quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

PIONEIRISMO ECOLÓGICO - James Pizarro (jornal A RAZÃO, edição de 26/1/2017)



COLUNISTAS

Pioneirismo ecológico


James Pizarro

por James Pizarro em 26/01/2017
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Nos dias 8 e 9 de maio de 1984, realizou-se em Santa Maria, o pioneiro “EEEE”, isto é, o primeiro “Encontro Estadual de Entidades Ecologistas”, numa promoção conjunta da Associação Ecológica “Irmão Sol, Irmã Lua” (de Santa Maria) e AGAPAN - Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (de Porto Alegre).
A entidade santa-mariense era presidida por mim e a entidade porto-alegrense era presidida pelo professor Flávio Lewgoy, geneticista da UFRGS, de saudosa memória.
O Dr. Armando Vallandro e o Dr. Walter Bianchini, que ocupavam altos cargos na UFSM em 1984, foram de vital importância para o encontro, pois cederam vales para refeições no Restaurante Universitário, apartamentos no campus para dezenas de ecologistas e também um ônibus da UFSM ficou à disposição de todos.
O deputado estadual Carlos Renan Kurtz, na época presidente da Assembléia Legislativa do RS, colaborou com um mil cruzeiros novos (moeda da época), verba alentada diante das precárias condições financeiras das entidades. Muitos políticos prestigiaram o pioneiro EEEE.
Lembro de todos: Dep. Estadual Renan Kurtz, Dep. Federal João Gilberto Lucas Coelho (PMDB), Dep. Estadual Vercidino Albarello (Presidente da Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Assembléia Legislativa), vereador porto-alegrense Caio José Lustosa (PMDB) e vereadora porto-alegrense Jussara Cony (PMDB).
Consultando a lista de assinaturas e as atas do primeiro EEEE, todas em meu poder e guardadas nos meus arquivos, computei 110 ecologistas.
Estiveram presentes representantes das seguintes entidades : Agapan (Porto Alegre), “Irmão Sol, Irmã Lua” (Santa Maria), Apan (Santa Rosa), Appan (Pelotas), APNVG (Gravataí), ADFG (Porto Alegre), Quero-Quero (Canoas), NEE (Rio Grande), Deite na Grama (Porto Alegre), Em Nome do Amor à Natureza (Porto Alegre), Seriema (Alegrete) , Aspe (Santa Maria), Ascapan (Canoas) e os núcleos da Agapan das cidades de Lajeado, Três de Maio e Cruz Alta.
Nos intervalos das discussões e apresentação/votação de moções, o duo musical “Quintal de Clorofila”, brindava a assistência com a execução de músicas com temas ecológicos. O duo era constituído por dois exímios artistas irmãos, Nejandre Arbo e Dimitri Arbo. Cerca de 30 moções foram discutidas e aprovadas no pioneiro EEEE.
O encontro recebeu ampla cobertura da mídia jornalística local e estadual durante sua realização. Na semana posterior ao encontro, o jornal A Razão publicou diariamente matérias de página inteira detalhando todas as discussões, conclusões e moções do encontro.
Em nossa cidade, pois, nasceu a ideia pioneira da necessidade dos ecologistas, militantes e voluntários da causa se reunirem e discutirem pautas e estratégias do movimento. De lá para cá já se realizaram mais de 35 encontros.
Santa Maria já foi, no passado, um grande centro ecopolítico, criador e irradiador de boas iniciativas na área do ambientalismo. Os de boa memória sabem disso.

