Macedo, Silva Lima, Quadros, Pinto e Figueredo já configuravam o povoado de Piçarras.

Em 1820, passa por Piçarras o historiador francês August de Saint Hilaire, que registra suas impressões do lugar no livro "Viagem pela Provincia de Santa Catarina": Percorrendo a prais, descreve, avistam-se casas, de distância em distância, simples choças, e toda a zona fronteira ao mar é muito povoada, enquanto que para o interior há unicamente floresta. O território antes habitado por indígenas cede espaço ao colonizador açoriano.

Com a extinção progressiva da baleia, Armação perde espaço econômico e político para Penha. A região hoje compreendida pelo município de Piçarras passa, em 1839, a integrar a freguesia da Penha, subordinada a São Francisco do Sul. Mais tarde, em 1860, Itajaí assume o distrito de Penha e, portanto, Piçarras.

A emancipação política de Penha vem em 1958 e na mesma época Piçarras inicia um movimento para emancipar-se também, o que consegue cinco anos depois. A instalação da sede do novo município acontece em 14 de dezembro de 1963. Francisco Fleith assume a Prefeitura.

quinta-feira, 12 de março de 2009

ILHA DO FRANCÊS



FOTOS : aparece a Ilha do Francês, ao fundo.
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A grande Caça ao Lixo na Ilha do Francês, promovida pela Habitasul e pela ONG Ambiental Ratones (Projeto Mar Limpo), em outubro de 2000, chamou a atenção da cidade para um pedacinho de terra próximo à praia (600 metros) um tanto esquecido: a Ilha do Francês.

Uma bela representação vegetação da região, formada predominantemente pela Mata Atlântica, a Ilha do Francês localiza-se ao Norte de Florianópolis, no lado direito da praia de Jurerê internacional. Costões de pedra, mata verde e uma pequena enseada com praia compõem seus 67 mil m2, verdadeiro retiro de fauna aquática e aves.

Atualmente, a Ilha não está incluída nos passeios turísticos das escunas, como as ilhas de Anhatomirim e Ratones (famosas pelos seus fortes), administradas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mas é acessível até por jet-ski.

Toda a história da Ilha do Francês revela fragmentos da história de Florianópolis e pode ser contada através das sucessivas trocas de proprietários (ocupantes), desde 1884 – data do primeiro registro de ocupação, encontrado na Delegacia do Patrimônio da União em Santa Catarina.

Na época era chamada apenas de Ilhota, e o porto da Igreja Matriz da Freguesia de São Francisco de Paula (há versões em que se chama São Francisco de Assis) de Canasvieiras era seu principal ponto de referência.

Sobre a origem do nome que consta nas cartas náuticas hoje – Ilha do Francês – não há documentos. Num artigo publicado numa revista local, o jovem remador ilhéu Celso Perrone (morto aos 33 anos, em 1949) menciona:

“...dizem que seu nome, como é fácil de deduzir, proveio do fato de ter sido habitada há cerca de um século por um veterano da Grand Armée de Napoleão Bonaparte e que emigrara após a derrota de Waterloo.”

Em 1900, o escritor catarinense Virgílio Várzea (1863-1941), nascido na freguesia de São Francisco de Paula de Canasvieiras, abandonou a linguagem descritiva que usou para descrever as ilhas adjacentes à Ilha de Santa Catarina (no seu livro “Santa Catarina, a Ilha”) e deixou-se levar pela poesia e mitos gregos para descrever a do Francês:

“...cerca de 600 metros ao mar da ponta de São Francisco, alteia-se a ilhota dos Franceses, ou simplesmente a Ilhota, como aí a denominam vulgarmente. De uma paisagem encantadora e cercada de altos rochedos, dispostos com suprema arte pela natureza, rochedos que se alongam como aríetes estranhos sobre as ondas tocadas de espuma – a ilhota dir-se-ia um desses pequeninos torrões do arquipélago odisseu, onde deusas e ninfas olímpicas viviam, em tempos lendários...”

A Ilha do Francês é conhecida por muitos outros nomes – sempre de acordo com seus ocupantes. Já foi Ilha do Inglês, do Ignácio, Ilha do Alemão e atualmente também é chamada de Ilha do Argentino. Desde 1884, é de propriedade particular – excluída a orla, por determinação legal.

Em 1894, metade da Ilha, com uma casa e muitas árvores frutíferas, segundo consta em escritura de venda arquivada no Patrimônio da União, foi vendida a João Ignácio Schroeder. Encantado com a profusão de orquídeas selvagens, Ignácio tratou de montar um orquidário.

Em 1916, o inglês John Williamson – que, supostamente, veio à cidade instalar a luz elétrica – comprou a ilha de Schroeder e ali instalou a sua oficina. O artigo de Perrone, antes citado, é justamente sobre uma visita ao inglês, que o descreve como um “perfeito gentleman, ao qual um já longo retiro de mais de dez anos não conseguira deslustrar”.

Após a morte de Williamson, em 1938, a posse foi para as mãos de Antônio Muniz Barreto, argentino de origem brasileira. Muniz Barreto foi o responsável pelo auge da beleza da Ilha do Francês, incrementando o orquidário e criando jardins com flores raras, importadas de todo o mundo. Entre elas, a orquídea elegante, uma variedade totalmente branca.

Segundo contam os moradores mais antigos de Canasvieiras, o argentino era um milionário apaixonado pela Ilha, queria morrer e ser enterrado lá. Vinha só para passar as férias, mas carregava consigo todo um aparato – mordomo, copeira, empregados, etc. Quando Muniz Barreto envelheceu e adoeceu, os filhos não o trouxeram mais para o local. Um dos ex-empregados do argentino, José Xavier de Brito, conta que, um pouco antes de ele morrer, os filhos acabaram realizando o seu desejo de voltar, e ele chorou como criança, quando desceu na praia. Seu Zeca, como é chamado, ainda se emociona ao lembrar da beleza da Ilha e da quantidade de peixes.

Hoje a Ilha do Francês pertence aos netos do argentino, mas eles só ficam na casa, por causa do movimento na praia em frente, que é Canasvieiras.
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FONTE : Tudo Jurerê (http://www.jurere.com.br/site/content/jurerecom/content/historia/news2.asp?secao_id=145)

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