segunda-feira, 13 de março de 2023

"HISTÓRIA DE SANTA MARIA : NOVOS OLHARES" - James Pizarro (DIÁRIO - 14.3.2023)

Há mais de sessenta anos coleciono livros, artigos, separatas, fotografias e documentos sobre a história da nossa querida Santa Maria. Possuo, pois, um razoável acervo sobre fatos e pessoas da cidade. Este acervo foi enriquecido na tarde do último sábado, quando recebi a visita do jovem arquiteto e urbanista santa-mariense Alex Scherer Porporatti, formado no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Franciscana em 2021. Ele está concluindo seu curso de mestrado na UFSM no Programa de Pós-graduação em Patrimônio Cultural. Alex participa e atua em trabalhos relacionados à História de Santa Maria, Patrimônio e Restauro. Ele mesmo afirma que “possui como meta em suas propostas, promover uma profunda reflexão através do estímulo do senso de pertencimento sobre a preservação do patrimônio material e imaterial, analisando e interpretando a atual situação dos seus atributos de valor (arquitetônico, histórico, de memória).” O arquiteto Alex, em sua visita, gentilmente me presenteou com a obra “HISTÓRIA DE SANTA MARIA, NOVOS OLHARES”, um alentado volume de 493 páginas, Casaletras (Porto Alegre,2022), com textos de diversos autores cuidadosamente organizados por Gustavo Figueira Andrade, Carlos Eduardo Piassini e Maria Medianeira Padoin. Da página 352 à página 368 está publicado o trabalho do Alex, sob o título “Levantamento arquitetônico histórico-cultural do Clube Caixeiral Satamariense em Santa Maria - RS”. Registro a dedicatória feita pelo Alex : “Ao nobre defensor da nossa História professor James Pizarro : ofereço esta belíssima obra sobre Santa Maria. Busco resguardar através da minha contribuição com este livro o resgate do nosso atemporal Clube Caixeiral Santamariense perpetuando a história de Santa Maria e o legado dos nossos antepassados. Um grande abraço. Março/2023” O texto de Alex é ilustrado com 16 fotos explicativas sobre a fundação do Clube Caixeiral, sua história e situação atual. O clube, fundado em 1886, inaugurou sua sede definitiva em 1926. O arquiteto alemão Theodor Wiederspahn foi o autor do projeto arquitetônico, seguido à risca pelo responsável pela obra, Olympio Lozza. Para quem, como eu, passou sua juventude inteira frequentando o Caixeiral, sua copa, seus bailes e boates, suas mesas de sinuca, seu restaurantes, sua biblioteca, a leitura do excelente trabalho da dissertação do Alex é um deleite e um reviver de emoções e lembranças de uma época de ouro. O texto é excepcionalmente bem escrito e de leitura agradável. Recomendo a leitura dessa obra sobre nossa cidade para todos aqueles que nutrem amor por nossa terra. E agradeço ao arquiteto Alex pela gentil visita, assim como também relembro - por derradeiro - o trabalho a favor da restauração do clube por parte da querida amiga professor Anamaria Molina.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

MOBY DICK, A BALEIA - JAMES PIZARRO (DIÁRIO - 28.2.2023)