VINGANÇA CONTRA TELEMARKETING - James Pizarro

Nenhum texto alternativo automático disponível.
Eu criei dois métodos : "SURDEZ SELETIVA" (só ouço o que me interessa) associado ao método "CATARSE PIZARRÔNICA" que consiste em levantar o fone e, ao constatar que é telemarkenting, mandar imediatamente à merda e desligar. Se ligarem a segunda vez, passar para o VTNC ! Nunca mais ligam.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A SATÂNICA BOATE KISS - James Pizarro

Nunca mais a catedral de Santa Maria baterá duas horas da madrugada
sem que a cidade,
Na hora do espanto,
Rememore tudo para a eternidade.
Nunca mais a cidade terá a mesma alegria
Porque a ganância de uns
E a irresponsabilidade de outros
Prepararam ardilosamente,
Sob a desgraçada signa do cifrão,
O porão negro da morte.
Uma câmara escura de gás letal
Que faria inveja a Hitler
Levou para sempre
Futuros médicos, advogados, agrônomos, zootecnistas,
Além de socorristas voluntários e soldados.
Mais de 242 corpos achados.
Dois namorados abraçados, entre eles.
Com os corpos colados,
Carnes soldadas para sempre pela combustão
Como num pacto de amor eterno
O derradeiro carinho do amor que nunca acontecerá.
Naquela esquina maldita,
Em tempos idos, dois incêndios já produziram horror.
Escola Hugo Taylor e Escola Riachuelo já tinham ardido,
Mas os prejuízos foram apenas materiais.
Mas desta vez foi carne humana,
Sangue, esperança e juventude.
Este punhal ficará cravado em nossas almas para sempre.
Ódio à insensatez dos homens.
Misericórdia aos pais e avós
Que nunca mais ouvirão a voz e a alegria de seus filhos e netos.
Esquina da rua dos Andradas com Avenida Rio Branco.
Queima, desgraça dos homens!
Arde, tristeza das mães!
Fede, algoz de pais e avós!
Mas jamais – esquina do Diabo –
Me peças que eu te ame.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O CARNAVAL - James Pizarro (Jornal A RAZÃO, dia 19/1/2017)



COLUNISTAS

O Carnaval


James Pizarro

por James Pizarro em 18/01/2017
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Nascido e criado nos barrancos da Silva Jardim, a poucos metros do arroio Cadena, hoje escondido embaixo do Parque Itaimbé, convivi desde criança com os festejos carnavalescos. Na Rua Dutra Villa, na década de 50, morava meu querido amigo Marino Xavier, o popular “Tomate” , funcionário da Panificadora da Subsistência Militar e árbitro de futebol.
No pátio de sua casa eram realizados os ensaios do célebre bloco de carnaval “Bota que eu bebo”, do qual muito bem lembro o Catixa, massagista do Internacional de Santa Maria, empunhando o estandarte de lantejoulas pretas e brancas.
Este bloco seria o embrião do que viria a ser, décadas depois, a Escola de Samba Unidos do Itaimbé. Eu assisti todos os ensaios deste bloco desde que me conheço por gente. Os vizinhos colaboravam com frios e cada um levava sua própria bebida.
Já mais adiante comecei a frequentar as reuniões dançantes carnavalescas dos clubes Santa-mariense e Caixeiral, que começavam às 15h e terminavam às 19h. Guardo com carinho as fotos desta época, com carapuça na cabeça, inocentes rolos de serpentina e sacos de confete nas mãos. Tudo comprado com dinheiro suado economizado das mesadas.
Já adulto, casado, muito participei com meus pais e amigos das iniciativas e promoções da Escola de Samba “Unidos do Itaimbé”, pois meu pai foi da diretoria por anos a fio. Lembro dos churrascos, risotos, mocotós, rifas, desfiles, festas, bailes, livros de ouro, mensalidades de associados, doações pedidas na iniciativa privada e demais iniciativas promovidas pelos membros da escola para arrecadar fundos para os desfiles.
Lembro de muitos deles : Luizinho e ZaIra de Grandi, Alfeu e Iria Pizarro, Luiz Carlos e Iara Druzian, Paivinha, etc...
Dezenas de artigos escrevi sobre temas carnavalescos para A Razão nos últimos 50 anos. Por dois anos fui jurado do quesito “Samba-enredo” dos desfiles de Carnaval de Santa Maria. Portanto, ninguém pode duvidar que eu não goste das folias de Momo.
Nos 10 anos em que morei em Florianópolis não deixei de acompanhar nunca os desfiles na passarela “Negu Kiridu”, assim como acompanho todo santo ano os desfiles do RJ pela TV, pois acho o mais belo espetáculo artístico-musical do Planeta.
Nos lugares que frequento diariamente (barbearia, cafeteria,calçadão, troca de figurinhas de futebol, portaria do condomínio, “Boca Maldita”) um dos temas dominantes nas conversas é este: “Deve a Prefeitura, num momento de crise como o atual usar dinheiro dos impostos para auxiliar as escolas de samba?”
Democraticamente, sem fazer qualquer juízo de valor, opinar ou influenciar e apenas colocando a pergunta tal qual está posta, fiz uma enquete no meu facebook durante 48 horas.
Resultado: 141 pessoas responderam (devidamente identificadas). Duas pessoas ficaram indecisas, duas responderam SIM (que a prefeitura deveria auxiliar) e 137 responderam NÃO (que no momento atual este tipo de auxílio não era prioritário).
Não opinei na pesquisa. Não opino agora também. O leitor tire suas conclusões.

