Lembrei das aulas de geografia logo que vim morar na beira do mar. Das lições aprendidas quando fui escoteiro da Tropa Henrique Dias, em Santa Maria, RS. Quando era imprescindível saber os pontos cardeais. Norte. Sul. Leste. Oeste.
Pois aqui na praia, décadas depois, isso tudo me foi útil. Afinal, estou numa ilha. A ilha da magia de Florianópolis. Na praia de Canasvieiras tive logo de saber onde era o leste e o oeste. Foi fácil. Pois o sol nasce no Leste e se põe no Oeste.
E logo pude aprender sobre os dois ventos básicos : o "terral" e o "maral" (também chamado "lestada") O vento terral sopra de oeste para leste, isto é, da terra para o mar, quase sempre quente. O vento maral ou lestada sopra de leste para oeste, quase sempre frio e anunciando chuva.
Os surfistas da Praia Brava e da Praia da Armação me passaram também a lição : vento terral não deixa a onda explodir rapidamente, ela fica perfeita e ótima para a prática do esporte (vento chamado "offshore wind"). Já o vento maral deixa o mar mexido, impróprio para o esporte, com ressaca (vento chamado "onshore wind").
E o Nilzo Ivo Ladwig, professor universitário da UNISUL, nascido em Restinga Seca (na Grande Santa Maria) complementou as explicações sobre ventos numa das conversas pós-almoço no Bar do Chico, na beira da praia. O "alemão Nilzo" - como é carinhosamente chamado - é casado com a Diuris, santa-mariense formada em Geografia na UFSC. Estão em Florianópolis há muitos anos e são, junto com outros amigos, nossos grandes "orientadores" sobre como decodificar o "modus vivendi" na ilha. Como entender a história e geografia daqui. Como compreender o simpático povo manezinho. Que tão bem recebe a quem chega para somar.
Quando um homem quer aprender até sobre os ventos da nova terra é porque ele veio para construir. E ficar.
Para sempre !
*****************************
AUTOR : James Pizarro
Mar de lestada com mais de dois metros de tamanho. Altas ondas no começo do verão na praia do Matadeiro, no sul da ilha de Floripa-SC. (Vídeo :http://www.youtube.com/user/surftownn)
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
sábado, 11 de setembro de 2010
EL VINO - Alberto Cortez
Dedico este poema aos meus amigos argentinos
que residem em Canasvieiras e também
às centenas de turistas argentinos que se tornaram meus amigos,
sobretudo aos residentes em Rosario (Santafe) e Buenos Aires.
Um carinho especial para Suzana e Lorena Orieta, Daniel Simo e família, Daniel Anania e Agustina Anania, Graciela Anania, Horacio Oscar Giordano e família, Mónica Montanaro e esposo.
*****************************
EL VINO
Composição e interpretação : Alberto Cortez
"Sí señor... el vino puede sacar
cosas que el hombre se calla;
que deberían salir
cuando el hombre bebe agua.
Va buscando, pecho adentro,
por los silencios del alma
y les va poniendo voces
y los va haciendo palabras.
A veces saca una pena,
que por ser pena, es amarga;
sobre su palco de fuego,
la pone a bailar descalza.
Baila y bailando se crece,
hasta que el vino se acaba
y entonces, vuelve la pena
a ser silencio del alma.
El vino puede sacar
cosas que el hombre se calla.
Cosas que queman por dentro,
cosas que pudren el alma
de los que bajan los ojos,
de los que esconden la cara.
El vino entonces, libera
la valentía encerrada
y los disfraza de machos,
como por arte de magia...
Y entonces, son bravucones,
hasta que el vino se acaba
pues del matón al cobarde,
solo media, la resaca.
El vino puede sacar
cosas que el hombre se calla.
Cambia el prisma de las cosas
cuando más les hace falta
a los que llevan sus culpas
como una cruz a la espalda.
La puta se piensa pura,
como cuando era muchacha
y el cornudo regatea
la medida de sus astas.
