terça-feira, 10 de outubro de 2017

QUE SAUDADE PUNGENTE DO MISTÉRIO DOS QUINTAIS...- James Pizarro (crônica no Diário de Santa Maria, edição de 10.10.2017)



Corriam os anos 80 quando conheci os irmãos Dimitri e Negendre Arbo. Ao redor da piscina do Avenida Tênis Clube. Tocando violão. Cantando e tocando músicas renascentistas. Em pouco tempo nos tornamos grandes amigos. Para sempre. Ainda mais quando fiquei sabendo que eram filhos do meu amigo Antônio Carlos Arbo. Poeta e colega da UFSM. Autor do livro “Tempoema”. A mãe, professora estadual, talentosa pintora, fazia telas de pandorgas. Enfim, uma família de artistas.
Os dois irmãos formavam um duo conhecido pelo nome de “QUINTAL DE CLOROFILA”. Dimitri e Negendre tocavam múltiplos instrumentos. E eram compositores também. Costumavam cantar apenas o que compunham. As letras geralmente eram feitas com o auxílio do pai.
Dimitri tocava viola 12 cordas, saxofone e quatro tipos de flauta (transversa, doce, soprano e contralto), ocarina, percussão. Negendre tocava violão, casio, banjo, guitarra, bandolim, percussão, metalofone, microharpa, porongo.
Resolveram gravar um disco. As pessoas adquiriram o mesmo antecipadamente a fim de que o sonho pudesse ser realizado. O que ocorreu em 1983. O disco se chamou “O MISTÉRIO DOS QUINTAIS”. Tinha 10 faixas. Todas de autoria dos irmãos. Lembro de todas : As alamedas, Jornada, Drakkars, Liverpool, Gotas de Seresta, Viver, O último cigano, Jardim das delícias, Balada da ausência, O mistério dos quintais.
Eu tinha um programa de Ecologia na Rádio Universidade, chamado “Antes que a Natureza Morra”, que ficou 26 anos no ar. E levei o Dimitri e o Negendre para tocarem as músicas de fundo ecológico no meu programa, mesmo antes deles terem gravado o disco. Foi a primeira vez que eles se apresentaram em rádio.
Também quando eu promovi em Santa Maria o primeiro EEEE – Encontro Estadual de Entidades Ecologistas do RS, convidei o “Quintal de Clorofila” para se apresentar para mais de 150 ecologistas gaúchos, políticos, estudantes e imprensa que cobria o encontro. Também levei os mesmos para se apresentarem para os alunos do cursinho pré-vestibular MASTER, onde eu ministrava aulas de Biologia.
Teve grande repercussão o lançamento do disco devido ao inusitado das músicas, das letras, arranjos, pois tudo era muito avançado para a época. Lembro que houve uma apresentação da dupla no encerramento da edição dominical do FANTÁSTICO.
Até hoje não sei porque não saiu o segundo disco do QUINTAL DE CLOROFILA. O Antônio Carlos Carlos Arbo faleceu, infelizmente. Os familiares – e também os irmãos Dimitri e Negendre – foram morar em Foz do Iguaçu. E a cidade ficou órfã desta dupla que fez um tipo de música visionária, revolucionária para seu tempo, que encantou nossa cidade. E que faz a gente sentir saudade até hoje.
Principalmente diante da mediocridade musical que a TV despeja na nossa cara diariamente.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

AS LEIS EMPANTURRAM AS TRAÇAS E AS BARATAS - crônica de 26.09.2017 no Diário de Santa Maria

Em boa hora e com grande repercussão pública, o Diário de Santa Maria publicou reportagem sobre leis municipais que nunca tinham sido cumpridas, apesar de devidamente discutidas e aprovadas e – portanto – vigentes. Entre as dezenas citadas na bem elaborada matéria, foi citada a Lei Municipal 3240, de 1990, de minha autoria, que cria o “Setor de Conservação e Cadastramento de Monumentos da cidade e dá outras providências”.
Lembro bem que à época – legislatura 1988/1991 – tive enorme trabalho para elaborar o texto dessa lei, pois precisei me socorrer do auxilio de professores e alunos dos cursos de História e Geografia para mapear todos os monumentos então existentes na cidade e sua localização. Lembro que o projeto foi vetado pelo prefeito e o veto derrubado na Câmara, sendo a lei sancionada pela unanimidade dos vereadores.
Mas os monumentos – objeto da minha atenção – estavam azarados ! Pois a lei, aprovada em 1990, ate hoje não foi cumprida e o cadastro não foi criado. Desconfio que muitos dos monumentos citados na minha lei não existam mais. Tenham sido trocados de lugar, surrupiados, derretidos ou estejam mofando em algum depósito ou almoxarifado desta cidade “cultura”.
Mas fui consultar meus arquivos e me deparei com outras leis de minha autoria que – salvo melhor juízo – acho que jamais foram cumpridas. E que por curiosidade histórica resolvi lembrar, pelo menos de algumas.
Obriga vendedores de mel a apresentarem resultado de análise química do produto. (LM 3199/90).
Obriga empresas estabelecidas em Santa Maria com comercio de agrotóxicos a dar destinação final às embalagens dos mesmos. (LM 3206/90).
Obriga os proprietários rurais com atividades agrícolas comprovadamente agressivas ao meio ambiente a apresentarem projetos de medidas mitigadoras e compensatórias de recuperação. (LM 3287/1990).
Cria o plano de arborização urbana e rural e dá outras providências. (LM 3287/90).
Estabelece normas para a manutenção de animais destinados a comercialização em lojas e outros estabelecimentos comerciais. (LM 3237/90).
Obriga freqüentadores de academias de ginástica e musculação a apresentarem Teste Ergométrico para detecção de cardiopatias. (LM 3313/91)
Proíbe o uso de lajotas vitrificadas na construção de calçadas no município. (LM 3363/91).
Obriga a promoção de reflorestamento em áreas degradadas nas encostas dos morros do município. (LM3269/91)
Obriga o Poder Público e a iniciativa privada a apresentarem relatório de impacto ambiental (RIMA) como pré-requisito para instalação de obra ou atividade potencialmente poluidora ou causadora de degradação ambiental. (LM 3290/91).
Dispõe sobre a arborização obrigatória das faixas de domínio das rodovias municipais. (LM 3498/92).
Trago em coleção apenas estas poucas leis porque são dezenas de outras porque – meticuloso que sou – as tenho arquivadas. Muitas vezes o legislador pode estar cheio de boa vontade. Pesquisar. Estudar. Cercar-se de técnicos. Redigir. Buscar apoio de seus pares. Conseguir a aprovação das leis.
Para que depois, melancolicamente, elas fiquem mofando numa gaveta. Alimentando traças e baratas.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

A BIODIVERSIDADE TRIBAL DO CALÇADÃO - James Pizarro (edição de 12.09.2017 do Diário de Santa Maria)

Há mais de ano frequento o calçadão diariamente.  Nos mais variados horários. Pela manhã costumo ficar às vezes – se a companhia estiver boa – cerca de três horas.  E mesmo sozinho fico apreciando o movimento. Cumprimentando as pessoas. Prestando atenção em tudo. E em todos. Volto pela tarde e faço a mesma rotina.

