As fotos são de autoria da minha amiga ANA ECHEVENGUÁ, advogada, ecologista e blogueira, residente em Canasvieiras, Florianópolis. Possuidora de grande sensibilidade para com o meio ambiente, tem por hobby fotografá-lo. É advogada de causas ambientalistas e seus artigos e idéias podem ser lidos no blog www.ecoacao.com.br
Uma adesão ilustre reacende a discussão pela liberação do consumo da maconha no país. Aos militantes históricos da causa, como o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), juntou-se o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um dos coordenadores da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia — ONG formada por intelectuais e líderes de peso no cenário latino-americano, como os também ex-presidentes do México Ernesto Zedillo e da Colômbia César Gaviria.
A ONG apresentou a proposta na Comissão de Entorpecentes da ONU, em Viena, na Áustria, que decidiu manter a política de "guerra às drogas" articulada com ações de saúde pública e redução de danos.
O tema retoma um debate antigo (e explosivo): o Brasil deve continuar apostando na repressão, política que tem nos EUA, na Rússia e no Japão seus principais expoentes, ou seguir o caminho de países europeus, como Holanda, com legislação liberal em relação ao consumo de entorpecentes?
Desde 2006, usuários de drogas ilícitas não são encarcerados quando flagrados consumindo entorpecentes — embora submetam-se ao constrangimento de ir para delegacia, responder na Justiça e, quando condenados, deixam de ser primários. A medida, portanto, seria incapaz de esvaziar prisões. Mas, sustentam os adeptos, ocorreria um avanço no trato do tema.
— Não estamos propondo a legalização, isto é, não achamos que a sociedade deva dar uma sanção positiva ao uso da maconha. Estamos dizendo que a maconha faz mal, mas os usuários, em vez de irem para a cadeia, devem ser tratados pelos sistemas de saúde — diz Fernando Henrique.
Defensor há duas décadas da descriminalização da maconha, Gabeira destaca a necessidade de "reformar a polícia" para que uma visão liberal tenha êxito:
— Onde houve liberação, ao contrário do que se pensa, não existiu afrouxamento, mas sim, controle mais sofisticado. Daí a importância da polícia.
Ex-colega de Gabeira na Câmara dos Deputados, o consultor em segurança pública Marcos Rolim defende uma proposta intermediária — um passo adiante à liberação do usuário e um atrás da produção e da venda regulamentados pelo Estado.
— Defendo a descriminalização da droga. Ninguém seria preso ao ser flagrado transportando maconha porque não seria crime, o que não significa a sua legalização. Algo como ocorre com o santo-daime, um chá alucinógeno, fortíssimo, consumido entre os indígenas e que espalhou-se pelo país. Ninguém é preso pelo consumo ou transporte do santo-daime, mas tampouco o chá é encontrado em farmácias — explica Rolim.
Psiquiatra adverte para um maior consumo de drogas
Pesquisador do pós-graduação em Ciências Criminais e em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, o sociólogo Rodrigo de Azevedo tem uma certeza:
— É um erro achar que a forma de conter o consumo seja criminalizando a droga. As experiências de redução de danos são mais efetivas do que a criminalização, como mostram algumas experiências na Europa.
Em meio à discussão, autoridades afirmam que a liberação do uso da maconha acarretaria numa legião de novos dependentes químicos. Coordenador da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, o psiquiatra Sérgio de Paula Ramos diz:
— Se você descriminalizar, vai aumentar o consumo da maconha e de outras drogas como cocaína e crack.
Adepto da erradicação do álcool entre adolescentes, o psiquiatra lembra que o Brasil é signatário de um documento na Organização Mundial da Saúde (OMS) para redução do consumo global das drogas.
— Como um país signatário vai propor que se libere o consumo? — questiona Ramos, antes de criticar o ex-presidente:
— Acho que o Fernando Henrique estava com pouca luz sobre ele no verão e resolveu soltar um factoide para voltar à mídia. ********************************************** FONTE : jornal ZERO HORA, edição de 11/04/2009.