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

O MARTÍRIO DE UM CÃO - James Pizarro (jornal A RAZÃO, 12/1/2017)



COLUNISTAS

O martírio de um cão



James Pizarro

por James Pizarro em 12/01/2017
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Santa Maria – mais uma vez – ganha manchetes no país através do fogo. Desta vez, pela insanidade precoce da mente – certamente perturbada - de três adolescentes da periferia da nossa cidade. Deliberadamente, amarraram um pobre cão sobre esponjas e atearam fogo no mesmo. O pobre animal foi socorrido e levado - em lamentável estado – até a clínica da médica veterinária Marlene, conhecida protetora dos animais em nossa cidade.
Apesar de todos os cuidados recebidos, o pobre animal não resistiu ao martírio imposto e morreu. Vomitando sangue. Olhos queimados. Boca queimada. Corpo em carne viva. Detidos os adolescentes, a seção policial do jornal informa que os pais dos mesmos foram chamados. E assinaram um “termo circunstanciado e foram liberados”.
O leitor já sofreu uma singela queimadura no fogão ao preparar um alimento. Ou um respingo de água quente inadvertidamente ao servir-se de um chimarrão. E sabe muito bem como doeu.
Imagine agora um cão, animal com o corpo totalmente coberto de pelos, amarrado em cima de esponjas (material inflamável), superfície corporal totalmente em chamas...imagine as dores lancinantes que este pobre coitado deve ter sofrido!
E não venham dizer que são inocentes “crianças”, que “não sabiam o que faziam”, que “não sabem diferençar o bem do mal” e outras cantilenas do tipo. Planejaram o crime. Tramaram. Com requintes de crueldade. Basta assinar um “termo circunstanciado” e fica tudo “resolvido”?
Sou um leigo em leis, mas a Polícia, o Conselho Tutelar, as autoridades vão propiciar acompanhamento e tratamento psicológicos a esses adolescentes? Vão fiscalizar a frequência a este tratamento?
Ou simplesmente a família se comprometeu “de agora em diante” a fiscalizar melhor o comportamento dos filhos? Foram as perguntas que me fizeram na barbearia, no calçadão, na cafeteria, por emails quando leitores me sugeriram abordar este tema. As pessoas da comunidade ficam apreensivas com o que enxergam e ouvem na TV.
Todo santo dia é noticiada agressão a moradores de rua. Dezenas e dezenas de mendigos morrem em chamas nas ruas do Brasil porque adolescentes colocam fogo em suas vestes. A coisa menos valorizada que se tem no país é a vida humana.
E o mais incrível é que essas agressões, cada vez mais violentas e perversas, não raras seguidas de morte, são cometidas por menores de idade cada vez mais jovens. E que, quando presos, riem, debocham, não mostram o menor grau de arrependimento do que fizeram. Por isso, a necessidade de cortar o mal pela raiz.
As famílias têm de cuidar de sua prole e buscar auxílio. Na escola. No Conselho Tutelar. Nas faculdades de Psicologia. Na Secretaria Municipal de Ação Social. Na Promotoria Pública. Hoje, queima-se um cão. Amanhã, queima-se um ser humano. Depois de amanhã, a prisão.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

