quinta-feira, 27 de outubro de 2016

TIVICO - James Pizarro (jornal A RAZÃO, 27/10/2016).



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Tivico



James Pizarro

por James Pizarro em 27/10/2016
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Tivico era o músico militar mais popular na década de 50 em Santa Maria, RS. Tocava na famosa banda do Sétimo Regimento de Infantaria, mais conhecido por Regimento “Gomes Carneiro”. O povo simplificou tudo chamando simplesmente de “Banda do Sétimo”.
O “Sétimo” ficava na Borges de Medeiros, quando esta encontra a rua Dr. Bozano. A banda era responsável por memoráveis retretas no coreto da praça Saldanha Marinho. Uma vez por semana, ao redor das 17 horas, a banda ocupava o coreto e tocava músicas populares brasileiras, além de hinos e dobrados, para o deleite de centenas e centenas de santa-marienses que, extasiados, escutavam com atenção.
Tivico era um tipo excêntrico e responsável por inúmeras histórias que a cidade contava a seu respeito. Lembro de duas.
A banda do Sétimo tinha por mascote um carneiro, que ía na frente da banda, acompanhado por um militar. Certo dia, todo mundo achou falta do carneiro. Instauraram inquérito e descobriram que o Tivico tinha feito um suculento churrasco com o pobre animal. Ouviu poucas e boas do general...
Tivico tinha prole numerosa. E queria colocar os filhos mais velhos a trabalhar. Ficou sabendo no quartel que a mulher do general precisava de um funcionário para trabalhar na casa e arrumar o pátio,cuidar do jardim, etc... Tivico, que tinha o hábito de usar termos rebuscados e falar difícil, foi à casa do general. Quem atendeu foi a mulher do general que, estarrecida, ouviu de cara o Tivico indagar:
“ - Queres ter um filho meu?”
Desta vez parece que pegou cadeia.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

AO FUTURO PREFEITO - James Pizarro (jornal A RAZÃO, 20/10/2016)


COLUNISTAS

Ao futuro prefeito


James Pizarro

por James Pizarro em 20/10/2016
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Na edição de 14 de abril deste ano, escrevi uma crônica em A Razão, sob o título de “E os morros?”, na qual relembrava minhas denúncias da tribuna da Câmara na legislatura 1988/91 (período em que “estive” vereador). Lembrei alguns pontos:
“Morro da Televisão, Morro do Cechella, Vila Bilibio, etc...tinham ocupações irregulares naquele período, ao arrepio do Código Florestal e sob a complacência dos políticos. Dei dezenas de entrevistas e escrevi um longo artigo para o jornal “A Razão”, que intitulei “A favelização de Santa Maria já começou”. No artigo eu previa os deslizamentos e as mortes. A cidade caiu de pau em cima de mim, enquanto alguns colegas de docência da UFSM me chamavam de catastrófico. Outros me chamaram de histérico. Os colegas da imprensa sempre deram cobertura aos meus avisos. No Morro do Cechella já houve erosão e alguns pequenos deslizamentos, felizmente sem feridos nem mortos (por enquanto).”
Fiz algumas indagações naquela crônica (passados quatro meses até hoje não respondidas):
“Quem são os responsáveis pelo uso do solo em Santa Maria? Existe uma espécie de Plano Diretor para as áreas de risco da cidade? Essas áreas estão sendo monitoradas? Se positivo, por quem, quando e onde estão os relatórios do monitoramento? Existem autoridades, secretários, vereadores ou políticos sob qualquer título que estimularam - principalmente em anos eleitorais - a ocupação ilegal de áreas de risco? Existem loteamentos clandestinos? Áreas de preservação permanente estão sendo ocupadas? Os mananciais do município estão sendo protegidos?“
Também relembrei as denúncias sobre as areeiras que retiravam areia muito próximas da ponte do popular balneário do Verde e do prognóstico que fiz sobre o destino da ponte. Alguns meses depois o vão da ponte cedeu e a cidade viu que eu tinha razão nos meus avisos.
Agora estamos novamente em período de alagamentos, enchentes, chuvas torrenciais, casas alagadas, bocas-de-lobo entupidas, ameaças de deslizamentos em algumas zonas do Campestre do Menino Deus (como vi em reportagem na TV), uma morte infelizmente já ocorreu. Estamos em pleno período de propaganda eleitoral entre dois candidatos do segundo turno para a prefeitura municipal de Santa Maria. Os problemas todos pertinentes ao clima estão tornando a população altamente sensível ao tema, pois os alagamentos afetam o transporte, a saúde, a educação das crianças, o patrimônio dos munícipes atingidos.
Faço então, por derradeiro, uma sugestão aos candidatos. Façam uso de seus espaços de propaganda (ou façam constar da pauta do último debate que por certo haverá) para mostrar quais planos que têm para solucionar em definitivo os problemas de alagamentos, deslizamentos de encostas e afins em nossa cidade. A população ficará agradecida.

