terça-feira, 9 de outubro de 2012

MEMORIALÍSTICA ECOLÓGICA - James Pizarro

***Morro do Cechella (foto feita da Barragem do DNOS).


No dia 16 de outubro de 1984, em nossa cidade, ocorreu a chamada "Caminhada para a Natureza", que partiu da praça Saldanha Marinho e culminou no Morro do Cechella. Foi organizada pelo Diretório Acadêmico da Engenharia Florestal (UFSM), com o apoio e colaboração do Curso de Engenharia Florestal, Departamento de Ciências Florestais, Pró-reitoria de Assuntos Estudantis, Prefeitura Municipal de Santa Maria, Câmara de Vereadores de S. Maria e Programa "Antes que a Natureza Morra" (Rádio Universidade). Foi distribuído por toda a cidade um poster promocional contendo uma foto de nosso município (levantamento aerofotogramétrico), contendo um texto de Benjamin Franklin : " Se as cidades forem destruídas e os campos forem conservados, as cidades ressurgirão. Mas, se queimarem os campos e conservarem as cidades, estas não sobreviverão ". A caminhada foi realizada com a presença de aproximadamente 300 pessoas, constituída por estudantes, professores e populares. Na chegada ao Morro Cechella, foi rezada uma missa campal presidida pelo Pe. Ézio Berteotti, pároco da igreja do bairro Perpétuo Socorro (atualmente, o padre é pároco da Igreja São José, na cidade de Lavras do Sul). Durante a missa, a convite do celebrante, falei cerca de quinze minutos sobre o motivo da caminhada e sobre a necessidade da conscientização da cidade conservar os morros e lutar contra a depredação efetuada pelas pedreiras.
LIXO DE SANTA MARIA - A Associação Ecológica "Irmão Sol, Irmã Lua", já na data de 22 de agosto de 1985, preocupava-se com a situação da coleta e depósito de lixo em nossa cidade. Tanto é verdade que, na data citada, a Câmara de Vereadores realizou uma sessão especial para que a entidade pudesse apresentar longo e detalhado relatório sobre o tema do lixo urbano. Entre os vereadores presentes, lembro de Onélio Prevedello, Luiz Carlos Druzian, Luiz Roberto Simon do Monte, Antônio Sineide Costa, Marco Machado, Sérgio Cechin, Luiz Figueiredo e João Nascimento da Silva. O relatório que apresentei tinha por título " Se você fechar os olhos hoje terá de fechar o nariz amanhã ". Pois já se passaram 23 anos da apresentação que fiz sobre o lixo de Santa Maria e a situação do aterro sanitário ainda não foram resolvidas. Infelizmente eu tinha razão, pois moradores de certas zonas da cidade já começam a tapar o nariz...
LUTA ANTI-NUCLEAR - No dia 6 de agosto de 1984, fiz o lançamento em nossa cidade de milhares de panfletos com o título " pela Vida, pela Paz, Hiroshima Nunca Mais" esclarecendo a população sobre a corrida armamentista nuclear encetada pelos Estados Unidos e pela Rússia, entre outros países. O panfleto citava números, estatísticas e fazia algumas comparações, como por exemplo : " Gasta-se um milhão e meio de dólares por minuto em armas no mundo, enquanto a cada minuto morrem 30 crianças. Na formação de um soldado gasta-se 60 vezes mais do que o necessário para educar uma criança a vida toda". Na realidade, desde aquela época, a gente já preconizava a adoção de "energias brandas" ao invés das chamadas "energias duras". Explicava, com meus companheiros pacifistas, em cada esquina dessa cidade a capacidade que o homem deveria ter de resolver seus conflitos por meios pacíficos. Dissertava sobre a necessidade de adotar energias descentralizadas, seguras e renováveis, a partir do sol, água, vento e biomassa. Muita gente achava estranho e ficava boquiaberta diante do apelo que a gente fazia para chamar a atenção da Igreja, associações, representantes políticos e vizinhos sobre a necessidade de se criar na cidade um movimento anti-armementista e anti-nuclear.
SOBRE O PARTIDO VERDE - O deputado alemão Willi Hoss esteve visitando as associações ecológicas e fazendo conferências sobre o Partido Verde alemão, em junho de 1984. Era um partido heterogêneo, que reunia vários segmentos sociais : a juventude evangélica, grupos de defesa ambiental, jovens maoístas, homossexuais, feministas, desempregados, jovens vindos de certos segmentos industriais, etc...Elaborei um alentado documento, chamado "A Criação do Partido Verde no Brasil", que apresentei na assembléia geral da AGAPAN, na capital gaúcha, em 26 de março de 1985, uma terça-feira. defendia no documento a idéia da não criação de partido similar no Brasil naquele período. Duas tentativas já haviam sido feitas : uma em 1982, no RJ e a outra em Curitiba, pelo chamado grupo "Baleia Branca". Eu defendia a idéia que que isolar toda a luta ecológica dentro de uma sigla partidária somente era uma atitude equivocada. Eu achava que o movimento ecologista era profundamente político, mas deveria ser TRANSPARTIDÁRIO, isto é, deveria perpassar pelo programa de TODOS os partidos. O movimento ecologista sempre lutou contra a centralização do poder e do capital. E era óbvio, a meu juízo, que uma estrutura partidária também seria uma centralização de poder. Por dentro de uma estrutura dessas, sobe quem ? Seguramente não são os mais líricos, os mais sonhadores e puros, aqueles que verdadeiramente têm preocupações com o bem-estar coletivo. Salvo honrosas exceções, sobem e dominam o partido os mais gananciosos,os ambiciosos e, não mui raramente, os mais corruptos. Eu defendia a necessidade que a plataforma ecológica deveria ser cobrada de todos os candidatos, de todos os partidos já existentes, de todos os locais. Enfim, eu era contra a picaretagem ecológica. Os jornais de Porto Alegre estamparam meu trabalho e a minha opinião causou muita polêmica, sendo muito distorcida, pois alguns mal-intencionados me colocavam simplesmente, na opinião pública, como um ecologista que era contra o Partido Verde, o partido dos ecologistas. Os anos mostraram que eu estava certo. O que é feito do movimento ecologista atualmente ? Quantos e quais são os políticos do Partido Verde no país ? Naquela época, existiam mais de 100 entidades ecologistas em atividade no RS...e hoje, quantas existem ? O jornalista Edilson Martins, no então célebre jornal oposicionista à ditadura "O PASQUIM", transcreveu meus argumentos e deu amplo destaque à polêmica, apimentando a mesma com um título : "Fora os Travestis Clorofilados".
OBS - Não deixe de acessar meu blog ambientalista : www.antesqueanaturezamorra.blogspot.com