Claro que não fico estático. Vou ao cafezinho. Sempre com o Modesto Dias da Rosa, companheiro inseparável de todas as manhãs. Aparecem outros : Horst Oscar Lippold, Alfeu Scalcon. Mas tomado o cafezinho e dissolvida a roda de conversa, volto à minha  rotina no “PO” (Posto de Observação), como o jornalista Fabrício Minussi apelidou o banco onde fico no calçadão em frente à Galeria Roth.

Costumo ficar ali com olhos de lince. De observador do cotidiano. Vendo o destino dos passantes. As frases soltas. As discussões acaloradas. Quem me vê pensa sou apenas um ancião aposentado. Distraído.  Alma perdida. Esperando a morte chegar. Nem suspeita que liguei meus sensores. Para aprender coisas. Aumentar o aprendizado sobre a cidade.  Recolher material para minha crônica quinzenal. Aprender a biodinâmica de interações humanas na selva de cimento e suor.

E uma coisa que me saltou aos olhos é a variedade de “tribos” que habitam o calçadão Salvador Isaia. E todas mais ou menos fazem a ocupação de seu território seguindo um ritual de horário. Quem é da área das ciências ditas sociais ou humanas tem um prato cheio para estudar ou recolher material para escrever artigos especializados.

Posso listar as dezenas de pedintes pelo nome e seus pedidos preferenciais (dinheiro para o pastel, para passagem do ônibus, remédio, cigarro avulso, cafezinho). As simpáticas indiazinhas descalças, com 2 ou 3 anos de idade, sempre pedem moedinhas enquanto correm de banco em banco.

Às 9h00 horas abre a Lotérica Zebrão e suas simpáticas atendentes preparam-se para atender longas filas. Às vezes, ouvem coisas do arco da velha. Coisas que os clientes gostariam de dizer para os políticos e autoridades descarregam sobre as  funcionárias que pacientemente ouvem. Sorriem. E na maioria das vezes, calam.

Dezenas de militares reformados também têm cadeira cativa no calçadão. Conheço quase todos. Assim como os funcionários aposentados da UFSM, do governo do RS e do município de SM. Todos trocam informações sobre política. Existem também cidadãos que oferecem dinheiro a juro. Existem grupos de adolescentes munidos de mochilas em pleno horário escolar que dão a nítida impressão de estar gazeando aula. Existem artesãos que ocupam o solo do calçadão a partir de certo horário da tarde. Outros trocam os bancos de lugar sem que ninguém reclame com medo de se incomodar. Outros passam voando de skate.

Alheia a tudo, minha amiga dona Vera chega com sua bolsa cheia de saquinhos de ração. E distribui para os cachorros do calçadão. E fornece água a eles também. Depois junta os potes e saquinhos, deixa tudo limpo e vai embora. Os cachorros ficam felizes sacudindo a cauda.


E eu fico feliz também. Porque fico otimista. Fico achando que a humanidade ainda tem saída. 

terça-feira, 29 de agosto de 2017

A PRIMEIRA AULA, A GENTE JAMAIS ESQUECE - James Pizarro (edição de 29.08.2017, Diário de Santa Maria)

Sou do tempo em que o então chamado Grupo Escolar João Belém funcionava no prédio onde hoje está o MANECO, em Santa Maria, RS. E ali fui matriculado - com 6 anos de idade - no Jardim da Infância.
Assim é que, nos primeiros dias do mês de março de 1948, comecei a estudar. Agarrado à mão de minha mãe, fui levado e entregue na penúltima porta do corredor do primeiro andar à mestra Luiza Leitão, uma professora afrodescendente, de cabelos brancos, que foi minha primeira professora e da qual guardo enternecedora lembrança. Ela me recebeu carinhosamente. O que fez dissipar-se do meu assustado espírito qualquer resquício de medo. Muito embora eu tenha sentido um inesquecível aperto no peito quando vi minha mãe me abanar e desaparecer pelo corredor.
Lembro detalhadamente desse primeiro dia de aula ! Sentei-me numa mesinha, junto com duas meninas e um menino, de nome Cleómenes, que usava óculos. Inexplicavelmente, não guardei o nome das duas meninas, que eram simpáticas e puxavam conversa. A professora Luiza Leitão bateu palmas, pediu silêncio. E colocou no aparelho de som (que era chamado de "vitrola") um enorme disco de vinil. Daquele disco, como num passe de mágica, brotou a emocionante novela intitulada "As Aventuras do Coelhinho Joca", a primeira história infantil gravada que ouvi em minha vida. Eu gostei tanto que, meses depois, quando ganhei meu primeiro cachorro de presente, um fox preto e branco, o mesmo recebeu o nome de "Joca".
Corria o ano de 1948, ano em que o Botafogo foi campeão carioca. O time alvinegro entrava em campo com sua mascote "Biriba", uma cadela também fox preta e branca.
Num relance e passaram-se décadas desde a minha primeira aula, pois estou hoje com 75 anos. Lembro detalhadamente de tudo. Desde a disposição dos móveis na sala. Dos quadros. Dos rostos. Dos sons. Do sino batendo para o meu primeiro recreio. Da primeira merenda. À noite, custei muito a dormir. Pois recapitulava mentalmente tudo o que me havia acontecido naquele dia memorável.
A professora Luiza Leitão, e depois a professora Léa Balthar, foram as duas responsáveis pela minha alfabetização. Não posso deixar de registrar a querida professora Fátima Mesquita, responsável por ter me preparado para o exame de admissão ao ginásio no MANECO.
A outra diretora do João Belém, que substituiu a professora Edy Maia Bertóia, foi a Professora Heleda Diquel Siqueira. Que também foi minha professora de Trabalhos Manuais. Dona Heleda era exímia jogadora de bolão. Viajava muito pelo RS disputando campeonatos femininos de bolão. Faleceu recentemente.
Nas datas importantes - principalmente nas datas cívicas - aconteciam no João Belém as chamadas "audições". O que era isso ? Todo o corpo docente e discente era reunido no salão de festas da escola. E havia apresentações artísticas : danças, corais, declamação de poesias, números musicais, mágicas, bandas. Tudo isso era precedido pela fala do locutor. Que lia uma sinopse do número que ía ser apresentado.
Devido ao desembaraço, desenvoltura ou "cara-de-pau" - seja lá que nome tenha isso - sempre fui escolhido para ser o locutor das "audições". O que me conferia um certo "status" com os professores. Simpatia com as meninas. E uma certa ciumeira dos meninos.
Dou-me conta, agora, da influência que tais experiências da meninice podem ter na formação da nossa personalidade. E até nas nossas escolhas profissionais de adulto.
É um mistério ! Que estranho fermento a vida semeia na sensibilidade da gente ! E ao longo do tempo aquilo vai se metamorfoseando em pão.
Esse mistério foi inoculado em meu espírito pela dedicação de meus professores do João Belém e do Maneco.
E por isso serei eternamente grato a todos eles. Até o último dia da minha vida.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O VENTO SOPRARÁ FEITO UM HINO SOBRE AS FLORES - James Pizarro (Diário de Santa Maria, página 4, edição de 15.08.2017)


