sexta-feira, 8 de abril de 2016

O MEU UNIVERSO DE GURI - James PIZARRO


Passei minha infância numa casa situada no alto dos barrancos da rua Silva Jardim, em Santa Maria, RS. Distante uns cinquenta metros do arroio Cadena. Que naquela época corria a céu aberto. Hoje está canalizado. E corre anônimo sob o Parque Itaimbé. O Cadena tinha lambaris. Tartarugas. Sapos. Rãs. Cobras. E era cercado por uma mata de galeria.
Minha casa ficava ao lado da casa da minha avó materna, dona Olina. Os dois pátios eram unidos. Pareciam uma chácara na zona central da cidade. Onde existia de tudo. Pitangueiras. Laranjeiras. Limoeiros. Bananeiras. Araçás. Jaboticabeiras. Na casca dessas árvores quantidades de orquídeas. E toda uma variedade imensa de chás. Que compunham a medicina caseira da minha avó. Uma bem cuidada horta com canteiros que eram adubados com esterco de galinha, proveniente de um enorme galinheiro. Onde estavam desde inocentes garnizés até galinhas de raça, de elevada postura. Minha avó criava cabritas. Até meus onze ou doze anos sempre tomei leite de cabra. Quentinho. Espumoso. Direto do balde onde minha avó apojava todo dia aquelas cabritas. Todas elas pretas. Também tinha gatos. Que não eram da minha simpatia. E cachorros. Os gatos eram predileção do meu avô Fredolino. Os cães eram os favoritos de minha avó e de minha mãe. Meu pai tinha caturritas que azucrinavam os ouvidos da gente chamando-lhe pelo nome : "Alfeu, Alfeu, Alfeu..." Existiam coelhos angorás que cavavam túneis e tocas por todo o pátio. Na frente da casa um belo e cuidado jardim.
Enfim, meu pátio era uma coisa inimaginável para a geração de crianças de hoje. Criadas em apartamentos. E que só conhecem galinhas congeladas. E demais animais apenas pela televisão.
Meus quatro avós já morreram. Meus sogros e meu pai também.
E não existem mais caturritas que chamam "Alfeu."

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