sábado, 15 de outubro de 2016

A PRIMEIRA AULA NINGUÉM ESQUECE - JAMES PIZARRO

Sou do tempo em que o então chamado Grupo Escolar João Belém funcionava no prédio onde hoje está o MANECO, em Santa Maria, RS. E ali fui matriculado -com 6 anos de idade - no Jardim da Infância (pois não se cogitava falar em maternal, pré-maternal, etc...). 
Assim é que, nos primeiros dias do mês de março de 1948, comecei a estudar. Agarrado à mão de minha mãe, fui levado e entregue na penúltima porta do corredor do primeiro andar à mestra Luiza Leitão, uma professora negra, de cabelos brancos, que foi minha primeira professora e da qual guardo enternecedora lembrança. Ela me recebeu carinhosamente. O que fez dissipar-se do meu assustado espírito qualquer resquício de medo. Muito embora eu tenha sentido um inesquecível aperto no peito quando vi minha mãe me abanar e desaparecer pelo corredor.
É incrível, mas lembro detalhadamente desse primeiro dia de aula ! Sentei-me numa mesinha, junto com duas meninas e um menino, de nome Cleómenes, que era muito chato e usava óculos. Inexplicavelmente, não guardei o nome das duas meninas, que eram simpáticas e puxavam conversa. A professora Luiza Leitão bateu palmas, pediu silêncio. E colocou no aparelho de som (que era chamado de "vitrola") um enorme disco de vinil. Daquele disco, como num passe de mágica, brotou a emocionante novela intitulada "As Aventuras do Coelhinho Joca", a primeira história infantil gravada que ouvi em minha vida. Eu gostei tanto que, meses depois, quando ganhei meu primeiro cachorro de presente, um fox preto e branco, tratei de batisá-lo de "Joca"...
Corria o ano de 1948, ano em que o Botafogo foi campeão carioca. O time alvinegro entrava em campo com sua mascote "Biriba", uma cadela também fox preta e branca...
A diretora do Grupo Escolar João Belém se chamava Edy Maia Bertóia, casada com um senhor careca, funcionário da Cooperativa dos Ferroviários. Moravam à rua Silva Jardim, quase na esquina com a Comissário Justo. A Dona Edy era mãe do Dr. Ararê Bertóia, médico em Santa Maria e de Soila Bertóia, residente em São Paulo. Parece mentira...a Dona Edy ficou minha grande amiga por mais de 45 anos ! E hoje, falecida, virou nome de escola municipal, numa justa homenagem.
Num relance, passaram-se 66 anos desde a minha primeira aula, pois estou hoje com 72 anos. Lembro detalhadamente de tudo. Desde a disposição dos móveis na sala. Dos quadros. Dos rostos. Dos sons. Do sino batendo para o meu primeiro recreio. Da primeira merenda. À noite, custei muito a dormir. Pois recapitulava mentalmente tudo o que me havia acontecido naquele dia memorável.
A professora Luiza Leitão, e depois a professora Léa Balthar, foram as duas responsáveis pela minha alfabetização.
A outra diretora do João Belém, que substituiu a professora Edy Maia Bertóia, foi a Professora Heleda Diquel Siqueira. Que também foi minha professora de Trabalhos Manuais. Dona Heleda era exímia jogadora de bolão. Viajava muito pelo RS disputando campeonatos femininos de bolão. Faleceu recentemente.
Nas datas importantes - principalmente nas datas cívicas - aconteciam no João Belém as chamadas "audições". O que era isso ? Todo o corpo docente e discente era reunido no salão de festas da escola. E havia apresentação de números artísticos : danças, corais, declamação de poesias, números musicais, mágicas, bandas, etc... Tudo isso era precedido pela fala do locutor. Que lia uma sinopse do número que ía ser apresentado.
Devido ao desembaraço, desenvoltura ou "cara-de-pau" - seja lá que nome tenha isso - sempre fui escolhido para ser o locutor das "audições". O que me conferia um certo "status" com os professores. Simpatia com as meninas. E ciume dos colegas.