"ANTES QUE A NATUREZA MORRA" - James Pizarro


MADEIRA ILEGAL - No início dos anos 80, promovi intensa campanha de conscientização pelos veículos de comunicação da cidade, contra a comercialização de madeira suspeita que estava sendo vendida na cidade e também na região. Além dos eucaliptos e acácias , cujo comércio era permitido, as lareiras,churrasqueiras e fornos a lenha de Santa Maria estavam sendo abastecidos por espécies da mata nativa, como branquilho, caneleira, camboim, aroeira, vassoura-vermelha e maricá. Foi louvável a atuação da PATRAM-Patrulha Ambiental da Brigada Militar e também da fiscalização do DRNR. Lembro que era comum nas ruas da cidade a presença de dezenas de carroças vendendo lenha cujo corte era proibido. Fiz ver à população que o corte dessas espécies só era permitido em três situações : corte seletivo de florestas, retirada de capoeiras e queda de vegetação resultante de vendavais. Muitas vezes vi os fiscais multando os contraventores, principalmente em frente de padarias, pois ali despejavam a madeira cortada para alimentar os fornos. Eu ficava a pensar que, por trás daquelas árvores cortadas existia um rastro de problemas, tais como : assoreamento de arroios e rios, falta de habitat para a fauna silvestre, destruição da flora nativa, aumento da erosão, aumento do aquecimento do solo que redundava em temperaturas mais altas. Apesar do esforço, há até hoje a tentativa do comércio irregular.
PROGRAMA PIONEIRO - Entre as minhas dezenas de arquivos, encontro um recorte da extinta "Folha da Manhã", de Porto Alegre, datado de 22 de agosto de 1978, contendo matéria com o seguinte título : "Há um ano, emissora fala em Ecologia". Reproduzo um trecho da matéria do jornal porto-alegrense : "O primeiro programa radiofônico do Brasil sobre Ecologia, comemora este mês um ano de existência. ANTES QUE A NATUREZA MORRA é apresentado todos os sábados pela rádio da Universidade Federal de Santa Maria, sendo considerado pelo Ministério de Educação e Cultura e pela RADIOBRAS como o programa pioneiro no país no sentido de conscientizar ecologicamente o povo. O programa é produzido e apresentado pelo professor James Pizarro, docente do Departamento de Biologia da UFSM". Registro que alguns colegas de rádio e da própria UFSM duvidavam que um programa deste tipo ficasse meio ano no ar. Pois ele ficou 26 anos no ar, ininterruptamente, sendo apresentado inclusive durante os meses de férias e durante os períodos de greve. Somente saiu do ar com a minha aposentadoria da UFSM.
TELEX ECOLÓGICO - Durante meus anos de serviço na UFSM e na rádio da instituição, sempre recebi apoio de todos os reitores. Sempre me permitiram usar o aparelho de telex instalado no gabinete da reitoria. Remexendo meus guardados, encontro cópia do telex datado de 12 de agosto de 1982, de número 0735, dirigido ao meu amigo pessoal Dr. Paulo Nogueira Neto, então titular da SEMA-Secretaria Especial do Meio Ambiente, órgão existente dentro do Ministério do Interior. O telex diz o seguinte : "Receba V. S. total apoio dos alunos da disciplina de Ecologia da UFSM e meu apoio pessoal,enquanto docente universitário, à carta enviada por V. S. ao Dr. Henrique Bergamin Filho, diretor do INPA-Instituto Nacional de Pesquisa Amazônica. O público gaúcho é dotado de notável consciência ecológica e repudia experiências e estudos para a utilização de desfolhantes na Floresta Amazônica. Se tal se concretizar,coisa que espero não ocorra,o dedicado trabalho de V. S à testa da SEMA ficará totalmente desfigurado diante da opinião pública. Embora encravado no centro do Rio Grande do Sul, distante dos centros decisórios do país, este modesto professor universitário da área da Ecologia, tenta por todos os meios dar sua parcela de colaboração à causa do meio ambiente, certo de que o ecologismo é a única guerra santa deste final sombrio de século vinte". Por três vezes, tempo depois, o Dr. Paulo Nogueira Neto me convidou para ir à Brasília para participar de mesas redondas e seminários, pois ele sempre foi admirador da minha proposta de rádio ecológico educativo. A criação das "Estações Ecológicas" é idéia dele, sendo que a primeira delas a ser criada, em homenagem ao movimento ecologista gaúcho, foi a Estação Ecológica do Taim. Numa época de verbas curtas na UFSM, com dificuldade para a aquisição das famosas fitas de rolo para a gravação do "Antes que a Natureza Morra", me socorri do Dr. Paulo Nogueira Neto, tendo ele prontamente me atendido. Recebi em tempo recorde cerca de 500 fitas de rolo, marca BASF, de uma hora de duração, o que valia naquela época uma pequena fortuna.