Y todo tiene colores
de castidad, simulada,
pues siempre acaban el vino
los dos, en la misma cama.
El vino puede sacar
cosas que el hombre se calla.
Pero... ¡qué lindo es el vino!.
El que se bebe en la casa
del que está limpío por dentro
y tiene brillando el alma.
Que nunca le tiembla el pulso,
cuando pulsa una guitarra.
Que no le falta un amigo
ni noches para gastarlas.
Que cuando tiene un pecado,
siempre se nota en su cara...
Que bebe el vino por vino
y bebe el agua, por agua."
que residem em Canasvieiras e também
às centenas de turistas argentinos que se tornaram meus amigos,
sobretudo aos residentes em Rosario (Santafe) e Buenos Aires.
Um carinho especial para Suzana e Lorena Orieta, Daniel Simo e família, Daniel Anania e Agustina Anania, Graciela Anania, Horacio Oscar Giordano e família, Mónica Montanaro e esposo.
*****************************
EL VINO
Composição e interpretação : Alberto Cortez
"Sí señor... el vino puede sacar
cosas que el hombre se calla;
que deberían salir
cuando el hombre bebe agua.
Va buscando, pecho adentro,
por los silencios del alma
y les va poniendo voces
y los va haciendo palabras.
A veces saca una pena,
que por ser pena, es amarga;
sobre su palco de fuego,
la pone a bailar descalza.
Baila y bailando se crece,
hasta que el vino se acaba
y entonces, vuelve la pena
a ser silencio del alma.
El vino puede sacar
cosas que el hombre se calla.
Cosas que queman por dentro,
cosas que pudren el alma
de los que bajan los ojos,
de los que esconden la cara.
El vino entonces, libera
la valentía encerrada
y los disfraza de machos,
como por arte de magia...
Y entonces, son bravucones,
hasta que el vino se acaba
pues del matón al cobarde,
solo media, la resaca.
El vino puede sacar
cosas que el hombre se calla.
Cambia el prisma de las cosas
cuando más les hace falta
a los que llevan sus culpas
como una cruz a la espalda.
La puta se piensa pura,
como cuando era muchacha
y el cornudo regatea
la medida de sus astas.
Y todo tiene colores
de castidad, simulada,
pues siempre acaban el vino
los dos, en la misma cama.
El vino puede sacar
cosas que el hombre se calla.
Pero... ¡qué lindo es el vino!.
El que se bebe en la casa
del que está limpío por dentro
y tiene brillando el alma.
Que nunca le tiembla el pulso,
cuando pulsa una guitarra.
Que no le falta un amigo
ni noches para gastarlas.
Que cuando tiene un pecado,
siempre se nota en su cara...
Que bebe el vino por vino
y bebe el agua, por agua."
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
"O ROM-ROM DO GATINHO"
O que vale no artista é a sua capacidade de captar o cotidiano.
E transforma-lo numa obra-de-arte.
Quantas pessoas teriam condições de ouvir o rom-rom de um gato e fazer uma música como Adriana Calcanhoto fez para o poema do Ferreira Gullar ?
Escrita originalmente para um público infantil, esta música ganhou também o coração dos adultos.
Eu sou um cachorreiro assumido, amo cães.
Como sempre fui honesto nos meus textos, confesso que gatos não conquistam meu coração. Embora jamais tenha tratado mal algum deles, não consigo manter relações de afeto com os mesmos.
Porque meu coração é dos cachorros.
Mas essa música da Adriana (que casou dia 9/de setembro em Paris, com Suzana Moraes, filha do poeta Vinicius de Moraes) é linda demais.
Só uma artista como Adriana poderia fazer poesia do rom-rom dos gatos.
Não interessa que esta música não esteja na mídia.
Ela está no meu coração.
Só por isso quis repartí-la com vocês.
***************************
AUTOR : James Pizarro
O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.
Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.