Dou-me conta, agora, do óbvio : a influência que tais experiências da meninice podem ter na formação da nossa personalidade. E até nas nossas escolhas profissionais de adulto. Entre meus 45 e 50 anos fui radioator de historinhas infantis levadas ao ar pelo programa infantil apresentado pela radialista Maria Helena Martins : Programa "Era Uma Vez..." O programa ía ao ar todos os domingos, às 18:00h, pela Rádio Universidade de Santa Maria. A novela, apresentada em capítulos dominicais, chamava-se "Histórias do Sapinho Hortêncio". Eram escritas por João Teixeira Porto, militar reformado, funcionário da UFSM e ator amador da Escola de Teatro "Leopoldo Froes".
Fui sarcasticamente criticado por alguns poucos colegas de docência da UFSM pois, para eles, um mestre universitário andar fazendo papel de um sapo em novelas de rádio "não se coadunava com a importância da cátedra". Nunca dei importância para as críticas e gozações desses sabichões que, mesmo pilotando seus títulos de mestrado e doutorado, não conseguiam dar aula sem as famigeradas fichinhas de anotações amarelecidas pelo tempo, sem as quais não conseguiam enfrentar as numerosas turmas de alunos. Um deles, chegou mesmo a dizer que eu só poderia fazer papel de sapo, numa clara alusão à minha obesidade...Nunca me ofendi, porque sou gordo mesmo. Muitas palestras fiz nas escolas da cidade para alunos do jardim da infância e do pré-primário. Mas fi-las, não como Prof. Pizarro, mas como Sapinho Hortêncio, este sim conhecido da piazada.
Esta atividade como Sapinho Hortêncio sempre me foi muito encantadora, porque ele foi importante veículo de educação ecológica para a infância da minha cidade. 
Na raiz dessa minha atividade não estará, lá bem no fundo, a saudosa professora Luiza Leitão com as "Histórias do Coelhinho Joca" ? E meus programas de rádio ecológico pela Rádio Universidade ? E meus comentários diários na Rádio Imembui, nos programas do Vicente Paulo Bisogno e Pedro Feire Junior ? E meus voluntariosos pronunciamentos na Câmara de Vereadores quando lá estive de 1989 a 1992 ? E as dezenas de conferências em mais de 200 cidades gaúchas ao longo de quase 40 anos ? E as 10 horas de aula diárias nos cursinhos pré-vestibulares e na UFSM ?
Na raíz de todas essas atividades ligadas ao uso público da palavra, da oratória como meio de vida, bem lá no cerne dessas atividades de adulto...não estará a figura franzina daquele meninote que era o locutor das "audições" do Grupo Escolar João Belém ?
Que mistério ! Que estranho fermento a Vida e o Destino semeiam na sensibilidade da gente! E ao longo do tempo aquilo vai se metamorfoseando em pão. Amassado com o sangue da vocação. O suor da transpiração. E a lágrima da inspiração. Que mistério ! A ninguém é lícito deixar de colaborar na construção do mundo. Seja pescando crustáceos e peixes na orla marítima, para alimentar estômagos famintos. Seja pescando almas solitárias, melancólicas, com a isca fascinante da palavra. Não para dar-lhes pão, feito de trigo ou centeio. Mas o pão divino do amor e da fraternidade. Disfarçado pela oratória sensível do teatro. Do discurso. Do programa de rádio. Da aula bem dada. Todas elas, atividades movidas pela paixão. Quem não entender a paixão e o milagre da palavra, o seu amplo poder, perdeu o dom do mistério.
Esse mistério foi inoculado em meu espírito pela paixão de meus professores do João Belém e do Maneco.
E por isso jamais me esquecerei deles.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

