quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O CARNAVAL - James Pizarro (Jornal A RAZÃO, dia 19/1/2017)



COLUNISTAS

O Carnaval


James Pizarro

por James Pizarro em 18/01/2017
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Nascido e criado nos barrancos da Silva Jardim, a poucos metros do arroio Cadena, hoje escondido embaixo do Parque Itaimbé, convivi desde criança com os festejos carnavalescos. Na Rua Dutra Villa, na década de 50, morava meu querido amigo Marino Xavier, o popular “Tomate” , funcionário da Panificadora da Subsistência Militar e árbitro de futebol.
No pátio de sua casa eram realizados os ensaios do célebre bloco de carnaval “Bota que eu bebo”, do qual muito bem lembro o Catixa, massagista do Internacional de Santa Maria, empunhando o estandarte de lantejoulas pretas e brancas.
Este bloco seria o embrião do que viria a ser, décadas depois, a Escola de Samba Unidos do Itaimbé. Eu assisti todos os ensaios deste bloco desde que me conheço por gente. Os vizinhos colaboravam com frios e cada um levava sua própria bebida.
Já mais adiante comecei a frequentar as reuniões dançantes carnavalescas dos clubes Santa-mariense e Caixeiral, que começavam às 15h e terminavam às 19h. Guardo com carinho as fotos desta época, com carapuça na cabeça, inocentes rolos de serpentina e sacos de confete nas mãos. Tudo comprado com dinheiro suado economizado das mesadas.
Já adulto, casado, muito participei com meus pais e amigos das iniciativas e promoções da Escola de Samba “Unidos do Itaimbé”, pois meu pai foi da diretoria por anos a fio. Lembro dos churrascos, risotos, mocotós, rifas, desfiles, festas, bailes, livros de ouro, mensalidades de associados, doações pedidas na iniciativa privada e demais iniciativas promovidas pelos membros da escola para arrecadar fundos para os desfiles.
Lembro de muitos deles : Luizinho e ZaIra de Grandi, Alfeu e Iria Pizarro, Luiz Carlos e Iara Druzian, Paivinha, etc...
Dezenas de artigos escrevi sobre temas carnavalescos para A Razão nos últimos 50 anos. Por dois anos fui jurado do quesito “Samba-enredo” dos desfiles de Carnaval de Santa Maria. Portanto, ninguém pode duvidar que eu não goste das folias de Momo.
Nos 10 anos em que morei em Florianópolis não deixei de acompanhar nunca os desfiles na passarela “Negu Kiridu”, assim como acompanho todo santo ano os desfiles do RJ pela TV, pois acho o mais belo espetáculo artístico-musical do Planeta.
Nos lugares que frequento diariamente (barbearia, cafeteria,calçadão, troca de figurinhas de futebol, portaria do condomínio, “Boca Maldita”) um dos temas dominantes nas conversas é este: “Deve a Prefeitura, num momento de crise como o atual usar dinheiro dos impostos para auxiliar as escolas de samba?”
Democraticamente, sem fazer qualquer juízo de valor, opinar ou influenciar e apenas colocando a pergunta tal qual está posta, fiz uma enquete no meu facebook durante 48 horas.
Resultado: 141 pessoas responderam (devidamente identificadas). Duas pessoas ficaram indecisas, duas responderam SIM (que a prefeitura deveria auxiliar) e 137 responderam NÃO (que no momento atual este tipo de auxílio não era prioritário).
Não opinei na pesquisa. Não opino agora também. O leitor tire suas conclusões.

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