domingo, 6 de agosto de 2017

SAMDU-SAMU - autor : Moacir da Rosa Alves

SAMDU-SAMU 

SAMDU-SAMU. Final dos anos 50 inicio de 60 Santa Maria inauguráva o seu Serviço de Atendimento Médico Domiciliar de Urgência.-SAMDU, implantado no país por iniciativa de João Goularte. Um de seus postos situado na Vila Belga a rua Dr.Wauthier numa bela casa branca,quase esquina com a rua Daudt.O então Prefeito de Santa Maria, Sr. Vidal Castilho Dânia sanciona a leiN°611 de o6 de dez de 1957 aprovada pela Câmara para aquisição de medicamentos e outros.. para aquele posto ,que possuía uma ambulância e seu corpo clinico e administrativo chegou a ter mais de uma centena de servidores. Entre eles o 1° enfermeiro o Sr. Alfeu Pizarro pai do ilústre professor James Pizarro que lá também trabalhou na administração. Tendo como 1°médico chefe o Dr.Raimundo Braga, sucedido pelo Dr. Clândio Marques da Rocha,entre tantos renomados médicos que lá prestaram serviços a população os ,Drs. Ronald Bossemeyer, Eugênio Streliaev,Agostinho,Mazza e … O SAMDU á sua época foi um serviço de excelência que possuía como referência ao atendimento pré hospitalar, a Casa de Saúde e o Hospital de Caridade. Demostrando já naqueles tempos a necessidade da referência para atendimento pré hospitalar. Certamente nossa população mais do que duplicou neste período, aumentando em muito as necessidades de serviços médicos para o povo, que busca no SUS nascido em 1988; a cura para suas doenças . Em setembro de 2003,o Ministério da Saúde,através  portaria nº 1864/GM cria o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência-192)já implantado em muitos municípios do Brasil.Engatinha em nossa cidade embora já possua a meses as ambulâncias e tem fisicamente pronta a UPA. Diz a secretaria´de saúde que o serviço estará implantado no inicio de abril será?? Aqueles que puderam assistir o recente debate na TV Santa Maria em seu programa análise Santa Maria em debate, certamente perceberam que á necessária integração não existe entre os setores. Mas foi uma aula ministrada pelo médico dr. Cláudio Azevedo e do médico capitão dos Bombeiros sobre a legislação que é claríssima no sentido da CAPACITAÇÃO , da REGULAÇÂO MÉDICA, da CONCIENTIZAÇÃO da população e da UPA (Unidade de pronto Atendimento)como referência para o atendimento AH e medicamentos!! o SAMDU Tinha ambos há 50 anos ! E então quando vem o SAMU?!!  Inicia Hoje 20 de Maio de 2010 nosso SAMU ,desejo sucesso a toda equipe e empenho especial no atendimento de nossa população! .Att, Dr Moacir
SAMDUSAMDU
BENVINDO SAMU!!BENVINDO SAMU!!

REVIVENDO O CAMPUS | TEMP. 1 EP 01 | JAMES PIZARRO

terça-feira, 1 de agosto de 2017

A ESPADA DOS CÉUS CONTRA OS CANALHAS ! - James Pizarro (Diário de Santa Maria, edição de 01.08.2017)


Nos últimos dias fui a seis velórios. Acompanhei seis enterros. Queridos amigos meus. Alguns deles amigos há de mais de cinqüenta anos. Contemporâneos de universidade. Pensei até em citar os nomes de todos. Fazer uma síntese de suas vidas. Como forma de homenagem derradeira. Uma forma de lembrar aos familiares que foram importantes. Numa época de corações duros. De memórias fracas. Onde as instituições e as pessoas olvidam dos outros em menos de semana. Esses amigos – ao cabo de tudo – ficarão vivos no coração de suas viúvas. De algum filho mais sensível. Um netinho mais chegado. No coração do cronista patologicamente chorão.
Mas desisti de falar sobre a vida particular de cada um. E resolvi lembrar o assunto que mais falávamos em nossas conversas. Tanto no calçadão. No cafezinho. Nas filas da lotérica. Nos bancos da praça. O assunto preferencial de nós todos acabava sendo sempre o Brasil. A situação do país. Os políticos. A corrupção. Os escândalos sem fim. A Lava Jato. Os cargos de confiança. As assessorias.
Os meus amigos morreram sem saber que as universidades federais brasileiras só têm verbas até setembro. E que já estão demitindo funcionários. Extinguindo bolsas de ensino e de extensão. Gente da portaria, copa, garagem, jardins. Na UFSM já demitiram mais de meia centena de vigilantes.
Os meus amigos – alguns deles funcionários públicos federais – morreram sem saber que o (des)governo federal está planejando dar um calote e adiar para o segundo semestre do ano que vem o aumento prometido para algumas categorias, já que outras foram esquecidas.
Os meus amigos morreram sem saber que os ministros do governo já realizaram este ano (até segunda-feira, dia 24.07) 1112 viagens em jatinhos da FAB, que fazem parte do chamado GTE - Grupo de Transporte Especial, responsável pelas viagens de autoridades no Brasil.
Os meus amigos morreram sem saber que o “Impostômetro” registrou até a semana passada o recolhimento recorde de impostos no Brasil : este ano o nosso povo já pagou para o governo 1 TRILHÃO E 400 BILHÕES DE REAIS !!!
Os meus amigos morreram sem saber que a gasolina subiu de novo, um juiz mandou baixar mas o governo federal recorreu e prontamente ela subiu de novo ! E que agora virá a ciranda de aumentos de passagens de ônibus, taxis, fretes.
Os meus amigos morreram sem saber da pesquisa do IBOPE que deu um percentual de aprovação ao presidente de apenas 5 %.
Os meus amigos morreram sem entender como arrecadam tanto imposto nesta fúria tributária – alegando faltar dinheiro em caixa – e abrem os cofres do Brasil para as emendas dos parlamentares às vésperas da votação que decidirá o futuro do presidente.
Os meus amigos morreram na esperança de ver um Brasil feliz. A maioria deles não tinha partido, assim como eu. Calejados. Aposentados. Céticos. Contavam apenas com a esperança. A fé. O desejo íntimo de que surja um milagre.
Os meus amigos morreram acreditando que a espada dos céus vai se abater sobre os canalhas.
Que Assim Seja !

terça-feira, 18 de julho de 2017

SALÃO VENITO : O CLIENTE ENTRA FEIO E SAI BONITO ! - James Pizarro ( crônica no Diário de Santa Maria, edição de 18.07.2017)


Há muitas décadas acompanho o nascimento e desaparecimento dos salões em nossa cidade. Entenda-se “salões” como os locais de trabalho dos barbeiros. Estes dedicados profissionais que tratam, prioritariamente, dos cabelos e barba masculinos. Falo “prioritariamente” porque existem senhoras idosas e também mocinhas que são clientes e  pedem cortes bem masculinos, curtinhos.

Lembro de dezenas de salões de Santa Maria. Um que funcionava na gare da Viação Férrea na época áurea dos ferroviários. Outro no início  da avenida Rio Banco que atendia aos viajantes  hospedados nos hotéis e pensões. Outro no Círculo Operário, perto do Bispado. Mais um em frente ao Regimento Gomes Carneiro. Outro ao lado da quadra do Atlético, na André Marques. O Salão  Lord, na Primeira  Quadra (hoje, calçadão).

Mas o mais antigo de todos, ainda em pleno funcionamento, onde vou diariamente bater papo e três vezes por semana para fazer a barba é o famoso SALÃO VENITO. Está localizado na Galeria do Comércio e atualmente os proprietários do ponto são o Roni e a Madalena.

