sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

MÉDICO DESCOBRIU UM REMÉDIO PARA O ALCOOLISMO

Chega às livrarias brasileiras neste mês de janeiro de 2010 o livro "O Fim do Meu Vício", pela editora Objetiva. A obra é uma autobiografia do cardiologista francês Olivier Ameisen, que conta sobre suas angústias com relação ao álcool e sobre como descobriu que o baclofeno, uma droga de patente livre e já largamente utilizada contra espasmos musculares, inibia com eficiência o desejo de beber se usada em doses determinadas.

A história do médico que descobriu a cura para o alcoolismo
A história do médico que descobriu a cura para o alcoolismo
A história de Ameisen é bastante peculiar. Ele era um médico com um carreira sólida e de sucesso. Mas aos poucos, a bebida começou a tomar conta da sua vida. Quando se deu conta, não conseguia mais ficar sem beber. O autor, então, passou por várias internações, reuniões nos Alcoólicos Anônimos e várias recaídas. Sua maior esperança era que encontrassem a cura para o alcoolismo. Foi aí que ele descobriu o baclofeno e começou a tomar doses diárias do remédio - servindo como cobaia para seus próprios experimentos. E há cinco anos está completamente indiferente ao álcool.
A obra foi considerada pela ABC News como uma grande descoberta e o autor do livro "Anticâncer" a elogiou, dizendo: "Se você ou alguém próximo de você sofre de alcoolismo ou dependência química, está na hora de ler este livro".


Leia abaixo trecho do livro :


A hora da verdade
Recobrei os sentidos e avaliei onde eu estava - dentro de um táxi, com sangue descendo pelo rosto e respingando na minha capa de chuva. Dei uma olhada pela janela e, em meio ao brilho das luzes da rua, percebi que o carro estava na Lexington Avenue, em Manhattan. Esperava o sinal do cruzamento com a 76th Street abrir. A igreja da esquina me fez lembrar que era domingo, e olhei meu relógio. Quase meia-noite. As poucas pessoas do lado de fora estavam cobertas até o último fio de cabelo contra o frio gélido do alto inverno, mas a temperatura dentro do táxi era agradável.
Meu apartamento não ficava muito longe; eu morava na East 63rd Street, entre a York e a First Avenue. Mas eu precisava de cuidados médicos. Pedi ao motorista para me levar à emergência do Hospital de Nova York, na 68th Street com a York Avenue. Ele parecia ignorar meu estado, e me perguntei o que teria acontecido. Será que o carro tinha freado de repente e eu acabei batendo com a cabeça, ou será que tinha me machucado antes de chamar o táxi? Eu sabia que tinha bebido, mas não lembrava onde nem quanto.
Assim que paramos na frente da entrada do pronto-socorro, as lembranças da noite começaram a se consolidar. Por volta das oito e meia da noite, fui visitar meu amigo Jeff Steiner, diretor-executivo da Fairchild Corporation, para pedir sua opinião sobre como administrar minha carreira de cardiologista, que começara dois anos e meio antes. Tinha sido apresentado a ele no fim dos anos 1980, por um amigo em comum, outro médico.
Apesar de beber não estar nos meus planos daquela noite, eu me senti insultado quando o mordomo de Jeff me ofereceu alguns tipos de chá. "Por que, a essa hora, não me ofereceu também alguma bebida alcoólica?", pensei. "Será que ele está me mandando um recadinho de repreensão?"
Pedi e bebi um copo de uísque; depois fiz da minha recusa à segunda dose um verdadeiro acontecimento. Tempos mais tarde descobri que Jeff nem sabia que eu andava bebendo um bocado. Ele me conhecia apenas de alguns drinques em festas grandes, aqui e ali, ao longo dos anos. Mas eu estava cada vez mais preocupado com relação às finanças e isso fez com que ficássemos mais próximos.
Em geral, o que se espera no início da carreira é recuperar os investimentos em dois anos do exercício da medicina. Nos primeiros quatro meses, eu já havia empatado os gastos. E quase três anos depois, em março de 1997, ainda estava naquele ponto: pairando um pouco além do zero a zero.
Cambaleante na sala da emergência, pensei: "Vão ver que estou bêbado. Isso não é muito bom. Mas pelo menos sei da qualidade desse hospital, aqui vão cuidar direitinho de mim." Eu tinha trabalhado no Hospital de Nova York e sua instituição parceira, a faculdade de medicina da Universidade Cornell,* desde que cheguei da França no outono de 1983, com uma bolsa para pesquisa e prática de cardiologia. Treze anos depois, eu era professor adjunto de clínica médica na Cornell e médico associado do Hospital de Nova York, além de ter um consultório particular.
Na sala da emergência, apaguei de novo. Quando voltei a mim, um dos meus ex-alunos, Matt, então residente no hospital, estava à minha frente preparando-se para dar um ponto na ferida que abri na testa. Para não ficar com uma cicatriz, pedi a ele que, em vez de costurar, fizesse um curativo com tiras finas de esparadrapo. Ele fez o curativo e depois me deixou deitado e quieto por algumas horas até que eu estivesse sóbrio o suficiente para voltar para casa em segurança. Claramente ele estava mais sem graça de ter de me tratar em meu estado alcoólico do que eu em precisar do tratamento. Eu chegava a me encolher de vergonha só de pensar no que se falaria no hospital sobre minha aparição no pronto-socorro, então afastei essa ideia dos meus pensamentos. Matt não era o tipo de pessoa que falaria sobre isso, o que já era um conforto.
Deitado lá, passei o filminho da noite em minha cabeça. "Passe o filme sobre o que acontece quando você bebe", diziam nos Alcoólicos Anônimos, onde eu ainda era basicamente um novato.
Minha conversa com Jeff Steiner foi frustrante para nós dois. Embora ele estivesse superdisposto a ajudar, havia uma disparidade entre sua experiência e meus problemas. Eu precisava mesmo era de um conselheiro para pequenos negócios, não de um grande negociador. E, ao sair da sua casa, minha cabeça dava voltas com pensamentos conflitantes. Meu estilo cego aos custos funcionava melhor no sistema francês, de saúde para todos, do que nos Estados Unidos, pensei; e me questionei se não deveria voltar a Paris, de onde eu vim. Mas eu amava minha vida em Nova York. Em 1991, consegui a cidadania americana, e eu gostava de ser cidadão de uma nação que partilhava tantos ideais com meu país de origem. Se não era lucrativa, pelo menos minha atividade era intensa e o trabalho imensamente recompensador. Minha lista de pacientes incluía gente abastada e celebridades, ao mesmo tempo que compreendia senhoras das igrejas do Harlem com planos de saúde populares e gente extremamente pobre - e eu adorava essa mistura. Sem dizer que minha vida social era maravilhosamente estimulante -mais do que eu poderia imaginar em qualquer outro lugar. Definitivamente, eu não tinha a menor vontade de sair de Nova York.
Mas minhas atividades não poderiam continuar naquele passo, sem uma definição, e a ansiedade constante gerada pelas preocupações financeiras cresciam e se transformavam numa fonte de pânico intenso. Eu lutava contra um profundo senso de fracasso e vivia com medo de que o mundo pudesse perceber que minhas conquistas eram uma fraude e nada mais, um castelo de cartas que podia desmoronar a qualquer momento.
Este não era um sentimento novo para mim. Por toda a vida, uma sensação angustiada de inadequação me persegue, como se eu fosse um impostor prestes a ser desmascarado. Fiz terapia por muito tempo antes de começar a beber, mas, para ser sincero, os terapeutas nunca me ajudaram muito na minha ansiedade. Tampouco o Xanax [alprazolan] que me prescreveram.