Toda vez que, longe de nossa cidade, conto o episódio do gaúcho que laçou o avião – fato amplamente noticiado por revistas nacionais e estrangeiras na época – com detalhes, endereços, fotos e nomes dos envolvidos, fui motivo de piada e tive o dissabor de ouvir frases do tipo “esses gaúchos têm cada história”. Até que reuni tudo o que se tinha publicado sobre o tema e publiquei extensa matéria sobre o ocorrido e publiquei em crônica, em blog e nas redes sociais. Uma segunda história que conto e me causa dissabor é quando digo que no ano de 1958, ano do Centenário de Santa Maria, um gigantesca baleia esteve por vários dias exposta à visitação pública na rua Niederauer na quadra existente entre o edifício Taperinha e o Clube Caixeiral. As pessoas duvidam da veracidade da história. Publiquei esta história da baleia na Linha do Tempo do meu facebook e recebi quase 300 comentários com as mais diferentes opiniões. Grande número de pessoas da mesma faixa etária minha me apoiando, avalizando o que eu tinha afirmado e confirmando que tinha visitado a tal baleia. Outros diziam que nunca tinham ouvido falar nessa baleia. E outros me gozando, me chamando de mentiroso. Cheguei a printar os comentários para publicar os mesmos junto com os nomes de seus autores nessa crômica memorialística de hoje. Depois, achei mais elegante não faze-lo. A baleia exposta era da espécie JUBARTE e foi capturada nas costas da Espanha. Depois de percorrer vários países da Europa, África e América do Sul, chegou ao porto de Santos, SP. Dali partiu para várias regiões do Brasil para exposições de “entretenimento de caráter científico”, como dizia seu proprietário, um certo sr. J. Maturana. A baleia, chamada de MOBY DICK, tinha 20 metros de comprimento e 60.000 quilos. Era transportada por um caminhão de 18 rodas. Chegou em Santa Maria procedente do município de Alegrete e ficou estacionada no centro de Santa Maria, entre o Caixeiral e o Taperinha. Ao redor do caminhão foi estendida uma lona preta formando uma espécie de muralha e corredor. O espectador pagava entrada e adentrava por um lado, circundava todo o caminhão observando aquele imenso animal e saia pelo outro lado. Havia um forte cheiro de formol, pois o mesmo estava conservado em 7000 litros de formol que lhe haviam sido injetados para prevenção contra a putrefação. O proprietário explicava – lembro bem – que a baleia já estava sendo exposta no caminhão há três anos e que depois de Santa Maria, eles rumariam para expô-la nas cidades de Cachoera do Sul, Pelotas e Rio Grande. Quero fazer um agradecimento público à arquivista Danièle Xavier Calil, diligente e dedicada chefe do Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria que que de maneira rápida e educada me proporcionou acesso às páginas de A RAZÃO de1958, podendo dessa forma provar aos incrédulos que a baleia realmente esteve no centro de Santa Maria. Isso me possibilitou escrever uma página inteira da seção ”Memória” há alguns anos no Diário. Infelizmente, à época, não haviam as facilidades das máquinas fotográficas portáteis e nem os celulares, de sorte que não consegui registro fotográfico da MOBY DICK.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

E JESUS CHOROU... - JAMES PIZARRO (DIÁRIO - 20.12.2022)

No capítulo 11 de João, encontramos o versículo 35, um dos mais curtos de toda a Bíblia: “E Jesus chorou”. Não vou pontuar aqui o momento histórico que suscitou este versículo. Mas, contextualizando para os dias de hoje e num esforço de síntese, poderia resumir dizendo que Jesus chorou - e chora até hoje - por compaixão. Jesus chorou quando, a cada dois ou três dias, uma pessoa foi assassinada nas ruas de Santa Maria com balaços na cara pelos motivos mais torpes e vis. Jesus chorou quando crianças foram abusadas sexualmente dentro de suas próprias casas ou em suas escolas, por pessoas que teoricamente deveriam protegê-las. Jesus chorou quando mulheres fragilizadas e doentes foram abusadas por religiosos em templos onde ingenuamente foram em busca de socorro. Jesus chorou quando uma jovem mulher grávida foi, em plena luz do dia, estuprada no Bairro do Rosário sem que ninguém visse ou pudesse lhe auxiliar. Jesus chorou pelo número de doentes que não puderam ter o atendimento merecido porque aparelhos estavam quebrados e nem leitos suficientes existiam, tendo de sofrer o martírio e a humilhação da espera nas macas dos corredores dos hospitais. Jesus chorou diante de funcionários desesperados que tiveram seus salários há anos sem reajuste, suas contas atrasadas, seu crédito cortado, sua comida racionada e o pior – muitos deles chegaram ao suicídio. Jesus chorou diante do aumento das doenças sexualmente transmissíveis, algumas tidas como controladas, devido ao comportamento descuidado e a falta de respeito das pessoas para com seu próprio corpo. Jesus chorou pelos animais abandonados, torturados, mortos à míngua, explorados, envenenados, agredidos sem que nenhuma autoridade constituída tenha deles a mínima piedade. J Jesus chorou pelos trilhões de reais roubados por alguns políticos que só pensam em amealhar dinheiro para si e só têm olhos para seus próprios umbigos. Jesus chorou pelas viúvas que ganham pensões ridículas, aposentados doentes que são submetidos a perícias numerosas para seguir ganhando tostões, doentes que precisam de remédios pagos pelo governo e estes sempre faltam nas farmácias oficiais. Sim, Jesus chorou muito em 2022. Talvez esteja quase “desidratado” devido à insanidade dos homens. E à insensibilidade dos políticos e autoridades. Jesus chorou pelos hospitais não concluídos, pela falta de leitos, pelos doentes amontoados em macas, pelas mães implorando por creches, pelos mortos em acidentes automobilísticos em estradas cheias de buracos, pela falta de remédios de uso continuado para pacientes carente, pelas crianças atingidas por balas perdidas. . Jesus chorou pela fúria comercial e mercantilista em que se transformou a data do seu nascimento. Pelos que só pensam em trocar presentes. E se empanturrar de comida e bebida em demasia. Vamos cair de joelhos, fazer um “mea culpa” e rezar por Jesus neste Natal ?