O Salão Venito começou a funcionar em 1953 nas dependências no antigo Hotel Kroeff, localizado onde hoje está  construída a Galeria do Comércio. Mudou-se para sua segunda sede um pouco abaixo da agência central dos Correios. Até que em abril de 1962 se estabeleceu em definitivo onde está, na Galeria do Comércio. Portanto, o salão está em funcionamento há 64 anos !

Conheci dezenas de barbeiros que trabalharam no salão  entre eles o próprio Venito, falecido em 1983, era barbeiro do meu pai. Há poucos meses faleceu o Nelson, que era barbeiro do meu sogro.  Outros que também se foram : Adão, Pedro, Nei, Urias, Laudelino, Álvaro Mendonça.

A equipe atual do salão é composta por sete excelentes profissionais : Amadeo (é o decano, o mais antigo de todos), Julio, Gilmar, Clândio, Francisco, Vilmar e Eduardo (o mais novo integrante da equipe).

O primeiro a chegar todas as manhãs, responsável pela abertura do salão às 6h30, é o Clândio. Providencia na limpeza, água quente, toalhas, lâminas, térmicas e cuia para chimarrão. Porque logo cedo tem uma turma de clientes e amigos que chegam para conversar, saber das novidades do dia e saborear o chimarrão cuja erva é semanalmente rateada por todos.

O Salão Venito têm clientes de dezenas de cidades situadas ao redor de Santa Maria. Profissionais de todos os tipos cortam o cabelo e fazem sua barba ali, alguns desde o tempo em que faziam  seus curso superior quando só existia a UFSM em nossa cidade. Hoje estes mesmos clientes trazem seus filhos e netos para  continuar a tradição.

O barbeiro de certa forma é um terapeuta, um psicanalista, um psicólogo pois - dependendo da situação e do estado emocional do cliente – tem de ouvir, concordar, sugerir, aconselhar, acalmar. Muitos clientes chegam tristes. Outros têm problemas de doença na família. Outros têm problemas econômicos. Outros  estão irritados com a situação econômica, as autoridades, o governo. E o barbeiro tem de ter a palavra amiga. O gesto solidário. Uma palavra de estímulo. Um abraço fraterno. Ou até um silêncio  compreensivo se o cliente estiver de pouca conversa.


E isso tudo tem no Salão Venito !!!

terça-feira, 4 de julho de 2017

AFETOS E QUEIXAS ALIMENTAM A CIDADE - James Pizarro (Diário de Santa Maria, edição de 04.07.2017)



O cronista não tem pretensão outra qual não seja a de partilhar emoções. Contar histórias. Rememorar. Colaborar com os arquivos da cidade. Dizer para alguns moços que o planeta não começou no dia em que eles nasceram. Registrar a memória da sua geração antes que – sem avisar – chegue o canalha do Alzheimer. Ou simplesmente falar sobre o cotidiano. As estações. O humor. O amor.
Os leitores também fazem reivindicações. Abordam na rua. Pelo telefone. Encaminham e-mails. Cartas. Deixam bilhetes. Esperam na portaria na condomínio . Fazem sugestões. Reclamam. Corrigem. Colaboram. Muitos são amigos. Colegas. Vizinhos. Mas a grande maioria é de desconhecidos.
Jamais deixei de atender um telefonema. Ou responder um e-mail ou carta. Ou acatar uma sugestão quando a mesma é pertinente. Ou dar uma explicação quando houve um mal entendido. Ou mesmo um pedido de desculpa no caso de uma grosseria involuntária.
Hoje vou sintetizar e colocar alguns pedidos em dia. O leitor prescreve. O cronista escreve.
Taxistas do Ponto Central, que têm ponto secundário na “boca” da Galeria do Comércio à rua Venâncio Aires queixam-se que o local destinado ao estacionamento dos taxis está quase sempre ocupado por carros particulares e carros fazendo entrega de mercadorias. E quando eles ligam para os guardas da Prefeitura Municipal para tomada de providências (multa e guincho) eles sempre informam que estão ocupados.
Dois professores da UFSM que costumam fazer caminhada (exercício) pela cidade reclamam que as pedrinhas portuguesas que foram usadas na revitalização dos canteiros centrais da av. Rio Branco estão soltas, o piso está cheio de buracos e as pedras, que custaram alto preço, estão amontoadas e sendo roubadas.
Minha crônica “Calçadão agonizante à espera de um socorro que nunca vem”, mereceu envio de atencioso e-mail do meu querido amigo de tantos anos Luiz Gonzaga Binato de Almeida, arquiteto e professor universitário aposentado. Binato concorda com todas as colocações que fiz a respeito da necessidade da “revitalização” do calçadão (termo usado pela Prefeitura) ou “restauro” (termo técnico usado por ele, Binato). Registre-se para a posteridade que o Calçadão de Santa Maria, hoje chamado “Calçadão Salvador Isaia, foi concebido e projetado pelo meu amigo Luiz Gonzaga Binato de Almeida.
Quem vai de carro pela Acampamento e dobra à direita na Pinheiro Machado corre o risco, naquele cruzamento, de ter os órgãos da cavidade abdominal trocados de lugar tal a quantidade de buracos existentes naquela esquina. Urge que se tomem providências naquele local principalmente porque é caminho para o Hospital de Caridade, Hospital Alcides Brum e dezenas de edifícios de consultórios. Qualquer dia uma maca vai saltar de dentro de uma ambulância e sair rolando sozinha pela rua. Ao melhor estilo “pegadinha” de programa dominical de TV.
Quem viver, verá !

terça-feira, 20 de junho de 2017

HUMANÓIDES "ONE-WAY" - James Pizarro

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Em Ecologia, "one-way" é uma embalagem sem retorno. Geralmente garrafa ou pote de vidro...o consumidor usa o produto e bota fora a embalagem. As pessoas estão sendo tratadas assim também...você é "amado" (kkkkkkk) enquanto é útil aos interesses do "amigo", da empresa, se tem dinheiro, poder, influência, beleza, se exerce cargos...se perdeu essas coisas, é deletado. É bagaço. Laranja que não tem mais suco. Caneta esferográfica que não tem mais carga. Lâmpada que começou a "piscar". O destino é o lixo do esquecimento. Mas se você ganhar a Mega Sena sozinho, prepare-se que todos os antigos "amigos" tentarão voltar. Até aqueles que desfizeram as amizades no facebook. e os que nunca mais responderam seus e-mails. Ou retornaram seus telefonemas. Terá chegado a doce hora de mandar todos TNC !!!