FOTO : Bianca Zasso, formanda de jornalismo pela UNIFRA, Santa Maria, RS. *********************************** HAYDÉE S. HOSTIN LIMA é uma sensível poetisa que vive em Santa Maria, interior do Rio Grande do Sul. BIANCA ZASSO, que está se formando em jornalismo este ano (2009) é uma talentosa cronista, poeta e crítica cinematográfica,além de minha amiga blogueira. Como na vida nada ocorre por acaso, Haydée conheceu Bianca e se transformaram em grandes amigas. Para carimbar de afeto a nova amizade, Haydée fez um poema para Bianca que é, a meu juízo, a carinha da dita cuja. Como gosto de ambas e elas provavelmente jamais serão notadas pelos acadêmicos imortais, registro aqui a amizade e o talento das duas. ******************************************************************* Primeira Sessão*
Lâmpadas especiais vão ser instaladas nos pilares das passagens, entre as baías Norte e Sul, para destacar as estruturas de concreto. Os feixes de luz serão direcionados da base para o alto dos pilares de sustentação das pontes. As primeiras lâmpadas foram instaladas nas pontes Colombo Salles e Pedro Ivo Campos nesta quarta-feira (08/04/2009) e são de tom azulado. O sistema deve ser implementado em todas as principais ruas e avenidas antes da reunião do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, sigla em inglês), que acontece de 14 a 18 de maio em Florianópolis.
Em Santa Maria, interior do RS, cidade onde nasci e me criei, existe uma grande avenida chamada Rio Branco. Hoje ela está desfigurada pelos camelôs, pela sujeira, pela ausência de bancos e flores. Mas ela já foi linda. Lembro que a vó Olina dizia que era a avenida mais linda do Rio Grande do Sul. Ampla. Limpa. Cheia de árvores e de grama bem aparada. Crianças brincando. Casais tomando chimarrão ao entardecer. E durante a madrugada, depois que o Bar Moby Dick fechava, minha turma de juventude universitária se reunia naqueles bancos. E se discutia política. E se recitava poesia. E se diziam crônicas. E se falava sobre namoros, paixões, frustrações e planos futuros. E lembro que o Freire Jr., meu grande amigo, ator e diretor de teatro, recitava - entre as dezenas de poesias que sabia - um notável poema de Federico Garcia Lorca, que tinha um bordão que todos nós recitávamos em coro : "às cinco em ponto da tarde". Freire Jr. morreu ano passado (2008) de câncer de pulmão,apenas três dias depois que o visitei no Hospital Astrogildo de Azevedo, em Santa Maria. E provavelmente eu jamais me lembraria do Freire recitando Garcia Lorca se não fosse o e-mail que recebi do meu talentoso amigo português, residente em Coimbra, RUI FERRÃO LUCAS. Ele me encaminhou uma tradução deste poema ("La Gojida y la Muerte"), feita por José Bento e acompanhada por uma obra de Pablo Picasso (que reproduzo acima). Com meu agradecimento ao Rui Ferrão Lucas e, em homenagem ao Freire Jr, reproduzo aqui a tradução deste que é um dos meus poemas preferidos desde a adolescência. ********************************
"Às cinco horas da tarde. Eram as cinco em ponto da tarde. Um menino trouxe o lençol branco às cinco horas da tarde. Uma ceira de cal já preparada às cinco horas da tarde. Tudo o mais era morte,apenas morte às cinco horas da tarde.
O vento levou os algodões às cinco horas da tarde. E o óxido semeou cristal e níquel às cinco horas da tarde. Já lutam a pomba e o leopardo às cinco horas da tarde. E uma coxa com um chifre desolado às cinco horas da tarde. Começaram os acordes de bordão às cinco horas da tarde. Os sinos de arsénico e o fumo às cinco horas da tarde. Pelas esquinas grupos de silêncio às cinco horas da tarde. E o touro sozinho coração acima! às cinco horas da tarde. Quando o suor de neve foi chegando às cinco horas da tarde, quando a praça se cobriu de iodo às cinco horas da tarde, a morte pôs ovos na ferida às cinco horas da tarde. Às cinco horas da tarde. Às cinco horas em ponto da tarde.
Um ataúde com rodas é a cama às cinco horas da tarde. Ossos e flautas soam em seus ouvidos às cinco horas da tarde. O touro já mugia por sua fronte às cinco horas da tarde. Irisava-se o quarto de agonia às cinco horas da tarde. Trompa de lírio pelas verdes virilhas às cinco horas da tarde. As feridas queimavam como sóis às cinco horas da tarde, e a multidão quebrava as janelas às cinco horas da tarde. Às cinco horas da tarde. Ai que terríveis cinco da tarde! Eram as cinco em todos os relógios! Eram as cinco em sombra da tarde!"