BARRAGEM DA CORSAN - Para a construção da barragem Rodolfo da Costa e Silva, em nossa cidade, funcionando desde agosto de 1999, a CORSAN-Companhia Rio-grandense de Saneamento inundou 275 hectares de mata com 24 milhões de metros cúbicos de água. Para compensar tal impacto ambiental, atendendo pedidos do movimento ecologista e demonstrando notável sensibilidade ecológica, a empresa planejou o plantio de 274.000 mudas de árvores ao redor da área atingida. Essa providência foi acordada e sacramentada junto ao promotor público de nossa cidade. O cronograma do plantio das árvores foi cumprido num período de 4 anos. As primeiras 68.000 árvores foram mudas de guabiju, cerejeira, jambolão,araçá, cedro, erva-mate, ipê e igá. Os recursos gastos na obtenção e plantio das mudas foi de 237 mil reais, provenientes das tarifas de água. Quando o serviço público é sensível à proteção ambiental, tudo fica mais fácil.
RINCÃO GAIA - O Rincão Gaia, situado em Pântano Grande, sede rural da Fundação Gaia, foi idealizado pelo agrônomo e ecologista José Lutzemberger. Lá o planeta Terra é considerado um organismo vivo. E estão bem presentes, na prática, os conceitos de "Permacultura" (a comunidade deve ser autosustentável) e "Agricultura Regenerativa" (geração de insumos a partir de resíduos). O rincão, onde hoje está enterrado o Lutzemberger, era uma antiga pedreira, que tinha como destino ser depósito de lixo urbano. Em 1987, com o nascimento da Fundação Gaia, inicialmente apenas um experimento acanhado de paisagismo. Hoje é um centro de referência de educação ambiental e agricultura ecológica,jardim, lago, horta, estufas, pomar, galinheiro, chiqueiros e casa comunal, tudo criado dentro de um conceito holístico. GAIA é o nome poético dado pelos antigos gregos à deusa Terra. James Lovelock, pesquisador britânico, reintroduziu este nome nos anos 70 na apresentação da famosa "Hipótese Gaia". Segundo ele, a Terra é um sistema vivo, dispondo de mecanismos de auto-regulação que proporcionam a manutenção das condições ambientais necessárias à vida. Representa um modo holístico de se olhar para o planeta, enquadrando seres humanos como parte de um todo. Realizei uma série de entrevistas com meu amigo José Lutzemberger e veiculei as mesmas numa longa série radiofônica, propondo às escolas e aos cursos universitários de nossa cidade visitas de estudo ao Rincão Gaia.
TRITURADOR MECÂNICO DE GALHOS - Como se praticava em excesso a poda das árvores em ruas e avenidas de Santa Maria (o que ainda ocorre), nos anos 80 apresentei um longo arrazoado à Prefeitura Municipal solicitando que estudassem a possibilidade da compra de um triturador mecânico para resolver o problema dos galhos resultantes da poda. Eu tinha visitado a SMAN-Secretaria Municipal do Meio Ambiente, em Porto Alegre, onde pude constatar a instalação da primeira central de tratamento de resíduos de árvores da capital gaúcha. Tal unidade possuía um triturador mecânico que transformava galhos de até 8 centímetros de diâmetro em composto orgânico. Por semana, se podia tratar 45 metros cúbicos de restos de poda. Galhos maiores eram aproveitados como lenha, cujos recursos daí resultantes eram depositados num Fundo Municipal de Meio Ambiente. Em Santa Maria, os galhos eram transportados para os aterros sanitários, onde não são aproveitados, resultando na diminuição da vida útil dos aterros por dificuldade de compactação, além do alto custo do transporte. Os galhos transportados por 8 caminhões, depois de triturados cabem em apenas um caminhão. Juntei fotos, anexei informações técnicas e protocolei a sugestão para as autoridades municipais. Até hoje estou esperando a resposta...
BLOG ECOLÓGICO - Mantenho e modero/escrevo diariamente um dos blogs de Ecologia mais acessados do Brasil. Convido ao leitor deste blog para também consultar/ler/opinar/criticar/sugerir/repassar meu blog ambientalista. O endereço é o seguinte : www.antesqueanaturezamorra.blogspot.com

