segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O PURGATÓRIO - James Pizarro

Em Florianópolis, moro a apenas 15 metros do mar, na praia de Canasvieiras. Mesmo que a cidade esteja com a temperatura beirando os 40 graus não há sudorese. Nem sensação de abafamento. Nem garganta seca. O mar contribui divinamente com a alta umidade relativa do ar. O banho refrescante. A brisa que começa cronometricamente no meio da tarde.

O mar é um bálsamo.

Estou em Santa Maria há apenas 5 dias. Com dois aparelhos de ar condicionado ligados permanentemente. Confesso que, depois de quase sete anos morando à beira-mar, meu bioritmo é outro. Mudou a fisiologia corporal. Voltei a suar. Garganta seca. Moleza no corpo. Sem vontade de sair a caminhar.

Encerrado no meio de montanhas, vislumbra-se não digo o Inferno, que ingrato não sou.

Mas distante do mar, me sinto no Purgatório.




domingo, 15 de dezembro de 2013

O ENGOLE-SAPO - James Pizarro


Uma das figuras mais pitorescas que o centro de Santa Maria conheceu foi o "Engole-Sapo". Vivia rigorosamente vestido de terno e gravata e com uma imensa corneta de lata nas mãos, precursora certamente dos modernos megafones.

Ele era propagandista de lojas, farmácias circos, bailes, etc...Usando a corneta de latão, ele berrava nas esquinas com voz potente, o que lhe valeu um papo no pescoço. Em ocasiões especiais, principalmente nas dependências do Café Cristal, na Primeira Quadra (hoje, Calçadão Salvador Isaia), ele tirava um sapo de um vidro e diante do estupor da plateia, ele engolia o batráquio. Minutos depois ele regurgitava o mesmo, sendo aplaudido com delírio nessas ocasiões.

Com o dinheiro conseguido pela publicidade que fazia, conseguiu sustentar uma filha, que se formou professora em nossa cidade de Santa Maria da Boca do Monte.

SANSÃO E DALILA - James Pizarro

Sansão era negro e Dalila era branca. Constituíam um folclórico casal que frequentava normalmente o "Boteco da Polaca", na rua São Francisco, bairro do Rosário. Neste bar existia uma cancha de bocha onde ocorriam brigas e bebedeiras, nas quais Sansão e Dalila estavam sempre metidos.

Nestas ocasiões de truculência a dona do bar chamava a "Normalista", que era a viatura da Polícia Civil, assim chamada por ser pintada com as mesmas cores do uniforme  das alunas do Curso Normal (hoje, Magistério) do então chamado Instituto de Educação Olavo Bilac.

A polícia recolhia Sansão e Dalila que recebiam um "chá de banco" (ficavam algumas horas sentados na delegacia). Depois eram soltos.

E recomeçavam as mesmas badernas.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O HOMEM DA UVA - James Pizarro

Ninguém chegou a conhecer seu nome verdadeiro. Mas todo ano ele era esperado com ansiedade. Quando chegava a época da safra da uva na zona vinícola gaúcha, ele chegava em Santa Maria e percorria as ruas de toda a cidade, onde estacionava seu caminhão carregado de caixas com belos cachos de uva.

Ele subia para a carroceria e, num raio de dez quadras, todo mundo ouvia seu tradicional bordão, repetido centenas de vezes durante o dia :

- Olha a uvaaaaaaaaaaaaaaaaaaa ! Uva selecionada de Garibaldi....Olha o caminhão da uva !

Com o advento dos supermercados, o homem da uva sumiu.

MOSTARDEIRO - James Pizarro

Mostardeiro era figura obrigatória na torcida do Inter de Santa Maria, o "Coloradinho".  Tinha notável implicância com a figura do juiz de futebol. Mal o juiz entrava em campo e - mesmo antes da partida começar - o estádio todo ouvia o tradicional protesto do Mostardeiro : " Já tá roubando, filho-da-puta ? "

A torcida toda caia na gargalhada.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A MUDINHA - James Pizarro

No final dos anos 70, aparentando ter ao redor de 15 anos, a chamada "Mudinha" dormiu com centenas de homens que a apanhavam de carro no centro de Santa Maria, RS.

Nos primeiros anos ela passeava à avenida Rio Branco, entre Silva Jardim e Niederauer. Posteriormente, vivia caminhando nas proximidades da Vila Militar e Cemitério Municipal. Muitas vezes esteve hospitalizada por ser soropositiva.

Depois de servir de escarradeira para a libido de respeitosos senhores, sumiu da paisagem santa-mariense.

MARIA CEBOLA - James Pizarro

Na década de 60, a popular "Maria Cebola" andava quilômetros por dia  fazendo sempre o mesmo trajeto entre a praça Saturnino de Brito e a "pracinha dos bombeiros", em Santa Maria, RS.

Assustava as crianças por se mostrar sempre brava e dizendo impropérios durante todo tempo. E chamava a atenção por usar vários vestidos sobrepostos.

Num piscar de olhos, como ocorre com tipos populares, sumiu da cidade.

PINGA, O PIPOQUEIRO ECOLÓGICO - James Pizarro

Há umas 4 décadas fazia ponto na praça Saturnino de Brito, a "pracinha da CORSAN", um pipoqueiro  de nome "PINGA". Ele tinha uma peculiaridade : oferecia uma quantidade extra de pipoca aos fregueses que devolviam o saquinho.

Como se nota, foi um verdadeiro pipoqueiro ecológico. Foi um precursor da reciclagem e reaproveitamento de material.

Quem se lembrará deste visionário ?

domingo, 8 de dezembro de 2013

A MEGASENA E A HIPOCRISIA - James Pizarro

Todo dia que tem sorteio da megasena eu jogo 3 cartões, sempre com os mesmos números. Estou tentando ganhar para provar uma verdade a respeito da nossa porca sociedade de consumo de mundo capitalista.

Se eu fosse vencedor e ganhasse toda bolada sozinho, o pessoal que me critica e me chama de "gordo louco" imediatamente passaria a me chamar de "fofinho excêntrico". Ou "obeso bizarro". Por aí...

Logo ressurgiriam das cinzas, parentes distantes que nunca falaram comigo e nem responderam minhas mensagens de facebook. Conhecidos escrevendo cartas melosas pedindo ajuda financeira.

E como tudo é possível, alguma cinquentona com um filho maior de idade, a tiracolo, exigindo um DNA.

Seria a consagração da hipocrisia !

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

"CERIMÔNIA" DO SORTEIO DAS CHAVES DA COPA DO MUNDO - James Pizarro

Vou dar minha opinião antes de ler a opinião dos outros a fim de não sofrer influência alguma.


 Números artísticos e músicas mal escolhidas, fora de contexto. Olodum apresentou-se com uma cantora desafinada e com meia dúzia de percussionistas. Presença no palco e falas de 30 segundos do Pelé, Bebeto e Ronaldo "Fenômeno" : perfeitamente dispensáveis. Discurso da presidente sem graça (o que não chega a ser novidade). 
Secretário da FIFA que coordenou o sorteio : rápido, objetivo, competente.
Elogios para a linda Fernanda Lima que tentou fazer de tudo para salvar a cerimônia : tentou alegrar, esbanjou simpatia, falou inglês com desenvoltura e auxiliou muito bem no sorteio das chaves. Muito bem vestida, fez bonita figura.

 Platéia - diante da falta de criatividade da cerimônia - foi fria, distante e comedida nos escassos aplausos.

 Enfim : uma bosta de cerimônia !