terça-feira, 10 de outubro de 2017

QUE SAUDADE PUNGENTE DO MISTÉRIO DOS QUINTAIS...- James Pizarro (crônica no Diário de Santa Maria, edição de 10.10.2017)



Corriam os anos 80 quando conheci os irmãos Dimitri e Negendre Arbo. Ao redor da piscina do Avenida Tênis Clube. Tocando violão. Cantando e tocando músicas renascentistas. Em pouco tempo nos tornamos grandes amigos. Para sempre. Ainda mais quando fiquei sabendo que eram filhos do meu amigo Antônio Carlos Arbo. Poeta e colega da UFSM. Autor do livro “Tempoema”. A mãe, professora estadual, talentosa pintora, fazia telas de pandorgas. Enfim, uma família de artistas.
Os dois irmãos formavam um duo conhecido pelo nome de “QUINTAL DE CLOROFILA”. Dimitri e Negendre tocavam múltiplos instrumentos. E eram compositores também. Costumavam cantar apenas o que compunham. As letras geralmente eram feitas com o auxílio do pai.
Dimitri tocava viola 12 cordas, saxofone e quatro tipos de flauta (transversa, doce, soprano e contralto), ocarina, percussão. Negendre tocava violão, casio, banjo, guitarra, bandolim, percussão, metalofone, microharpa, porongo.
Resolveram gravar um disco. As pessoas adquiriram o mesmo antecipadamente a fim de que o sonho pudesse ser realizado. O que ocorreu em 1983. O disco se chamou “O MISTÉRIO DOS QUINTAIS”. Tinha 10 faixas. Todas de autoria dos irmãos. Lembro de todas : As alamedas, Jornada, Drakkars, Liverpool, Gotas de Seresta, Viver, O último cigano, Jardim das delícias, Balada da ausência, O mistério dos quintais.
Eu tinha um programa de Ecologia na Rádio Universidade, chamado “Antes que a Natureza Morra”, que ficou 26 anos no ar. E levei o Dimitri e o Negendre para tocarem as músicas de fundo ecológico no meu programa, mesmo antes deles terem gravado o disco. Foi a primeira vez que eles se apresentaram em rádio.
Também quando eu promovi em Santa Maria o primeiro EEEE – Encontro Estadual de Entidades Ecologistas do RS, convidei o “Quintal de Clorofila” para se apresentar para mais de 150 ecologistas gaúchos, políticos, estudantes e imprensa que cobria o encontro. Também levei os mesmos para se apresentarem para os alunos do cursinho pré-vestibular MASTER, onde eu ministrava aulas de Biologia.
Teve grande repercussão o lançamento do disco devido ao inusitado das músicas, das letras, arranjos, pois tudo era muito avançado para a época. Lembro que houve uma apresentação da dupla no encerramento da edição dominical do FANTÁSTICO.
Até hoje não sei porque não saiu o segundo disco do QUINTAL DE CLOROFILA. O Antônio Carlos Carlos Arbo faleceu, infelizmente. Os familiares – e também os irmãos Dimitri e Negendre – foram morar em Foz do Iguaçu. E a cidade ficou órfã desta dupla que fez um tipo de música visionária, revolucionária para seu tempo, que encantou nossa cidade. E que faz a gente sentir saudade até hoje.
Principalmente diante da mediocridade musical que a TV despeja na nossa cara diariamente.

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