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

ODE DE AMOR À FLORIANÓPOLIS - James Pizarro

Bendita seja a trilha dos Naufragados,
Bendito seja o Bar do Arantes, seus bilhetinhos, sua culinária e energia,
Bendita seja a Costa da Lagoa e o por do sol visto do restaurante do Jaja,
Bendita a Barra da Lagoa na prainha,
Bendito TAMAR na Barra da Lagoa,
Bendita praia do Matadeiro e o ecológico bar do Marcão,
Bendito Spinoza no mercado, à tardinha, para ver os manezinhos pós-expediente e fazer novos amigos,
Benditas e afrodisíascas ostras da Toca do Paru,
Bendito cafezinho na Cefeteria "Vícios e Virtudes", em Canasvieiras,
Bendito cosmopolitismo do Padeiro de Sevilha, depois de subir o rampão, onde se pode ler jornais/conversar/comer,
Bendito Saico, em Jurerê Internacional e o Café Paris do Kobrasol,
Bendita Praia das Bruxas e Coqueiros,
Bendito samba de raíz do falecido Bar do Tião,
Bendita Pousada Além-Mar no meio da Mata Atlântica,
Benditas praias Daniela e do Forte,
Bendito cineminha em qualquer sala Cinemark do Shopping Floripa,
Bendito seja o passeio no Ribeirão da Ilha,
Bendito centrão e a figueira da praça XV e o calçadão ao entardecer,
Bendita feirinha dominical na Lagoa e seus produtos naturebas,
Bendita UFSC e as universidades particulares, onde se pode conhecer gente de todo o Brasil e do mundo inteiro,
Bendito fato de poder subir a serra, ir a Lages e curtir a neve e o povão hospitaleiro,
Benditas massagens, sauna e águas termais públicas de Santo Amaro da Imperatriz,
Bendita e linda Guarda e seu mirante na última pousada,
Bendita praia do Rosa para ver as baleias,
Bendita praia Brava e sua angelitude fora da temporada,
Bendita trilha da Galheta,
Bendita ciclovia na avenida Beira-mar e as lindas gurias de byke,
Benditas exposições e cafezinho no Angeloni,
Bendita lojinha do presídio com suas redes artesanais feitas de madeira,
Bendita Casa Ecológica da UFSC,
Bendito shopinzinho da Trindade e o bar da praça à tardinha,
Bendito o Kobrasol e o divino camarão à milanesa do Bocas,
Bendito seja o Morro das Pedras e o botequinho à beiramar,
Bendito "El Mexicano" para dançar e "John Bull" e seus shows maravilhosos,
Bendito casario e casa de artesanato ao lago da igreja em Santo Antônio de Lisboa, assim como todos os artistas de Floripa e o imperdível café,
Bendita beleza do Sambaqui,
Bendita quietude da Cachoeira do Bom Jesus,
Bendita peixaria do Negrão, nos Ingleses,
Bendita abundância de comida no restaurante Terezas, em Canasvieiras,
Bendita beleza das imensas rochas na Armação,
Benditas dunas gigantes da Joaquina,
Bendito povo nativo que me acolheu com carinho,
Bendito seja Deus que me permitiu morar aqui, a dez metros do mar, nesta bela e Santa Catarina.
Amém.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

QUANDO OS MORROS CAIREM - JAMES PIZARRO

A cidade de Santa Maria, RS, onde nasci e me criei, é cercada por lindas montanhas. Muitas com áreas de degradação e desmatamento, além de pedreiras que consegui paralisar na justiça quando estive vereador, em 1988/1992.
Morro da Televisão, Morro do Cechella, Vila Bilibio, etc...têm ocupações irregulares que começaram naquele período, ao arrepio do código florestal e sob a complascência dos políticos. Dei dezenas de entrevistas e escrevi um longo artigo para o jornal "A RAZÃO", que intitulei "A Favelização de Santa Maria Já Começou". No artigo eu previa os deslizamentos, as mortes, etc...A cidade caiu de pau em cima de mim, enquanto colegas de docência da UFSM me chamavam de catastrófico. Outros me chamaram de histérico.
Li dia desses nos jornais de Santa Maria que no Morro do Cechella já houve erosão e alguns pequenos deslizamentos, felizmente sem mortes (por enquanto).
Retorno ao tema por causa do desmoronamento e das mortes da Favela do Morro do Bumba, em Niterói, com dezenas de mortes e famílias inteiras soterradas.
Quem são os responsáveis pelo uso do solo em Santa Maria, a não ser a Prefeitura Municipal ?
Existe uma espécie de plano diretor para as áreas de risco da cidade ?
Essas áreas estão sendo monitoradas ? Se positivo, por quem, quando e onde estão os relatórios do monitoramento ?
Existem autoridades, secretários, vereadores ou políticos sob qualquer título que estimularam - principalmente em anos eleitorais - a ocupação ilegal de áreas de risco ? Existem loteamentos clandestinos ? Áreas de preservação permanente estão sendo ocupadas ? Os mananciais do município estão sendo protegidos ?
Nesta catástrofe de Niterói, o ilustre prefeito daquela cidade, Jorge Roberto Silveira (PDT) teve a cara de pau de fazer uma ridícula comparação, ao dizer que "ninguém culpou os governos da Ásia pelos tsunâmis". Sem ao menos ficar vermelho, o prefeito culpou São Pedro pelas chuvas excessivas e pelos desmoronamentos.
Agora mesmo, em Goiás, a justiça liberou da prisão um psicopata de bom comportamento e que tratou logo de matar e estuprar seis adolescentes. As autoridades apenas disseram aos parentes indignados que ocorreu um "lamentável equívoco na avaliação psiquiátrica". E tudo ficou por isso mesmo.
Se futuramente ocorrerem desmoronamentos e mortes nos morros de Santa Maria, o que dirão as autoridades ?
Que a culpa é do "El Niño" ? De Nossa Senhora Medianeira e do diácono Pozzobon que não velaram pela cidade ?
O que dirão ?

