quinta-feira, 20 de março de 2014

FINALMENTE, COMEÇA O ANO NOVO ? - James Pizarro

Natal, Ano Novo, Férias, Planeta Atlântida...tudo acabou.

Ontem acabou o verão ("São as águas de março fechando o verão", já cantava a Elis Regina). 

O que sobrou de grana o pessoal torrou no Carnaval. E agora começam a se queixar dos preços do material escolar.

Será que agora o brasileiro é capaz de acordar para a vida real ?

terça-feira, 11 de março de 2014

Cel. FIRMO DE ALMEIDA, UMA SAUDADE - James Pizarro

Claudio Barros foi meu colega de banda e de estudos no glorioso Colégio Estadual Manoel Ribas, de Santa Maria, o popular MANECO. Nós dois éramos colegas e amigos do Alceste Almeida, de Roraima, cujo pai - chamado Oséias - chegou a ser gerente do Banco do Brasil na agência central de Santa Maria. O Alceste se formou em Medicina e voltou para Roraima, por onde foi eleito várias vezes deputado pelo PTB.

Claudio Barros se formou médico-veterinário pela UFSM e em 1971 ingressou na mesma como docente. Ainda está na UFSM até hoje (2011) como Professor Titular de Patologia Veterinária. Eu tinha me formado um pouco antes em Agronomia (1965) e já em 1966 era docente da disciplina então existente "Zoologia Agrícola : Anatomia e Fisiologia dos Animais Domésticos". Esta disciplina, com programa muito extenso, era ministrada por 3 professores : eng. agrônomo ARMANDO ADÃO RIBAS (Zoologia Agrícola), coronel da Brigada Militar e médico-veterinário FLÁVIO MARTINI (Anatomia dos Animais Domésticos) e eng. agrônomo JAMES PIZARRO (Fisiologia dos Animais Domésticos).

Claudio Barros era genro do coronel do exército ALBERTO FIRMO DE ALMEIDA, que foi injustamente afastado do exército pois foi cassado pela Revolução de 31 de março de 1964 quando era Comandante do Regimento de Infantaria Gomes Carneiro. O coronel Firmo tinha 3 filhos (2 meninas e um menino) e Cláudio Barros casou com a filha de nome NINA, com a qual teve dois filhos : MAURO, advogado do setor jurídico do Hospital das Clínicas de Porto Alegre e GUILHERME, músico, também residente em Porto Alegre, que deu a Claudio seu único neto (JOÃO, de 2,5 anos).

De 1976 a 1980, Cláudio e Nina moraram com as crianças nos Estados Unidos para que ele pudesse fazer seu doutorado em Patologia Veterinária. Regressaram dos EUA em 1980. O coronel FIRMO DE ALMEIDA faleceu em 1983. Em 1986 passaram a residir na casa do falecido FIRMO, onde permanecem até hoje. A casa fica na frente do Quartel dos Bombeiros de Santa Maria, à rua Niederauer, 897. A casa tem um belo terreno de 100 metros de fundo, onde NINA mantém afetivamente um belo jardim, coisa rara por aquelas bandas da cidade. Claudio Barros, ao contrário de mim, que se aposentou com mais de 40 anos de docência, pretende trabalhar até a compulsória lhe pegar - isto é - até 2015, quando completará seus 70 anos.

Porque estou escrevendo tudo isso e recordando essas coisas todas ?

Primeiro, porque Santa Maria é de má memória e ingrata para com grande número de seus filhos.

Segundo - talvez nem o próprio Cláudio saiba disso - eu fui muito amigo do seu sogro, o coronel ALBERTO FIRMO DE ALMEIDA. Como fui um estudante universitário de poucas posses, o coronel me emprestava livros da biblioteca do Clube Caixeiral (que ele dirigiu com zelo durante muitos e muitos anos) para que eu pudesse levar para casa. Eu podia frequentar a biblioteca porque meu pai era sócio do Clube Caixeiral. Lá eu lia os jornais do dia, entre senhores de cara fechada e todos eles na faixa dos 60 ou 70 anos, que eram os frequentadores assíduos da biblioteca. O coronel FIRMO sempre me dizia : "Pizarro, até hoje não apareceu por aqui nenhum mais moço do que tu para ler". E vaticinava, baixinho, pois não era de fazer estardalhaço : "O país está criando uma geração de ignorantes".

Hoje, onde existia a biblioteca há uma bar, uma espécie de 'pub' londrino. Existirá a biblioteca em outra dependência do clube ou terão acabado com ela ?