DADOS TÉCNICOS OSBIRE O LIVRO  "O Fim do Meu Vício"
Autor: Olivier Ameisen
Editora: Fontanar
Páginas: 240
Quanto: R$ 36,90
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou na Livraria da Folha
*****************************************
FONTE : FOLHA ON-LINE, edição de 11/01/2010. 

9 comentários:

aminhapele disse...

Conto-te um episódio real,que se passou ontem.
Eu tentava pôr juízo na cabeça de uma pessoa que estava a caminho de emborcar o 2º litro de vinho tinto.
Resposta dele:
"Mais vale ser bêbedo do que alcoólico anónimo!".
Um abraço.

Elton Gomes disse...

Olha, fiquei com uma dúvida, a pessoa ficaria dependente do medicamento pro resto da vida ou é durante um tempo de tratamento?
Toda ajuda é bem vinda quando se trata em parar de beber... se por ventura a pessoa pensar da maneira errada, ou seja, paro de beber agora e volto a beber socialmente daqui um tempo... Isso pra mim não serve não serve pois se a pessoa voltar a beber, ela voltaria pior que antes voltando a ter um total descontrole e isso se tornaria frustrante p/ o alcólatra, podendo até levar o suicídio como em alguns casos.
Elton Gomes - Sem usar nenhuma substância que autera meu comportamento à 7 anos. Graças a Deus!

Ricardo disse...

Olá. Meu nome é Ricardo, tenho 22 anos e sou alcoólico. Minha rotina se resume em trabalhar e estudar de segunda a sexta e no final de semana sair e encher a cara e não lembrar quase nada do que aconteceu e ficar na angústia e depressão durante 48 horas após a bebedeira. Faço isso desde meus 15 anos. Portanto, irei fazer o tratamento com o BACLOFENO à partir do dia 19/01/2010 e retorno um comentário nesse blog daqui três meses exatos. Obrigado.

Manuela disse...

BA...grande descoberta...em meio a tanta desgraça... pelo menos uma noticia boa... :/

Ana Porto B disse...

Gostaria de saber se o seu tratamento deu certo e como você conseguiu um médico para acompanhar o tratamento. Você precisou parar o trabalho durante o tratamento?Como fica a questão da sonolência?
Tenho um irmão dependente químico e estamos interessados neste tratamento com o baclofeno.
Aguardo retorno,que pode ser enviado por e-mail no endereço:
anaportob@uol.com.br
Desde já, obrigada.

Ana Paula

JAMES PIZARRO disse...

Nada posso informar à prezada amiga pois jamais tomei o bacofleno.
Como sou obeso, faço academia e reeducação alimentar, razão pela qual faz 8 anos que não boto nenhuma gota de álcool na boca (diminuição da ingesta de calorias).
Mas como trabalho como voluntário na PACTO-Pastoral de Auxílio ao Toxicômano, da Igreja Católica, fiz esta postagem para leitura e consulta das centenas de amigos e ex-alunos adictos que possuo.
Como podes conferir, registrei teu comentário.
Agradeço pela leitura.
Abraço fraterno

James Pizarro
Praia de Canasvieiras
Florianópolis, SC

Anônimo disse...

Bem meu marido toma o bacoflem e se sente muito bem, o vicio vai alem dos remedios tem que querer para fazer efeito, alem disso ele faz parte do a.a onde coloca para fora seus medos e receios que nem sempre fala para mim. mas indico o remedio ele diz que nao tem vontade quando toma pois tira a ansiedade e a vontade.

Cristian disse...

Verdadeiramente, a cura pode ser a cura completamente psicológico, obviamente, é difícil, mas eu acho que é possível. É como curar todos precisamos de muita força de vontade, mas possível. propatilnitrato muito está sendo fornecido para esse tipo de coisa para ver se há algum efeito.

nailza disse...

Onde posso encontrar esse remédio?