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ANTES TARDE DO QUE NUNCA - James Pizarro

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Este artigo foi publicado no jornal  DIÁRIO DE SANTA MARIA, edição de 5/abril/2010, página 4 (JAMES PIZARRO,Professor aposentado e associado à Seção Sindical dos Docentes da UFSM -Sedufsm
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Estive vereador em Santa Maria na legislatura 1988/1992, quando Evandro Behr foi prefeito municipal. Sempre me chamou atenção o grande número de atropelamentos nas paradas de ônibus quando os mesmos acabavam de estacionar. Falei com técnicos, com policiais, pesquisei, entrei em contato com prefeituras de outras cidades. E todos me diziam que uma das razões principais era o fato de a porta de saída para os passageiros ser a da frente, pois os mesmos desembarcavam e tentavam atravessar a rua pelo lado dianteiro do ônibus.

Naquela época, apenas duas cidades no Brasil tinham a entrada dos passageiros pela porta da frente do ônibus: Brasília e Curitiba. Em Curitiba, eu havia residido alguns anos antes para fazer minha especialização e presenciei essa mudança.

Munido da maior boa vontade, elaborei e apresentei um minucioso projeto de lei em 1990, que levou o número 4.100, com a seguinte ementa: “Estabelece a porta dianteira do ônibus como entrada e a porta traseira como saída e dá outras providências”. O projeto ganhou grande espaço na mídia local e tive a oportunidade de apresentar mapas, estatísticas etc na televisão. A maioria da população se mostrou favorável, por meio de sindicatos, associações de bairros e estudantes.

No entanto, os empresários e os proprietários das empresas de ônibus (eram cinco empresas àquela época) moveram tenaz combate contra a aprovação do projeto, alegando gastos, perda de tempo etc. Eu presenciei uma comissão desses empresários visitando os gabinetes dos outros vereadores pedindo que votassem contra o mesmo quando fosse a plenário. Um dos vereadores mais chegados a mim disse, claramente: “Pizarro, a pressão empresarial é muito grande e teu projeto vai receber o voto só teu. Acho melhor tu fazer a retirada do projeto de pauta e deixar para outra oportunidade”.

Esse foi um dos capítulos que mais me entristeceu enquanto estive vereador. Porque eu percebi na prática o que significava sociedade de consumo de feroz mundo capitalista. O que menos interessava e menos se discutia era poupar vidas nos atropelamentos. Mas fico feliz que agora, 20 anos depois, a ideia vai ser executada, mesmo que com um "leve" atraso de duas décadas.

RESTAURANTE OLIVEIRA - James Pizarro

Damião Cosme de Oliveira fundou um armazém em novembro de 1961 na Lagoa da Conceição. O estabelecimento evoluiu para o conhecido "Restaurante Oliveira", muito famoso por pratos tais como : a Sequência de Camarão, o Caldo de Camarão, a tainha recheada e o siri natural.

O neto de seu Damião, Felipe Oliveira, está na direção do restaurante agora, capitaneando os saborosos peixes, ostras, camarões,mariscos, lulas, além dos pratos comerciais comuns.

Quando meus amigos de Santa Maria, RS, por aqui chegam e me visitam, a indicação certa que faço é esta : Restaurante Oliveira, que fica na rua Henrique Veras do Nascimento, 57, na Lagoa.