HOMEM DE DEUS CUMPRE SUA TAREFA NO CALÇADÃO - James Pizarro (DIÁRIO DE SANTA MARIA, 20.06.2017)

O orador ou artista que se apresentar no novíssimo Centro de Eventos da UFSM terá a garantia de uma seleta platéia. Ótima acústica. Excelente aparelhagem. Talentosos técnicos de som. Poltronas confortáveis. Ambiente climatizado. Propício à atividade intelectual. Artística. Cultural.
Assim também será na sala de espetáculos do complexo do Hotel Morotin. E no requintado Teatro 13 de Maio. E na sala de sessões da nossa Câmara de Vereadores. E nas salas de solenidades cívicas dos quartéis. Escolas. E Universidades. Sempre platéias de nível intelectual muito acima da média. Atentas. Educadas. Disciplinadas.
De certa forma, estes ambientes apropriados facilitam o trabalho dos oradores. Professores. Artistas. Políticos. Militares. Palestrantes. Cantores. Declamadores. Conferencistas. Pregadores.
Por que este preâmbulo ?
Porque meu personagem de hoje nunca freqüentou estes ambientes sofisticados. Seu palco é a rua. Sua sala de espetáculos é o Calçadão Salvador isaia !
Estou falando daquele moço moreno claro que diariamente se encontra no calçadão. Em frente à Galeria Roth. Empunhando seu violão afinadíssimo. E que canta durante várias horas por dia. Músicas todas de sua autoria.
Mas a novidade impressionante é que são músicas religiosas. De cunho evangelizador. Composições de métrica perfeita. Melodias lindas. Entoadas com voz potente. Sem uma única nota desafinada. Todas – qual fábula – com uma moral educativa a ser meditada. Refletida por quem ouve.
Na sua frente, um banquinho verde de plástico com uma caixa para coleta de doações dos passantes. Na caixa, um cartaz : “DEUS É FIEL”. Ao lado, duas pilhas dos seus dois CDs já gravados. E que ele vende aos interessados.
Há várias semanas observo o Luiz Roberto. Este e o nome verdadeiro dele. Primeiro ficava em pé. Longe. Escutando atentamente as letras. Com o passar dos dias, me aproximava mais. Comecei a colocar contribuições na caixa. Comprei os dois CDs para ouvir melhor em casa.
Sentei no banco a seu lado na semana passada. E nos intervalos das músicas, eu puxava assunto. Ficamos amigos. Ele me contou que há muitos anos foi dependente químico (e não me pediu segredo, conta isso nas suas palestras nas pregações que faz na igreja de sua devoção e sua fé). E que conseguiu se livrar do vício prometendo consagrar o resto de seus dias em louvar a Deus através do seu talento : a música.
Eu me senti tão pequeno diante da simplicidade daquela confissão e daquela alma ressurgida das cinzas pela bondade de Deus, que chorei em pleno calçadão. Para surpresa de alguns estranhos que passavam. E não entendiam o que estava ocorrendo.
Afinal, eu estava sentado ao lado de um ressucitado ! Que voltou à vida pela graça da conversão !
Um professor universitário que tantas vezes, idiotamente reclamou da qualidade do som nas suas palestras, sentado ao lado de um cantor humilde que tem a suprema coragem de cantar na rua a palavra de Deus ! Quantos teriam este destemor ?
Luiz Roberto é um homem de Deus. Ele merece nosso respeito !

quinta-feira, 8 de junho de 2017

VAMOS TRATAR MELHOR OS MORTOS ENQUANTO AINDA ESTAMOS VIVOS !? - James Pizarro (Diário de Santa Maria, 06.06.217)

Quando rapazote eu tinha certas manias. Talvez preconceitos. Ou quem sabe, medos. De três deles pelo menos lembro bem. Não visitava doentes em hospital.   Não ia a velórios e enterros. Não ia a cemitérios. E para justificar, costumava dizer “quem não é visto não é lembrado”.

Os anos passaram velozmente. A maturidade chegou. Os medos se foram. A solidariedade se tornou um valor fundamental. O acolhimento na hora da dor e da doença passou a ser um imperativo de prática cristã. E o que a gente acaba mais fazendo aos 75 anos é visitar amigos doentes. Frequentar velórios de amigos, vizinhos, parentes e colegas.

Nos últimos anos  passei  pela dolorosa experiência de muitas mortes familiares. Perdi meus pais. Sogros. Avós. Tios. Sobrinhos.  Nos últimos meses tenho perdido dezenas de amigos, colegas, vizinhos, ex-alunos. 

E no silêncio de cada velório, sempre me lembro do poeta Manuel Bandeira. Nas aulas de Literatura do MANECO, a saudosa professora  Mariazinha Antunes Bernardes me ensinou um poema dele, intitulado “CONSOADA” :

“ Quando a indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.”

Foi nesse poema que aprendi o que significa a palavra “caroável” : amável, afetiva, carinhosa. Foi nesse poema que aprendi o significado da expressão “indesejada das gentes”...

Nestas minhas andanças cemiteriais observo coisas do arco da velha. Sujeira por todo canto. Lixo. Macegas. Arbustos altos. Túmulos mal conservados. Galhos de árvores com abelhas e vespas. Indivíduos com atitudes suspeitas andando pelo interior do cemitério. Até cobras já vi (por sorte, não venenosas, que conheço a diferença). Já ocorreram assaltos no interior do cemitério municipal.

A impressão que se tem é que há falta de funcionários. A capacidade física do cemitério municipal, por exemplo, está esgotada. Onde ficaram os planos de verticalização do cemitério ? E a terceirização do mesmo teve ou não interessados ?

Também muito já se falou da construção de capelas no âmbito do próprio cemitério. Seriam evitados os cortejos que atrapalham o trânsito. Guardas municipais fariam a vigilância dos velórios e todos teriam absoluta segurança.


Na legislatura de 1988/91 chegou a ser discutido projeto na Câmara de Vereadores para concessão de licença de construção de um crematório no município de Santa Maria. Mas houve pressões, contestações de toda ordem, incompreensões e o projeto foi derrotado. Mas já se passaram quase 30 anos !!! O mundo evoluiu. Hoje, todo mês assistimos famílias de santa-marienses levarem os corpos de seus entes queridos para cremação em Santa Rosa, Canoas ou outras cidades.  Isso causa transtornos de toda ordem e ainda leva dinheiro de nossa cidade para outras comunidades. Não está na hora de repensar isso ?

CALÇADÃO AGONIZANTE ESPERA SOCORRO QUE NUNCA CHEGA - James Pizarro (Diário de Santa Maria, 23.05.2017)

Testemunhei toda a construção do primeiro  calçadão em cidades brasileiras.  No período 1970/72 residi em Curitiba, quando fiz meu curso de especialização em Ecologia na  Universidade Federal do Paraná, já como docente da UFSM e bolsista da CAPES. 
Acompanhei a titânica luta do então jovem prefeito Jaime Lerner que – contra forte oposição, sobretudo do comércio – no dia 20 de maio de 1972 transformou a rua XV de Novembro no mundialmente  famoso Calçadão de Curitiba ou “Rua das Flores”. Desde aquela época tornei-me adepto dos calçadões.

Lembro com satisfação da instalação do calçadão de Santa Maria, na outrora “Primeira Quadra” durante a gestão do prefeito Osvaldo Nascimento. Das luminárias redondas. Das árvores. Enfim, do projeto original todo.

Passaram-se os anos. Vieram as reformas ao projeto original do calçadão.  Consulto um trabalho intitulado “Equívocos no Planejamento Urbano de Santa Maria”, de autoria dos arquitetos Cássio Lorensini, Larissa Carvalho Trindade, Luiz Guilherme Aita Pippi e Marcos Cartana.  Com a palavra os arquitetos a respeito das reformas :

A reforma, propagandeada amplamente pela Prefeitura, mostrou-se inadequada desde sua inauguração: as poucas árvores ainda existentes foram removidas, causando um aspecto árido e desconfortável; os canteiros elevados foram desenhados com ângulos pontiagudos, dificultando a circulação de pedestres; os materiais empregados no revestimento de piso além de possuírem baixa estética paisagística são inadequados para o grande fluxo e o mobiliário urbano foi disposto de maneira aparentemente aleatória, prejudicando os espaços de convivência e a própria iluminação noturna.”