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

HELGA, UMA CADELA UNIVERSITÁRIA - James Pizarro (DIÁRIO, 13.12.2022)

Eu bem sei que, além de ser um tanto (p)bizarro, virei um tipo maldito no oficialismo da minha cidade natal quando era mais jovem. “Metamorfose ambulante” no conceito do Raul Seixas, virei um tipo maldito, satanizado na cidade. 90 % por causa do preconceito da cidade (que nunca aprendeu a conviver com as diferenças). E 10 % por causa das ,mancadas terríveis que cometi (e das quais já fiz confissão pública. Fui julgado. Crucificado. E ressuscitei. Para desânimo e desencanto dos meus desafetos). Houve uma época que a UFSM presenteava e homenageava numa janta os funcionários e professores que completavam 10, 20, 30 anos de serviço com folha imaculada, sem faltas e advertências. Acho que ainda existe esta premiação. Quando completei 20 anos de serviço fui o único que “esqueceram” de convidar para receber a tal medalhinha de latão, que se compra ali no camelódromo por 1,99 a dúzia. À época, escrevi para a reitoria – por oficio protocolado – que estranhava o esquecimento. E argumentei que poderia ter levado meu lanche de casa na jantinha oferecida se tinham medo da minha gula de obeso. E do custo gastronômico que eu daria. O que certamente afetaria os cofres da instituição. Na semana seguinte, ao entrar na minha sala na Rádio Universidade, encontrei por baixo da porta um envelope contendo a medalhinha de latão com uma espécie de alfinete. Esses troços que se enfiam na lapela do casaco. E nada tinha por escrito, apenas a latinha. Como nunca usei casaco, sou um homem sem lapelas. Naquela distante época, eu tinha três cadela da raça cocker-spaniel. Chamadas Helga, Madonna e Hanna. Chegando em casa, enfiei a medalha na casa da Helga, minha cadela preferida e a mais velha do trio. Porque achei que o carinho e a dedicação que ela me dava mereciam um agradecimento. E afinal, numa cidade com várias universidades, ela não era uma cadela comum. Era uma cadela universitária e, agora, possuidora de um ”merdalhão”.

terça-feira, 29 de novembro de 2022

A FOME DÓI, MACHUCA, DEPRIME, HUMILHA ! - James Pizarro (DIÁRIO = 29.11.2022)

