terça-feira, 3 de novembro de 2009

OS CRISTÃOS DE MERDA - James Pizarro


O que nós, católicos, fazemos na VIDA REAL para mudar ? O que fazemos para mudar a si mesmo e ao mundo ?

Quem gosta de apenas assistir missa e cânticos e louvores em excesso, quem gosta apenas de "servir ao altar" (sem nunca ter sabido ou lido sobre a "opção pelos pobres " pós-Vaticano II)...acha que é mesmo um cristão ?

Quem sai da missa e já na calçada fica criticando as pessoas da Igreja a quem chama hipocritamente de "irmão"...ou criticando e fofoqueando dos padres e até fazendo análise de moda das roupas dos ministros...acha mesmo que é um cristão ?

Quem acha que vai ser julgado post-mortem apenas pelo dízimo que deu ou pelo número de missas que assistiu distraidamente....ou que acha que o sermão do padre é longo demais...acha que é cristão ?

Quem não tolera aceitar as diferenças...quem acha que o outro está errado apenas porque não pensa idêntico a si...quem vê perigos diante de qualquer coisa nova trazida como contribuição por um novo paroquiano...acha que é mesmo um cristão ?

Pense...reflita...como eu tenho tentado fazer.

Por isso eu cada vez me descondiciono mais de coisas que não são prioritárias, como aparência, roupas, demonstrações fenotípicas. E dentro da Igreja apenas procuro fazer bem as coisas inerentes aos meus encargos...sem jamais buscar cargos.

Esta é uma das vantagens da maturidade : diante das "últimas providências" sobre as quais tão bem nos fala a Escatologia, a gente fica despojado de idéias de domínio, posse, cargos, poder. E pode - finalmente - com notável exatidão ENTENDER a mensagem de Cristo.

Porque enquanto não trocamos a visão de mundo e a conduta, podemos até imaginar que somos cristãos.
Mas é um ledo engano. Somos arremedos de cristãos. Estamos travestidos de cristãos.

Ser cristão é seguir à risca o que disse São Paulo : amar aos inimigos.
É ficar do lado dos "excluídos", sobre os quais tão bem nos fala Mateus, no capítulo 25.
Ficar sempre ao lado dos doentes, humildes, famintos, deficientes de qualquer ordem, putas, aidéticos, dependentes químicos.
Ficar ao lado de toda a escória humana, toda sucata humana, forjada por esta brutal sociedade de consumo deste capitalismo selvagem.

Quem não pensar e agir assim é um cristão de merda !
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AUTOR : James Pizarro, 3/11/2009, Florianópolis (Canasvieiras)

3 comentários:

aminhapele disse...

Estou de acordo com o teu pensamento,querido amigo.
Acho que a conclusão é que é demasiado radical.
Há cristãos verdadeiros que,por educação,tiram conclusões mais fraternas.
Dentro dos MANDAMENTOS,por exemplo,penso que é lícito dizer:
"Não roubarás,nem deixarás que te roubem".
Um abraço.

Lúcia Soares disse...

Concordo plenamente. Sinto-me pouco cristã,às vezes. Mas na maior parte do tempo, sigo todos os preceitos e me envolvo com os problemas do próximo.
Com mãe idosa, 2 irmãos dependentes (mental e neurológico), irmão envolvido com o que não devia, "penca" de sobrinhos, netos, etc, é difíil não praticar o cristianismo. Começando pela caridade, que São Paulo tão bem ensina.Mas não é fácil, definitivamente.
Na realidade, a gente só encontra verddeiramente a Deus na maturidade. Muito difícil entender todas as questões, todas as proibições das religiões, afastando-nos, em vez de nos agregar. Difícil tema. Abraços.

CCMaia disse...

Em criança eu já me questionava muito sobre muita coisa, isso porque estudei em colégio de freiras e apanhei muito para decorar a porcaria dos 10 mandamentos. Sempre sinto coceira na língua quando me aparece alguém pela frente batendo no peito que é de Jesus, reza, depois senta e fala mal da cunhada, da nora, da vizinha... Gozado também que as pessoas mais religiosas são as mais preconceituosas, pior ainda que se intitulam de "os escolhidos". Isso me dá ânsia. A ironia e o mais triste é que muitos desses religiosos sequer entendem as mensagens de Cristo. Para zerar meu mal estar perto dessas pessoas, exercito a tolerância lembrando das sábias palavras: "Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem". Afinal ignorância não é pecado, estamos todos por aqui aprendendo, sempre.