Aspectos técnicos a parte, como morador e frequentador diário do calçadão, conheço suas mazelas. Suas deficiências. O abandono a que foi relegado nos últimos anos. Converso com seus frequentadores. Os aposentados que fazem fila na lotérica. Os militares reformados. Os cantores de música pop, americana ou evangélica.

Os bancos não estão chumbados, isto é, parafusados ao chão. As pessoas trocam os bancos de lugar. Nos assentos e encostos dos bancos  faltam ripas ou estas estão quebradas. As floreiras são depósitos de milhares de “bitucas” de cigarros e latas de refrigerantes.

Lajotas quebradas não são repostas e, em seu lugar, é colocado cimento tornando o piso irregular. O que deveria ser um local de passeio é uma tortura para idosos que usam bengala, andador ou cadeirantes. O calçadão precisa de guardas permanentes e de um jardineiro fixo. Faltam lixeiras novas.


O calçadão deveria ser nosso cartão postal. Assim como está, é um borrão na paisagem !!!  

sábado, 20 de maio de 2017

COISAS DE SANTA MARIA - James Pizarro

Em 1983, a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA) era uma subsecretaria colocada dentro do Ministério do Interior, cujo ativo titular era o Dr. Paulo Nogueira Neto. Por determinação da SEMA, em maio de 1983 foi decretado que todas as prefeituras brasileiras deveriam comemorar, de 1 a 7 de junho, a "Semana Nacional do Meio Ambiente". Em Santa Maria, fui convidado pelo prefeito Dr. José Haydar Farret para coordenar, planejar e fazer realizar este evento. Resolvi aceitar o desafio uma vez que os ecologistas eram acusados de apenas criticar e jamais executar algo prático. Passei cerca de 20 dias arregimentando forças.

Meus alunos da disciplina de Ecologia dos cursos de Agronomia, Ciências Biológicas e Engenharia Florestal ministraram dezenas de palestras nas escolas municipais e, junto com os escoteiros da Tropa Henrique Dias, plantaram dezenas de mudas de árvores ao longo do Parque Itaimbé, muitas delas transformadas hoje (34 anos depois) em frondosas árvores.

Todas as palestras foram gravadas pela Rádio Universidade com a colaboração de  Roberto Montagner, então diretor da emissora da UFSM, também responsável pela sonorização do Centro de Atividades Múltiplas durante sete noites consecutivas. Também colaboraram : Pedro Freire Junior (Rádio Imembui), padre Potrilho e Hugo Fontana (Rádio Medianeira), José Luiz (Rádio Santa-mariense), Paulinho Ceccin (FM Cultura), Jorge André (FM Atlântida), Ademar Ribeiro, Carlos Eduardo Pavani, Verinha Pinheiro e Sérgio Assis Brasil (todos pela TV Imembuí), professoras Romy Scalcon e Ceura Fernandes (pela Delegacia de Educação) e as direções de todas as escolas da cidade. As palestras também receberam cobertura das sucursais dos jornais de Porto Alegre, pois a programação teve repercussão estadual.

Durante as sete noites de palestras, cerca de 1500 pessoas lotaram completamente as dependências do Centro de Atividades Múltiplas, o popular "Bom-Bril". Houve necessidade de que a Rádio Universidade instalasse caixas de som do lado externo do prédio para que cerca de 500 pessoas pudessem ouvir as palestrantes. O impressionante era o silêncio e a disciplina de todos. O programa contou com palestrantes : prof. James Pizarro, prof. José Salles Mariano da Rocha, prof. Gustavo Quesada, prof. Horst Oscar Lippold, prof. Arnaldo Walty, prof. Amaury Silva  e o encerramento foi uma mesa redonda com os professores João Radünz Neto, Brandão, Ilka Bossemeyer e Paulo Ary Moreira sobre Piscicultura.

As cerca de 2000 pessoas que assistiram as palestras ganharam certificado de participação fornecido pela direção do SENAC. Registre-se também que a entrada durante toda a semana foi inteiramente grátis. Registro para a memória da cidade esta iniciativa, de intensa repercussão cultural, técnica, científica e popular. Lamento que, passados 34 anos, a comemoração da "Semana Nacional do Meio Ambiente" ficou apenas na primeira edição.Por razões que desconheço a semana nunca mais se realizou.

Coisas de Santa Maria...


domingo, 14 de maio de 2017

DIA DAS MÃES SEM MÃE



Tenho 75 anos. Pensei que já tinha passado por tudo.
Mas me dou conta que minha mãe morreu há cinco meses.
E que este é meu primeiro "Dia das Mães Sem Mãe".
Por isso, lhes digo : aproveitem a sua.
Elas duram pouco.
Nenhum texto alternativo automático disponível.

domingo, 7 de maio de 2017

UMA HISTÓRIA DE AMOR

Um surdo e uma surda se casaram. Durante a primeira semana, eles descobriram que eram incapazes de se comunicar na cama quando a luz estivesse apagada, pois não podiam enxergar a linguagem dos sinais.
Depois de várias noites pensando em alguma solução, a esposa disse, gesticulando:
- Querido, por que não fazemos alguns sinais simples? Por exemplo, à noite, se você quiser fazer sexo comigo, pegue no meu seio esquerdo uma vez. Se não quiser fazer sexo, pegue no meu seio direito uma vez.
O marido acha uma grande idéia e gesticula de volta para a esposa:
- Ótima idéia! E se você quiser fazer sexo comigo, balance meu pinto uma vez. Se não quiser, balance meu pinto 250 vezes, BEM RÁPIDO !!!!

sexta-feira, 5 de maio de 2017

ZUMBIS PATOLÓGICOS - James PIZARRO.

Nos jogos de futebol que tenho visto pela televisão reparei num fenômeno que já havia notado em outros ambientes (bares, restaurantes, cafeterias, rua, bancos, etc...). Quando a câmera da TV foca a torcida noto dezenas de torcedores, absortos, clicando seus celulares e "bolinando" seus tablets, sem ao menos levantar a cabeça para ver o que se passa no campo. Pode haver algo mais patológico do que isso ? Do jeito que a coisa vai vamos chegar à mudez total, amizades vão ficar estremecidas, estabelecimentos comerciais vão perdes clientes, namoros e casamentos vão entrar pelo cano. Sem falar nas pessoas que tropeçam em mim no calçadão e na Feira do Livro com os olhos mergulhados no celular. É uma geração de abobados eletrônicos. Verdadeiros zumbis. Eu acho que futuramente, por desuso da língua, ficarão mudos...

segunda-feira, 27 de março de 2017

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A PRIMEIRA AULA - James Pizarro ( Jornal A RAZÃO,edição de 23.02.2017)