Há cerca de uns 40 anos ou mais, fui a Porto Alegre numa cabine dupla de vagão-leito pelo chamado “trem noturno” em companhia de um colega professor da UFSM. Íamos para um congresso na capital representando os nossos departamentos. Rapidamente pegamos no sono com aquele “telec-telec”, ruído característico do rodado do trem sobre os trilhos e mais o embalo da composição. Horas depois, nos acordamos e o trem estava parado. Imaginamos que estivesse parado numa estação para pegar novos passageiros ou desembarcar outros. Mas a como a demora estava muito inquietante e se ouviam rumores nos corredores do vagão, abrimos a porta para saciar a curiosidade. E ficamos sabendo da terrível notícia através do “chefe de trem” : alguns quilômetros adiante um trem havia descarrilado e nós estávamos sem saber que horas chegar a Porto Alegre. Com o trem parado num lugar ermo, presos no meio do campo. Imediatamente, convidei meu companheiro de viagem para ir ao carro restaurante tomar café, comer um bife com dois ovos, tomar um suco para enfrentar a demora pois a equipe de socorro para desobstruir a composição acidentada teria de vir de Porto Alegre. Quando chegamos ao carro-restaurante constamos o óbvio: todos tiveram a mesma ideia. E não havia para nós nenhuma uma desgraçada fatia de pão torrado ou uma minguada bolacha-maria. Fomos chegar a Porto Alegre às 15 horas. Cansados. Suados. Quase desmaiando de fome. Senti na própria carne as sensações fisiológicas da fome. Passei a estudar e a ler tudo sobre a fome. Li toda a obra do Josué de Castro. Passei a falar em aula sobre a Geopolítica da Fome. A Geografia da Fome. A Biologia Social. A fome endêmica. Sobre as ideias de Malthus. Resolvi escrever a respeito desse episódio do trem ocorrido comigo porque fico com o coração partido quando vejo na TV as entrevistas das famílias que não têm o que comer. São milhões de brasileiros que, pelas mais diversas razões – pandemia, desem- prego, políticas sociais, desigualdade, etc – estão com suas geladeiras e armários vazios. Não tenho posses, nem cargo, nem poder. Tenho apenas sensibilidade. E já há bastante tempo eu e minha mulher temos uma pessoa carente que fica nas ruas centrais da cidade para a qual dedicamos atenção na doação de roupas, medicamentos, lanches, amizade, aconselhamento. E, de uns meses para cá, compramos embalagens descartáveis no supermercado, com divisórias, tipo “bandejão”, onde colocamos arroz, feijão, carne, salada, uma fruta – enfim – a mesma comida nossa – e diariamente depois do meio-dia ficamos ao lado do contêiner da Venâncio Aires, em frente à Galeria do Comércio, onde sempre tem alguém esperando aquela marmita. Uma só por dia, mas é o que podemos dar. Comida boa, higienizada, com uma garrafinha plástica de água. Por favor, não quero bancar o caridoso, o generoso, o salvador, o bonzinho. Minha mulher nem queria que eu escrevesse essa crônica. Mas eu me arrisco à crítica porque eu sou teimoso. Resolvi escrever para convocar o leitor a fazer algo semelhante. Porque em quase todas as casas sobra comida. Que acaba indo para o lixo. Enquanto existe gente passando fome. E fome dói. Machuca. Deprime. Deixa humilhado. Vamos ajudar ?

terça-feira, 1 de novembro de 2022

UM ANJO NA ROMARIA DE N. S. MEDIANEIRA - James Pizarro (DIÁRIO - 1.11.2022)

Compreendo quem tem insônia. Relevo quem tem sono agitado. Quem é atormentado por pesadelos. Tenho imensa piedade por amigos que têm distúrbios ligados ao sono. À dificuldade de dormir. Porque dos meus nove aos treze anos comi o pão que o diabo amassou por causa desses problemas. Porque sofria de insônia. Noites mal dormidas. Temores noturnos. Quando o sol ia se pondo e a noite se avizinhava, eu já sentia verdadeiro pavor. Meu pai me levou a médicos. Que me perguntavam coisas. Ouvi pediatras dizerem para meu pai que eram distúrbios da pré-adolescência. Que eu era sensível. Um deles disse que eu era "precoce". Lembro como se fosse hoje que eu fiquei estarrecido quando o médico disse isso. Porque eu não conhecia a palavra “precoce”. Na minha mente agitada imaginei que fosse um tumor, uma moléstia grave. Fiquei tranquilo quando, ao chegar em casa, consultei o único dicionário que existia na época, de autoria do Fernando Fernandes. E fiquei sabendo o que queria dizer "precoce". A Medicina não resolveu meus problemas noturnos. Eu continuava a ouvir ruídos. Ouvia gente cochichando. E via coisas. Principalmente fogueiras. Nunca vi pessoas e nem animais. Tudo que eu via era relacionado com fogo. Tinha vergonha e muito medo de contar para os outros. Principalmente sobre as fogueiras. Porque temia que me chamassem de louco. Como a Medicina não resolveu meu problema, a família apelou para outros recursos. Como fazem as famílias até hoje diante de casos insolúveis. Minha mãe me levou então a centros espíritas. A sessões de umbanda. Tomei passes de descarga. Sessões de descarrego. E toda uma terminologia que eu não entendia direito. Numa sessão dessas o médium receitou "Kola Fosfatada Soel", um medicamento feito de ervas muito popular naqueles tempos. E disse que eu teria de comer muita alface na janta. Também não adiantou nada. Até que minha amada e saudosa avó Olina me levou na romaria de Nossa Senhora Medianeira. A primeira romaria das dezenas que eu iria comparecer depois durante toda minha vida. Lembro que fui todo de branco, com enormes asas de anjo. Carregando uma vela de quase um metro de altura. Alguns amigos meus me esperaram na rua do Acampamento. E quando eu passei um deles gritou : “Tu é um demônio, tu não é anjo”. Porque a minha fama de autor de travessuras na Silva Jardim era grande. Minha avó me dizia durante todo o trajeto da romaria que eu rezasse com fé. Que aquelas vozes, aquelas visões de fogo iriam desaparecer. E que eu jamais iria sentir medo da noite. Quando a santinha passou eu olhei para ela e fiquei em estado de graça. Estava tomado pela fé da minha vó Olina. E ela me disse : “Olha para ela...pede agora, com todas as tuas forças.” E eu, chorando, pedi. Com todas as minhas forças. Como minha vó tinha mandado. As vozes realmente sumiram. Nunca mais tive medo. E quando me perguntavam se eu ainda enxergava fogueiras, labaredas, eu mentia. Porque eu continuei a ver aquele fogo durante algum tempo. Eu não queria decepcionar minha avó. E muito menos decepcionar a santinha. Até que um dia – como num passe de mágica - nunca mais enxerguei nada. E até hoje durmo que nem uma pedra.