VARIEDADES - James Pizarro (artigo para A RAZÃO em 14/10/2016)


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Variedades


James Pizarro

por James Pizarro em 14/10/2016
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HORA EXTRA - Foi publicado na revista “European Hearth Journal” pesquisa médica resultante de uma experiência feita com 6000 funcionários públicos da Inglaterra. A pesquisa não levou em conta os tradicionais fatores de risco cardíaco (fumo, obesidade, sedentarismo,etc...). Se ateve apenas ao número de horas que o funcionário trabalhava durante o dia além das 8 horas costumeiras. Conclusão do trabalho: trabalhar entre 10 e 12 horas por dia,em vez das 8 horas habituais, pode aumentar o risco de doenças cardíacas em 60 %! Então, que se cuidem os que costumam fazer hora-extra. E também abram o olho os que se orgulham de trabalhar demais. Ponham a barba de molho os famosos ‘work holics”, os viciados em trabalho. O que se pensava ser uma virtude é, na realidade, um atestado de óbito em potencial.
CENSURA - Em 2002, no Paquistão, foi assassinado o jornalista norte-americano Daniel Pearl, do “Wall Street Journal”. O presidente Barack Obama sancionou em maio de 2010 uma lei que exige que o Departamento de Estado descreva com minúcias a situação da liberdade de imprensa no mundo. O governo dos EUA, por esta lei, identifica os países que violam a liberdade de imprensa e publica seus nomes e situações no relatório anual sobre os direitos humanos. Com muita justiça esta nova lei norte-americana foi batizada de “Lei Daniel Pearl”. Provavelmente, o Brasil vai figurar entre os países pesquisados porque há censura de blogs, censura de comentaristas de TV, há mais de 300 dias esteve sob censura o “Estadão”, etc... Mas na Constituição Brasileira consta que a censura está completamente abolida desde 1988. Bonito, não é?
INDICAÇÃO - Eu gosto muito de ler a “Folha de São Paulo”, talvez um dos melhores jornais do país, segundo minha modesta opinião. O jornal tem um caderno especial, chamado “Equilíbrio”, onde semanalmente escreve uma antropóloga, Miriam Goldenberg. No jornal também colabora um talentoso cartunista, Adão Iturrusgarai. Pois os dois - antropóloga e cartunista - se reuniram e acabam de lançar um livro intitulado “Tudo que Você Não Queria Saber sobre Sexo”, editado pela Record, com 240 páginas, que está sendo vendido por R$ 44,90. Temas como sexualidade, infidelidade e casamento, corpo e felicidade, etc...abordados/escritos pela antropóloga são magnificamente ilustrados por cartuns e tiras coloridas do cartunista. Fica aqui minha sugestão para quem quiser se instruir sobre o tema e dar boas risadas sobre o mesmo.
MELANCOLIA – Notícia que me deixou triste foi sobre a exploração sexual de adolescentes indígenas no Amazonas. Na cidade amazonense de São Miguel da Cachoeira, que faz fronteira com a Colômbia, qualquer homem compra a virgindade de uma menina índia e paga 20 reais, um celular, uma caixa de chocolates ou uma peça de roupa de grife. Já foram denunciados como compradores nove senhores casados da alta sociedade, entre os quais um vereador. Que o Diabo conserve a alma desses senhores encerrada por mil anos numa guampa de mijo no fundo do inferno !!!

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O CORONEL AMAVA OS LIVROS - James Pizarro (jornal A RAZÃO, 6/10/2016)


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O coronel amava os livros


James Pizarro

por James Pizarro em 06/10/2016
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Claudio Barros foi meu colega de banda e de estudos no glorioso Colégio Estadual Manoel Ribas, de Santa Maria, o popular Maneco. Nós dois éramos colegas e amigos do Alceste Almeida, de Roraima, cujo pai - chamado Oséas - chegou a ser gerente do Banco do Brasil na agência central de Santa Maria. O Alceste se formou em Medicina e voltou para Roraima, por onde foi eleito várias vezes deputado pelo PTB. Claudio Barros se formou médico-veterinário pela UFSM e em 1971 ingressou na mesma como docente na disciplina de Patologia Veterinária.
Claudio Barros era genro do coronel do exército Alberto Firmo de Almeida, que foi injustamente afastado do Exército, pois foi cassado pela Revolução de 31 de março de 1964, quando era comandante do Regimento de Infantaria Gomes Carneiro. O coronel Firmo tinha três filhos (duas meninas e um menino) e Cláudio Barros casou com a filha de nome Nina, com a qual teve dois filhos : Mauro, advogado do setor jurídico do Hospital das Clínicas de Porto Alegre, e Guilherme, músico, também residente em Porto Alegre, que deu a Claudio seu único neto João.
De 1976 a 1980, Cláudio e Nina moraram com as crianças nos Estados Unidos para que ele pudesse fazer seu doutorado em Patologia Veterinária. Regressaram dos EUA em 1980. O coronel Firmo de Almeida faleceu em 1983. Em 1986 passaram a residir na casa do falecido Firmo, onde permanecem até hoje. A casa fica na frente do Quartel dos Bombeiros de Santa Maria, à Rua Niederauer, 897. A casa tem um belo terreno de 100 metros de fundo, onde Nina mantém afetivamente um belo jardim, coisa rara por aquelas bandas da cidade.
Eu fui muito amigo do coronel Alberto Firmo de Almeida. Como fui um estudante universitário de poucas posses, o coronel me emprestava livros da biblioteca do Clube Caixeiral (que ele dirigiu com zelo durante muitos e muitos anos) para que eu pudesse levar para casa. Eu podia frequentar a biblioteca porque meu pai era sócio do Clube Caixeiral. Lá eu lia os jornais do dia, entre senhores de cara fechada e todos eles na faixa dos 60 ou 70 anos, que eram os frequentadores assíduos da biblioteca. O coronel Firmo sempre me dizia : “Pizarro, até hoje não apareceu por aqui nenhum mais moço do que tu para ler”. E vaticinava, baixinho, pois não era de fazer estardalhaço : “O país está criando uma geração de ignorantes”. Quantos intelectuais da cidade saberão quem foi o coronel Firmo? A cidade já terá lhe feito alguma homenagem? Será ele algum nome de rua ou de praça? Ou apenas seus parentes lembrarão dele com saudade? Faço este registro enquanto minha memória viaja mais de meio século em alguns segundos. E sinto uma melancolia pungente no peito.