Algum dos intelectuais ou "imortais" da cidade saberão quem foi o coronel FIRMO ? A cidade já terá lhe feito alguma homenagem ? Será ele algum nome de rua ou de praça ?
Ou apenas seus descentes lembrarão dele com saudade ?

De minha parte, faço este registro enquanto minha memória viaja meio século em cinco segundos. E sinto uma coisa pungente no peito.

Sinto uma certa melancolia da Santa Maria onde todas as pessoas se cumprimentavam. E gostavam de ler.

Os dirigentes políticos do país vão conseguir o que querem : imbecilizar uma geração inteira.

Fica mais fácil de mandar. E de roubar.

sábado, 8 de março de 2014

A VIDA E A MORTE NA "CASINHA BRANCA" - James Pizarro

Lá pelos anos 50, quem descia a avenida Rio Branco em direção à gare da Viação Férrea, em Santa Maria, RS, olhava para o alto e contemplava enorme montanha até hoje existente.
No final da rua 7 de Setembro, que ia terminar justamente nessa montanha, foi construído o Clube Esportivo, tradicionalmente conhecido pelo nome carinhoso de "clube do sopé do morro".
Quem olhasse para o topo do morro, atrás do Clube Esportivo, ia ver um pequeno chalé de madeira pintado de branco, batisado pela população de "Casinha Branca". Nessa casinha, isolada lá em cima, vivia um casal de idosos. Eles desciam uma vez ou duas por mês, através de uma íngreme trilha no meio do mato, para fazer compras de gêneros alimentícios e remédios.
Um ou outro visitante subia lá, além de escoteiros que faziam exercícios.
Certa vez, o dono do armazém onde o casal de idosos fazia suas compras, estranhou a ausência dos mesmos.  E resolveu subir  para ver o que tinha havido. Em lá chegando, encontrou o corpo já em estado de decomposição dos dois pobres velhinhos.
Diligências  feitas pela polícia logo acharam os culpados, dois marginais que trucidaram os idosos com marteladas na cabeça, crime que chocou toda a cidade. E mataram o casal para roubar alguns pertences de pouco valor  e, segundo um deles confessou, imaginavam que os idosos tivessem dinheiro escondido.
Já naquela época, há cerca de 50 anos, pessoas se retiravam para viver em paz no meio da Natureza. Na santa paz das árvores, flores e pássaros.
Mas mesmo lá, satânicas criaturas destruiram o sonho dos velhinhos a marteladas.
Mesmo depois de tanto tempo me invade uma melancolia imensa ao pensar na agonia dos dois idosos, sentindo a vida se esvair.
Como o som de uma flauta...

segunda-feira, 3 de março de 2014

JORGE ABELIN, CRIADOR DO CINE GLÓRIA - James Pizarro

Escrevi sobre o saudoso Jorge Abelin, gerente em S. Maria dos Cinemas Cupello (década de 60), responsável pelos cinemas Independência, Imperial e o Glória.
Recebi de sua filha Neusa Abelin, minha ex-colega de MANECO e hoje médica em S. Paulo, o segunte depoimento, via facebook :
  • Neusa Abelin


  • Meu pai foi contratado em 1939, como gerente e Inspetor e programador por Charles Sturgis, americano e que depois em 1944 quando nasci veio a ser meu padrinho. A Empresa Charles Sturgis era dona dos circuitos de Cinema em Bagé, Porto Alegre e do Imperial em Santa Maria. Meu pai inspecionava todos estes cinemas, tendo além de um salário mensal como Gerente, comissões e participações e cotas nos nos lucros de cada um destes cinemas , nas diversas cidades que ele inspecionava e programava. Somente em janeiro de 1946 a Empresa Charles Sturgis foi incorporada a Empresa Cupellos. Para a construção do Glória a Empresa Cupello tornou-se empresa de Capital Aberto, sendo meu pai um dos principais acionista bem como o principal responsável pela venda das ações para os demais acionistas, tanto que quando meu pai faleceu, quem tinha o fichário e nome de todos subscritores das ações dos CINEMAS CUPELLO S. MARIA S/A era minha mãe. Irei te passar estes documentos, comprovando o que estou te falando. Na realidade meu pai começou como gerente, inspetor e terminou como sócio, e só aconteceu o Glória graças a seu empenho, e sua vida, pois ele faleceu logo após. Ele acompanhava dia e noite a construção do Glória, gastos, compras de material, inspecionando,desobedecendo ordens médicas, pois já tinha tido um primeiro enfarte. Bjs e Obrigada por este carinho em contar a vida de meu pai.