Sou do tempo em que o então chamado Grupo Escolar João Belém funcionava no prédio onde hoje está o MANECO, em Santa Maria, RS. E ali fui matriculado -com 6 anos de idade - no Jardim da Infância (pois não se cogitava falar em maternal, pré-maternal, etc...). 
Assim é que, nos primeiros dias do mês de março de 1948, comecei a estudar. Agarrado à mão de minha mãe, fui levado e entregue na penúltima porta do corredor do primeiro andar à mestra Luiza Leitão, uma professora negra, de cabelos brancos, que foi minha primeira professora e da qual guardo enternecedora lembrança. Ela me recebeu carinhosamente. O que fez dissipar-se do meu assustado espírito qualquer resquício de medo. Muito embora eu tenha sentido um inesquecível aperto no peito quando vi minha mãe me abanar e desaparecer pelo corredor.
É incrível, mas lembro detalhadamente desse primeiro dia de aula ! Sentei-me numa mesinha, junto com duas meninas e um menino, de nome Cleómenes, que estava de gravata e usava óculos. Inexplicavelmente, não guardei o nome das duas meninas, que eram simpáticas e puxavam conversa. A professora Luiza Leitão bateu palmas, pediu silêncio. E colocou no aparelho de som (que era chamado de "vitrola") um enorme disco de vinil. Daquele disco, como num passe de mágica, brotou a emocionante novela intitulada "As Aventuras do Coelhinho Joca", a primeira história infantil gravada que ouvi em minha vida. Eu gostei tanto que, meses depois, quando ganhei meu primeiro cachorro de presente, um fox preto e branco, tratei de batisá-lo de "Joca"...
Corria o ano de 1948, ano em que o Botafogo foi campeão carioca. O time alvinegro entrava em campo com sua mascote "Biriba", uma cadela também fox preta e branca...
A diretora do Grupo Escolar João Belém se chamava Edy Maia Bertóia, casada com um senhor careca, funcionário da Cooperativa dos Ferroviários. Moravam à rua Silva Jardim, quase na esquina com a Comissário Justo. A Dona Edy era mãe do Dr. Ararê Bertóia, médico em Santa Maria e de Soila Bertóia, residente em São Paulo. Parece mentira...a Dona Edy ficou minha grande amiga por mais de 45 anos ! E hoje, falecida, virou nome de escola municipal, numa justa homenagem.
Num relance, passaram-se 66 anos desde a minha primeira aula, pois estou hoje com 72 anos. Lembro detalhadamente de tudo. Desde a disposição dos móveis na sala. Dos quadros. Dos rostos. Dos sons. Do sino batendo para o meu primeiro recreio. Da primeira merenda. À noite, custei muito a dormir. Pois recapitulava mentalmente tudo o que me havia acontecido naquele dia memorável.
A professora Luiza Leitão, e depois a professora Léa Balthar, foram as duas responsáveis pela minha alfabetização.
A outra diretora do João Belém, que substituiu a professora Edy Maia Bertóia, foi a Professora Heleda Diquel Siqueira. Que também foi minha professora de Trabalhos Manuais. Dona Heleda era exímia jogadora de bolão. Viajava muito pelo RS disputando campeonatos femininos de bolão. Faleceu recentemente.
Nas datas importantes - principalmente nas datas cívicas - aconteciam no João Belém as chamadas "audições". O que era isso ? Todo o corpo docente e discente era reunido no salão de festas da escola. E havia apresentação de números artísticos : danças, corais, declamação de poesias, números musicais, mágicas, bandas, etc... Tudo isso era precedido pela fala do locutor. Que lia uma sinopse do número que ía ser apresentado.
Devido ao desembaraço, desenvoltura ou "cara-de-pau" - seja lá que nome tenha isso - sempre fui escolhido para ser o locutor das "audições". O que me conferia um certo "status" com os professores. Simpatia com as meninas. E ciume dos colegas.
Dou-me conta, agora, do óbvio...a influência que tais experiências da meninice podem ter na formação da nossa personalidade. E até nas nossas escolhas profissionais de adulto. 
Por isso, serei eternamente grato às minhas professoras e ao meu colégio.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

HISTÓRIAS DO CALÇADÃO - James Pizarro (Jornal A RAZÃO - edição de 16/02/2017)

HISTÓRIAS DO CALÇADÃO

James Pizarro  -  professor

HISTÓRIA UM - Dia desses estava eu na cafeteria lendo um jornal. E sem querer ouvi parte da conversa de um cidadão. Ele estava se queixando da vida:

"- Tou velho, não tenho mulher nem filhos...a solidão é fogo ! "

Mas antes de dizer isso eu ouvi ele falar, em tom de orgulho,que tinha namorado dezenas de mulheres...tinha ficado noivo não sei quantas vezes...se juntado com não sei quantas. Estava visivelmente deprimido. Ele contava ao amigo que - pela primeira vez - ao tentar se aproximar duma jovem de 20 anos, a guria lascou na cara dele :

"- Ah, tio...vai procurar a tua turma...quem gosta de velho é reumatismo."

O amigo, num rasgo de sabedoria popular disse a ele :

"- Estás colhendo o que semeaste...pedra que muito rola não cria limo..."

Paguei meu cafezinho. E sai da cafeteria calmamente. Feliz por ter endereço para voltar. E por ter a companhia de uma grande mulher.

HISTÓRIA DOIS - Funcionária exemplar. Dedicada à velha mãe. Adepta do Apostolado da Oração. Vivia para o trabalho. A igreja. E para cuidar da mãe idosa e doente. De repente, a vida iluminou-se. Encontrou um namorado. Sério. Educado. Gentil. Homem que revolucionou sua vida. Que a fez mudar de estilo de roupas. Visão de mundo. Prazer em viver. Belo dia, instalou-se nela a depressão. Melancolia extrema. Silêncio. A colega mais curiosa perguntou-lhe se o namorado tinha falado em casamento. Ela respondeu :

- Sim.

E completou :

- Falou que era ...casado !!!

HISTÓRIA TRÊS - Semana passada assinei um documento no cartório. A moça, desconfiada,  me fez assinar de novo porque disse que minha assinatura  está mudando, está diferente. Durante quase meio século usei apenas giz no quadro, máquina de escrever e computador. Eu me dei conta que não uso mais a caligrafia, a letra cursiva, as provas em papel almaço ou papel ofício, os bilhetes de amor. Tudo ficou automatizado.

Como serão as bibliotecas do futuro ? E se um dia todos os computadores do mundo forem atacados por um vírus xiita e apagar rigorosamente TUDO que está arquivado.  Como meus bisnetos aprenderão a escrever ?

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

A MULHER NUA - James PIZARRO (A RAZÃO, edição de 9/2/2017)

A MULHER NUA

James Pizarro – professor

A semana oferece uma infinidade de assuntos ao cronista distraído. Que poderia escrever sobre o ódio político destilado nas redes  sociais nos últimos dias. Ou sobre o clima de desobediência civil no estado do Espírito Santo que corre o risco de se alastrar pelo país. Ou sobre a irresponsabilidade dos políticos do Executivo que – alheios à anarquia geral – discutem ocupação de cargos em Brasília.

Mas vou tocar num assunto local. Num fenômeno que está ocorrendo à luz do dia. Em pleno centro da cidade. No centro nevrálgico de Santa Maria. Tracem uma linha imaginária reunindo o prédio da Câmara de Vereadores, Catedral Arquidiocesana, praça Saldanha Marinho,  o prédio da SUCEVÊ (onde funcionou até poucos dias o gabinete do prefeito)e o prédio do Banco do Brasil. Teremos ai  aproximadamente um quadrilátero na zona central da cidade.