É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso ele faz ron-ron
para mostrar gratidão.
No passado se dizia
que esse ron-ron tão doce
era causa de alergia
pra quem sofria de tosse.
Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ron-ron em seu peito
não é doença - é carinho
E transforma-lo numa obra-de-arte.
Quantas pessoas teriam condições de ouvir o rom-rom de um gato e fazer uma música como Adriana Calcanhoto fez para o poema do Ferreira Gullar ?
Escrita originalmente para um público infantil, esta música ganhou também o coração dos adultos.
Eu sou um cachorreiro assumido, amo cães.
Como sempre fui honesto nos meus textos, confesso que gatos não conquistam meu coração. Embora jamais tenha tratado mal algum deles, não consigo manter relações de afeto com os mesmos.
Porque meu coração é dos cachorros.
Mas essa música da Adriana (que casou dia 9/de setembro em Paris, com Suzana Moraes, filha do poeta Vinicius de Moraes) é linda demais.
Só uma artista como Adriana poderia fazer poesia do rom-rom dos gatos.
Não interessa que esta música não esteja na mídia.
Ela está no meu coração.
Só por isso quis repartí-la com vocês.
***************************
AUTOR : James Pizarro
O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.
Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.
É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso ele faz ron-ron
para mostrar gratidão.
No passado se dizia
que esse ron-ron tão doce
era causa de alergia
pra quem sofria de tosse.
Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ron-ron em seu peito
não é doença - é carinho
terça-feira, 7 de setembro de 2010
" EL AROMO "
Registro aqui, com grande alegria, este precioso texto assinado por DIEGO BARONI GUTERRES (Alegrete, RS). Este texto me foi repassado pelo grande amigo de tantas décadas MAURO MENEZES, de Santa Maria, RS. Mauro foi Juiz de Direito na comarca de Santa Maria e reside em Florianópolis, há 15 anos. Ele e a Beth, sua esposa, nos receberam de braços abertos aqui nesta ilha da magia. Para melhor ilustrar o texto faço a postagem da gravação de Athaualpa Yupanqui declamando e cantando "El Aromo".
***************************************
"Nas minhas andanças rotineiras entre a Campanha e a Fronteira Oeste, parei um dia para apreciar uma árvore que existe no costado de um cerro na margem da BR-290. Voltava numa tarde de domingo para Alegrete, cidade onde atualmente resido, e chamou a minha atenção uma pequena árvore enraizada na fenda de uma pedra, com o caule contorcido e com a copa verdejante. Parei o carro e fiquei contemplando ela e o cenário à sua volta. Depois, tirei uma foto para guardar como recordação daquele momento e daquele iluminado ser. Sendo mais preciso, o local está situado na metade do caminho entre Alegrete e Rosário do Sul, perto de onde tem uma placa que indica faltarem 55 km para chegar em Alegrete. A árvore está ao norte da estrada.
Pois bem, enquanto contemplava aquele “arbolito”, lembrei do tema “El aromo”, de Romildo Risso (o mesmo autor de Los Ejes de mi Carreta) e de Atahualpa Yupanqui. O Aromo, como é chamado na Argentina, é o mesmo Espinilho (Acacia caven (Mol.) Molina) que temos aqui no RS, leguminosa da família Mimosaceae. Embora não tenha relação alguma com a árvore que relato, pois se tratam de espécies diferentes, o contexto de vida do Aromo do poema é o mesmo da árvore que lá na costa do cerro passa os seus dias:
Hay un aromo nacido
en la grieta de una piedra.
Parece que la rompió
pa’ salir de adentro de ella.
Está en un alto pelao
no tiene ni un yuyo cerca
viéndolo solo y florido
tuíto el monte lo envidea.
Lo miran a la distancia
árboles y enredaderas,
diciéndose con rencor
¡pa’ uno solo, cuánta tierra!
En oro le ofrece al sol
pagar la luz que le presta
y como tiene de más,
puñao por el suelo siembra.