terça-feira, 18 de outubro de 2022

AINDA SOBRE OS GRANDES MONUMENTOS - JAMES PIZARRO (DIÁRIO - 18.10.2022)

Num lance fulgurante de inteligência, visão turística, fé religiosa e poderosa união comunitária, os habitantes da pequena e simpática cidade gaúcha de Encantado deram uma lição de como fazer as coisas. E Encantado passou nos últimos tempos a ocupar páginas e páginas de jornais e revistas em todo o país, além de ser motivo de grandes reportagens nos principais programas das grandes redes de TV do Brasil. Tudo porque a comunidade se uniu e resolveu construir o monumento denominado Cristo Protetor, uma obra de 43 metros de altura, a terceira do mundo em altura. Relembro trecho de crônica que publiquei no DIÁRIO na edição de 6 de novembro de 2018, à página 4 : “ Em 2007, a Secretaria Municipal de Turismo de Santa Maria – leia-se Paulinho Ceccin – pensou em construir um monumento em homenagem à N. S. Medianeira, padroeira do Rio Grande do Sul (muita gente pensa que é São Pedro). O monumento seria construído no Morro do Cechella e teria todos os equipamentos modernos em seu entorno, como vias de acesso, capela, lancheria, mirantes, museu para contar a história da santa, restaurantes, vendas de lembranças e postais, policiamento. Seria uma obra gigantesca que atrairia milhares de turistas brasileiros e estrangeiros, pois seria o maior monumento brasileiro do gênero, planejada por artistas e técnicos santa-marienses, sob a direção do J. Amoretti. A prefeitura municipal não gastaria nada, pois todo dinheiro viria de doações, captação de recursos particulares e verbas do Ministério do Turismo. Na edição de 28/29 de julho de 2007 (sábado/domingo) de A Razão, publiquei e assinei matéria de página inteira sob o título “Até a Medianeira é repudiada aqui !? “. Fi-lo porque tão logo foi lançada a ideia pela construção do monumento setores obscurantistas iniciaram feroz campanha contra a iniciativa do então secretário Paulinho Ceccin. Essas pessoas nem se deram conta da vocação que Santa Maria tem para o turismo religioso. E ficaram contra a ideia mas não fizeram proposta alternativa em seu lugar. Nunca falei sobre isso com o Paulinho Ceccin. Nem com dom Hélio, bispo à época. Nem com ninguém. E ninguém me pediu para escrever a favor à época porque nunca aceitei escrever coisas por encomenda. Nem tão pouco apoiei a iniciativa por ser católico apostólico romano, praticante e convicto. Quisessem os umbandistas construir monumento semelhante em homenagem à Iemanjá, estaria eu a favor. Quisessem os meus amigos espíritas homenagear Allan Kardec com um monumento de igual tamanho, contariam com meu apoio. Sou de profunda formação ecumênica. E sempre fui A FAVOR DO DESENVOLVIMENTO E DO TURISMO DA MINHA CIDADE NATAL !!! Tivesse o projeto sido aprovado e construído teríamos hoje no morro do Cechella o maior monumento religioso do Brasil iluminando a noite santa-mariense: a santinha em sua posição original, de braços abertos, feericamente iluminada, maternal e generosamente acolhendo em seu seio todos os santa-marienses e gaúchos. Além do turismo rendendo divisas para nosso município. Que Nossa Senhora Medianeira ilumine a cabeça burra dos muitos que teimam em lutar contra o progresso de nossa querida cidade natal.” Lembro sempre do que dizia em suas aulas meu saudoso amigo e professor de Botânica Sistemática, médico e historiador Romeu Beltrão : “Santa Maria tem caveira de burro enterrada!”