RESGATE HISTÓRICO - James Pizarro (artigo do dia 5/1/2017 em A RAZÃO)


COLUNISTAS

Resgate histórico


James Pizarro

por James Pizarro em 05/01/2017
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Em 1983, a Secretaria Especial do Meio Ambiente, conhecida pela sigla SEMA, era uma subsecretaria colocada dentro do Ministério do Interior. Seu ativo titular era o Dr. Paulo Nogueira Neto, que foi cedido para o governo federal pela USP - Universidade de São Paulo, onde era fundador e titular da cátedra de Ecologia.
Por determinação da SEMA, em maio de 1983 foi decretado que todas as prefeituras brasileiras deveriam comemorar, de 1 a 7 de junho, a “Semana Nacional do Meio Ambiente”. Em Santa Maria, fui convidado pelo prefeito Dr. José Haidar Farret para coordenar, planejar e fazer realizar este evento. Resolvi aceitar o desafio uma vez que certa parcela da comunidade e da imprensa acusava os ecologistas de apenas criticarem e jamais executarem algo de prático.
Passei cerca de 20 dias arregimentando forças. Pretendo lembrar de todas aqui. Direção, funcionários e alunos do SENAC deram notável apoio, confeccionando belíssimo cartaz com a programação, horários, local e nome dos palestrantes. Ainda fizeram as vezes de recepcionistas no Centro de Atividades Múltiplas, local do evento, 12 moças elegantemente trajadas, alunas do Curso de Recepcionistas do SENAC.
Os escoteiros da Tropa Henrique Dias distribuíram 10 mil folhetos convidando a população (folhetos pagos pela Prefeitura Municipal e distribuídos nas ruas, avenidas e nas escolas, de sala em sala de aula).
Meus alunos da disciplina de Ecologia dos cursos de Agronomia, Ciências Biológicas e Engenharia Florestal ministraram dezenas de palestras nas escolas municipais e, junto com os escoteiros da Tropa Henrique Dias, plantaram dezenas de mudas de árvores ao longo do Parque Itaimbé, muitas delas transformadas hoje (33 anos depois) em frondosas árvores.
Durante as sete noites de palestras, cerca de 2000 pessoas lotaram completamente as dependências do Centro de Atividades Múltiplas, o popular “Bom-Bril”. Houve necessidade de que a Rádio Universidade instalasse caixas de som do lado externo do prédio para que cerca de 500 pessoas pudessem ouvir as palestrantes. O impressionante era o silêncio e a disciplina de todos.
Os palestrantes foram: James Pizarro ( “A Má Qualidade de Vida no Planeta”), José Salles Mariano da Rocha (“Desertos e Áreas de Desertificação no Rio Grande do Sul”), Gustavo Quesada (“Comunidades Agro-energéticas”), Horst Oscar Lippold (“Aspectos da Fauna Silvestre do Rio Grande do Sul), Dr. Arnaldo Walty ( “Câncer e Meio Ambiente”), Amaury Silva (“A Verdade sobre as Drogas”) e Mesa Redonda com os professores João Radünz Neto, Brandão, Ilka Bossemeyer e Paulo Ary Moreira (“Piscicultura e Aspectos Ecológicos da Água”).
Foi feito, como ato final, um plantio de árvores no centro da cidade, com a presença do prefeito municipal, José Haidar Farret, e grande número de autoridades, escolares, universitários e populares. Registro para a memória da cidade esta iniciativa, de intensa repercussão cultural, técnica, científica e popular. E numa época de incompreensões e injustiças resgato o papel histórico de apoio que a causa ecologista santa-mariense recebeu do Dr. José Haidar Farret.