Salud, plata y alegría
tuíto al aromo le suebra
asegún ven los demás
desde el lugar que lo observan.
Pero hay que dir y fijarse
cómo lo estruja la piedra,
fijarse que es un martirio
la vida que le envidean.
En ese rajón el árbol
nació por su mala estrella,
y en vez de morirse triste
se hace flores de sus penas.
Como no tiene reparo
todos los vientos le pegan,
las heladas lo castigan,
l’agua pasa y no se queda.
Ansina vive el aromo
sin que ninguno lo sepa
con su poquito de orgullo
porque justo es que lo tenga.
Pero con l’alma tan linda
que no le brota una queja
que no teniendo alegrías
se hace flores de sus penas.
Eso habrían de envidiarle
los otros si lo supieran.
Pero con ‘l alma tan linda
que no le brota una queja,
que no teniendo alegrías
se hace flores de sus penas.
Essa poesia diz muita coisa, transmitindo uma grande mensagem de vida. Muitas vezes julgamos as pessoas a partir das nossas pressuposições, sem conhecer a realidade das suas vidas. Atrevemo-nos a concluir que determinadas pessoas são “isso” ou são “aquilo”, mas não nos preocupamos em tentar entender o porquê das coisas. Sem saber a história da vida dos outros, sem saber das suas experiências, não há como entender aquilo que eles externam através das suas atitudes. Por essa razão, estamos sujeitos a confundir timidez com antipatia, extroversão com insegurança, entre tantos outros comportamentos. E o que nem sempre fazemos é admirar as virtudes. Às vezes, uma pessoa está fazendo o melhor de si, e, por um defeito seu, rotulamo-la por essa falha, desconsiderando os tantos valores que ela talvez possa possuir. Esse tipo de julgamento está expresso na mensagem do Risso: “Lo miran a la distancia / árboles y enredaderas, / diciéndose con rencor / ¡pa’ uno solo, cuánta tierra!”.
Todavia, sabemos que existem muitas pessoas que possuem circunstâncias de vida difícil, árdua, de sofrimento, mas que procuram ser alegres, bondosas, justas, honestas, educadas, etc. E é isso que devemos apreciar e buscar praticar no nosso dia-a-dia. Quantas vezes nos encontramos em meio a lamentações por coisas tão simples, das quais fazemos um problemão, esquecendo de tudo de bom que temos? Quantas vezes reclamamos da vida e sem uma verdadeira razão? Talvez devêssemos levar bem clara na alma a história do Aromo: “Ansina vive el aromo / sin que ninguno lo sepa / con su poquito de orgullo / porque justo es que lo tenga. // Pero con l’alma tan linda / que no le brota una queja / que no teniendo alegrías / se hace flores de sus penas. / Eso habrían de envidiarle / los otros si lo supieran”.
Nesse contexto, podemos perceber a grandiosidade de Romildo Risso e também de Atahualpa Yupanqui e entender o motivo da imortalidade das suas obras: deixaram mensagens universais através da arte, da poesia, da música, do sentimento. A brilhante analogia do Aromo enraizado na fenda da pedra, fazendo flores das suas dores, faz refletir sobre a vida, sobre as atitudes do cotidiano, faz olhar para a natureza com mais profundidade. Vale parar para apreciar esta árvore ao passar naquele lugar, vale muito ouvir o tema “El Aromo” (do disco “A que le llamaman distancia” de Atahualpa Yupanqui), vale parar para observar a natureza e pensar na vida.
Diego Baroni Guterres
Alegrete, 22 de agosto de 2010."