Pois exatamente no centro deste quadrilátero, em frente à Catedral  Arquidiocesana, no “boulevard” central da avenida rio Branco há uma torneira. E ali, todas as manhãs, uma mulher – aparentando uns 30 ou 35 anos – faz sua higiene íntima. Alheia aos transeuntes, às vezes tira a blusa e fica com os seios a mostra. Mas rigorosamente baixa as calças compridas, tira as calcinhas e demoradamente  - munida de panos  e sabonete – lava a genitália, ventre e coxas por cerca de quinze minutos. A cena, que se repete diariamente, já foi filmada e o vídeo roda pela internet e redes sociais.

O leitor mais apressado não me julgue . E nem de longe pense que estou a escrever  munido de moralismo de cueca por causa da nudez da moça. Que aparenta ter problemas mentais, inclusive. Não faz e nunca fez meu gênero bancar o moralista. O que me preocupa é a integridade física da moça. A saúde dela.  Fatalmente – deixada assim abandonada pelas ruas – acabará sendo currada, estuprada. Acabará grávida. Doente. Se amanhã ou depois não aparecer morta.

Eu vi as centenas de pessoas que por ali passavam. Cumprindo seu destino de passar. Maioria fazendo de conta que não viam aquela moça nua.  Senhoras “piedosas” que saiam da igreja balançando a cabeça em sinal de reprovação.  Alguns guris fazendo piadas. Outros adultos com olhares disfarçados mal reprimindo sua libido.

Lembrei de minhas alunas, minhas filhas e netas. Dei alguns telefonemas quando cheguei em casa para ver em que podia ajudar. Lamentavelmente fui  informado pelos órgãos competentes que a pessoa só pode ser removida da rua se ela permitir, isto é, não pode ser retirada à força e internada se não quiser. Então, numa última tentativa, escrevo esta crônica.

O motorista de taxi me disse que qualquer dia a moça entrará nua na catedral para assistir uma missa.  Já que os homens não encontram solução para esta pobre irmã nossa, quem sabe Jesus Cristo, na sua infinita misericórdia, não dá um jeito ?

Seria um espetáculo a bofetada na hipocrisia da cidade !!!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

GOSTOU DAS MINHAS COXAS, SENHORITA ? - James Pizarro

Quem me conhece sabe que ando sempre de bermuda, tênis e meias Kendall de alta compressão para facilitar o retorno venoso e evitar varizes porque sou obeso. E as pessoas (nem todas), sem a menor discrição, te olham de alto a baixo como se tu fosse um leproso ou um borrão na paisagem. Se eu fosse um velho tímido ou sem personalidade nem sairia mais à rua, mas me divirto com a cara desses bostas.

Na semana passada, um engraçadinho (na fila da lotérica) disse ao outro em voz alta para que eu ouvisse : "Tem gente que sente frio nas pernas, mesmo no verão". Em menos de dez segundos ouviu a resposta, também em voz alta : "É que a tua mãe me deixa com as coxas geladas". Foi aquele silêncio sepulcral.

Hoje, depois de voltar da sessão de fisioterapia, me dei conta que havia esquecido dos óculos lá, o que me deixou já de mau humor. Julia, a minha querida e educada fisioterapeuta, telefonou avisando que estava mandando os óculos por uma telemoto. Quando esperava o motoboy chegar na rua Venâncio Aires, na portaria da Galeria onde moro, uma mulher comentou com a outra : "Olha esse velho lançando moda". Repliquei : "Gostou das minhas coxas, senhorita ?"

Aos 75 anos sigo quebrando modelos medíocres...me recuso a fazer coisas - como ficar calado - apenas para bancar o comportadinho, o politicamente correto, o "civilizado"...emito minhas opiniões e para quem não gostou eu ligo o meu "FODA-SE COM SIRENE" !!!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

OPERAÇÃO LAVA ALMA - James Pizarro (jornal A RAZÃO, edição de 2/2/2017)

JORNAL "A RAZÂO" - edição de 2/2/2017 - página 4
(OBS.- Minha crônica intitulada originalmente "Eike Batista", por equívoco de diagramação, saiu com o título de "Operação Lava Alma")
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EIKE BATISTA
James Pizarro - professor
Não sei hoje, mas nas primeiras aulas de Biologia de antigamente, além de se ensinar as diferenças entre seres vivos e seres brutos, também eram ensinadas as características dos seres vivos.
Desde criança a gente aprendia que cada ser vivo, animal ou planta, tinha um “ciclo vital”. Isto é, o ser vivo nascia, crescia, atingia a maturidade, se reproduzia, envelhecia e morria. Pomposamente, alguns chamavam isso de “ciclo ontogênico”. Em linguajar tupiniquim : não fica ninguém para semente.
Repare o leitor que isso ocorre com tudo : instituições, beleza, prédios, fábricas, fortunas, prestígio, saúde, partidos políticos, ocupantes de cargos, etc...
Basta puxar pela memória e lembrar das dezenas de casas comerciais que fecharam suas portas. Clubes famosos onde só entravam as famílias pretensamente mais poderosas da cidade e que hoje são freqüentados por quem paga entrada popular. Palacetes e casas de dezenas de aposentos que hoje viraram tapera. Hotéis e pensões outrora famosos que são hoje residência de morcegos, pombas e mosquitos. São dezenas de exemplos.
Dia desses, sentado no calçadão, tomei um susto ao passar por mim uma das mais belas e cortejadas moças da década de 60 na sociedade santa-mariense. Costumava dar “carão”, recusava convites quando os rapazes iam lhe tirar para dançar, onipotente no alto da sua beleza juvenil que certamente supunha eterna. Alquebrada, olhar triste, de bengala, solteira (conforme me informou o aposentado que estava sentado comigo). Fiquei a cogitar sobre as surpresas da vida para essas almas desavisadas e que se afirmam em cima do seu fenótipo. Por isso, sempre me olho no espelho e me convenço da minha feiura e obesidade, para que jamais seja acometido de qualquer ataque de soberba.
Tive um grande amigo, colega da UFSM, que ao ser convidado para trabalhar junto ao gabinete da reitoria, mudou completamente de comportamento comigo. Jamais me procurou, nunca mais respondeu meus e-mails ou minhas mensagens IN-OFF ou nossos costumeiros (até então) bate-papos no facebook. Ele é uma alma distraída que esquece que o reitor é “magnífico” apenas por quatro anos. Depois, ele deixa de ser “magnífico”. Eu apenas contabilizo na conta dos deletáveis. A gente vai ficando velho e vai depurando os contatos. Nada é para sempre.
Vejam o caso do Eike Batista agora, que ocupa todas as manchetes. É a bola da vez.
De oitavo homem mais rico do mundo a presidiário. Ladrão. Cela comum porque não tem curso superior. Cabelo raspado. Chinelinho de dedo. Buraco no chão para evacuar de cócoras na frente dos outros. Jato de água fria saindo de um cano. Comidinha de marmita. A Luma de Oliveira e as outras monumentais mulheres que teve irão lhe visitar ?
Cuidado, pois, ao chamar alguém de “amigo” !!!