quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

QUANDO O ATIVISMO ECOLOGISTA ERA PRA VALER MESMO !

Artigo publicado na edição número 5 da Revista CONEXÃO/UFSM, Santa Maria, RS, edição de 14/12/2010. (http://coralx.ufsm.br/radio/conexaoufsm/numero05/index.html)

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Rememoro, com especial saudade, de três eventos que promovi em Santa Maria,RS, com total apoio dos companheiros da Rádio Universidade (UFSM). Foram eventos denominados "Caminhada pela Natureza", "Pela Vida pela Paz, Hiroshima Nunca Mais" e " Se Você Fechar os Olhos Hoje Terá de Fechar o Nariz Amanhã". Foram eventos ocorridos há 25 anos, que movimentaram populares nas ruas, passeatas de universitários, compromissos dos políticos, etc...Infelizmente, a "luta ecológica" de hoje involuiu, transformando-se em arremedo burocrático de gabinete, com as poucas entidades existentes buscando verbas especiais de órgãos governamentais. Quem aceita dinheiro do poder vigente - seja ele de que orientação político-partidária for - negocia sua liberdade de opinião e de ação. Vamos relembrar :

a)- No dia 16 de outubro de 1984, em nossa cidade, ocorreu a chamada "Caminhada para a Natureza", que partiu da praça Saldanha Marinho e culminou no Morro do Cechella. Foi organizada pelo Diretório Acadêmico da Engenharia Florestal (UFSM), com o apoio e colaboração do Curso de Engenharia Florestal, Departamento de Ciências Florestais, Pró-reitoria de Assuntos Estudantis, Prefeitura Municipal de Santa Maria, Câmara de Vereadores de S. Maria e Programa "Antes que a Natureza Morra" (Rádio Universidade). Foi distribuído por toda a cidade um poster promocional contendo uma foto de nosso município (levantamento aerofotogramétrico), contendo um texto de Benjamin Franklin : " Se as cidades forem destruídas e os campos forem conservados, as cidades ressurgirão. Mas, se queimarem os campos e conservarem as cidades, estas não sobreviverão ". A caminhada foi realizada com a presença de aproximadamente 300 pessoas, constituída por estudantes, professores e populares. Na chegada ao Morro Cechella, foi rezada uma missa campal presidida pelo Pe. Ézio Berteotti, pároco da igreja do bairro Perpétuo Socorro (atualmente, o padre é pároco da Igreja São José, na cidade de Lavras do Sul). Durante a missa, a convite do celebrante, falei cerca de quinze minutos sobre o motivo da caminhada e sobre a necessidade da conscientização da cidade conservar os morros e lutar contra a depredação efetuada pelas pedreiras. Depois disso, várias pedreiras foram fechadas pela justiça e os morros continuam em pé !

b)- Com total apoio da Rádio Universidade a Associação Ecológica "Irmão Sol, Irmã Lua", por mim fundada e presidida, já na data de 22 de agosto de 1985 preocupava-se com a situação da coleta e depósito de lixo em nossa cidade. Tanto é verdade que, na data citada, a Câmara de Vereadores realizou uma sessão especial para que a entidade pudesse apresentar longo e detalhado relatório sobre o tema do lixo urbano. Entre os vereadores presentes, lembro de Onélio Prevedello, Luiz Carlos Druzian, Luiz Roberto Simon do Monte, Antônio Sineide Costa, Marco Machado, Sérgio Cechin, Luiz Figueiredo e João Nascimento da Silva. O relatório que apresentei tinha por título " Se você fechar os olhos hoje terá de fechar o nariz amanhã ". Pois já se passaram 25 anos da apresentação que fiz sobre o lixo de Santa Maria e a situação do aterro sanitário ainda não foi devidamente resolvida. Infelizmente eu tinha razão, pois moradores de certas zonas da cidade já começam a tapar o nariz...

c)- No dia 6 de agosto de 1984, fiz o lançamento em nossa cidade de milhares de panfletos com o título " pela Vida, pela Paz, Hiroshima Nunca Mais" esclarecendo a população sobre a corrida armamentista nuclear encetada pelos Estados Unidos e pela Rússia, entre outros países. O panfleto, com apoio da Rádio Universidade, citava números, estatísticas e fazia algumas comparações, como por exemplo : " Gasta-se um milhão e meio de dólares por minuto em armas no mundo, enquanto a cada minuto morrem 30 crianças. Na formação de um soldado gasta-se 60 vezes mais do que o necessário para educar uma criança a vida toda". Na realidade, desde aquela época, a gente já preconizava a adoção de "energias brandas" ao invés das chamadas "energias duras". Explicava, com meus companheiros pacifistas, em cada esquina dessa cidade a capacidade que o homem deveria ter de resolver seus conflitos por meios pacíficos. Dissertava sobre a necessidade de adotar energias descentralizadas, seguras e renováveis, a partir do sol, água, vento e biomassa. Muita gente achava estranho e ficava boquiaberta diante do apelo que a gente fazia para chamar a atenção da Igreja, associações, representantes políticos e vizinhos sobre a necessidade de se criar na cidade um movimento antiarmamentista e antinuclear.
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AUTOR : James Pizarro - SANTA MARIA, RS

Um comentário:

Ângela Coelho disse...

James, se naquela época fosse levado a sério estas preocupações, agora não estaríamos correndo atrás do tempo perdido.
Beijos.