*******************************
***************************************
"Nas minhas andanças rotineiras entre a Campanha e a Fronteira Oeste, parei um dia para apreciar uma árvore que existe no costado de um cerro na margem da BR-290. Voltava numa tarde de domingo para Alegrete, cidade onde atualmente resido, e chamou a minha atenção uma pequena árvore enraizada na fenda de uma pedra, com o caule contorcido e com a copa verdejante. Parei o carro e fiquei contemplando ela e o cenário à sua volta. Depois, tirei uma foto para guardar como recordação daquele momento e daquele iluminado ser. Sendo mais preciso, o local está situado na metade do caminho entre Alegrete e Rosário do Sul, perto de onde tem uma placa que indica faltarem 55 km para chegar em Alegrete. A árvore está ao norte da estrada.
Pois bem, enquanto contemplava aquele “arbolito”, lembrei do tema “El aromo”, de Romildo Risso (o mesmo autor de Los Ejes de mi Carreta) e de Atahualpa Yupanqui. O Aromo, como é chamado na Argentina, é o mesmo Espinilho (Acacia caven (Mol.) Molina) que temos aqui no RS, leguminosa da família Mimosaceae. Embora não tenha relação alguma com a árvore que relato, pois se tratam de espécies diferentes, o contexto de vida do Aromo do poema é o mesmo da árvore que lá na costa do cerro passa os seus dias:
Hay un aromo nacido
en la grieta de una piedra.
Parece que la rompió
pa’ salir de adentro de ella.
Está en un alto pelao
no tiene ni un yuyo cerca
viéndolo solo y florido
tuíto el monte lo envidea.
Lo miran a la distancia
árboles y enredaderas,
diciéndose con rencor
¡pa’ uno solo, cuánta tierra!
En oro le ofrece al sol
pagar la luz que le presta
y como tiene de más,
puñao por el suelo siembra.
Salud, plata y alegría
tuíto al aromo le suebra
asegún ven los demás
desde el lugar que lo observan.
Pero hay que dir y fijarse
cómo lo estruja la piedra,
fijarse que es un martirio
la vida que le envidean.
En ese rajón el árbol
nació por su mala estrella,
y en vez de morirse triste
se hace flores de sus penas.
Como no tiene reparo
todos los vientos le pegan,
las heladas lo castigan,
l’agua pasa y no se queda.
Ansina vive el aromo
sin que ninguno lo sepa
con su poquito de orgullo
porque justo es que lo tenga.
Pero con l’alma tan linda
que no le brota una queja
que no teniendo alegrías
se hace flores de sus penas.
Eso habrían de envidiarle
los otros si lo supieran.
Pero con ‘l alma tan linda
que no le brota una queja,
que no teniendo alegrías
se hace flores de sus penas.
Essa poesia diz muita coisa, transmitindo uma grande mensagem de vida. Muitas vezes julgamos as pessoas a partir das nossas pressuposições, sem conhecer a realidade das suas vidas. Atrevemo-nos a concluir que determinadas pessoas são “isso” ou são “aquilo”, mas não nos preocupamos em tentar entender o porquê das coisas. Sem saber a história da vida dos outros, sem saber das suas experiências, não há como entender aquilo que eles externam através das suas atitudes. Por essa razão, estamos sujeitos a confundir timidez com antipatia, extroversão com insegurança, entre tantos outros comportamentos. E o que nem sempre fazemos é admirar as virtudes. Às vezes, uma pessoa está fazendo o melhor de si, e, por um defeito seu, rotulamo-la por essa falha, desconsiderando os tantos valores que ela talvez possa possuir. Esse tipo de julgamento está expresso na mensagem do Risso: “Lo miran a la distancia / árboles y enredaderas, / diciéndose con rencor / ¡pa’ uno solo, cuánta tierra!”.
Todavia, sabemos que existem muitas pessoas que possuem circunstâncias de vida difícil, árdua, de sofrimento, mas que procuram ser alegres, bondosas, justas, honestas, educadas, etc. E é isso que devemos apreciar e buscar praticar no nosso dia-a-dia. Quantas vezes nos encontramos em meio a lamentações por coisas tão simples, das quais fazemos um problemão, esquecendo de tudo de bom que temos? Quantas vezes reclamamos da vida e sem uma verdadeira razão? Talvez devêssemos levar bem clara na alma a história do Aromo: “Ansina vive el aromo / sin que ninguno lo sepa / con su poquito de orgullo / porque justo es que lo tenga. // Pero con l’alma tan linda / que no le brota una queja / que no teniendo alegrías / se hace flores de sus penas. / Eso habrían de envidiarle / los otros si lo supieran”.
Nesse contexto, podemos perceber a grandiosidade de Romildo Risso e também de Atahualpa Yupanqui e entender o motivo da imortalidade das suas obras: deixaram mensagens universais através da arte, da poesia, da música, do sentimento. A brilhante analogia do Aromo enraizado na fenda da pedra, fazendo flores das suas dores, faz refletir sobre a vida, sobre as atitudes do cotidiano, faz olhar para a natureza com mais profundidade. Vale parar para apreciar esta árvore ao passar naquele lugar, vale muito ouvir o tema “El Aromo” (do disco “A que le llamaman distancia” de Atahualpa Yupanqui), vale parar para observar a natureza e pensar na vida.
Diego Baroni Guterres
Alegrete, 22 de agosto de 2010."
*******************************
domingo, 5 de setembro de 2010
VALDIR AGOSTINHO : "Sereia Manezinha" ou "Reggae da Tainha "
Letra : Julio Cesar Cruz
Cantor : Valdir Agostinho
Música : Gazu e Luiz Maia
Os músicos (todos da banda "Coletivo Operante) são :
Guitarra e backing vocal : Ulysses Dutra
Baixo e engenharia de som : Luiz Maia
Bateria : Guilherme Ledoux.
Ouça/veja este belo vídeo e preste muita atenção na talentosa letra, cheia de inteligentes trocadilhos que só podem ser percebidos em toda sua plenitude por quem convive e adora a população nativa da ilha, entre os quais me incluo.
Para melhor curtir esta linda música, ouça e acompanhe a letra :
“Sereia manezinha”
(Letra: Júlio César Cruz / Música: Gazu e Luiz Maia)
Eu quero você na minha
Minha sereia manezinha
Vou te fisgar na minha linha
Enquanto isso eu cantando
O Reggae da Tainha
Eu quero beijar a sardinha do teu rosto
E me perder nas curvinas do teu corpo
Hoje nem que enchova eu vou fazer
Um beijo de linguado vou robalo de você
Ser seu namorado, peixe-espada só pra ver
Tirar tua garoupa e um sargo pra valer
Pra amariscolhi você e vou te prometer
Serei o primeiro dos que camarão você
Eu quero você na minha
Minha sereia manezinha
Vou te fisgar na minha linha
Enquanto isso eu cantando
O Reggae da Tainha
Elagosta muito é de aparecer
Para aquele polvo que trabalha na TV
Mas uma cavala assim como você
Eu não dou de badejo pra ninguém que aparecer
Não penso em ostra coisa que não seja você
Até arraia o dia eu quero te ter
Mas se ta tu irada não fique assim mais não
Pois foi de cara peva que eu fiz essa cação
Eu quero você na minha
Minha sereia manezinha
Vou te fisgar na minha linha
Enquanto isso eu cantando
O Reggae da Tainha
****************************************
AUTOR : James Pizarro
Cantor : Valdir Agostinho
Música : Gazu e Luiz Maia
Os músicos (todos da banda "Coletivo Operante) são :
Guitarra e backing vocal : Ulysses Dutra
Baixo e engenharia de som : Luiz Maia
Bateria : Guilherme Ledoux.
Ouça/veja este belo vídeo e preste muita atenção na talentosa letra, cheia de inteligentes trocadilhos que só podem ser percebidos em toda sua plenitude por quem convive e adora a população nativa da ilha, entre os quais me incluo.
Para melhor curtir esta linda música, ouça e acompanhe a letra :
“Sereia manezinha”
(Letra: Júlio César Cruz / Música: Gazu e Luiz Maia)
Eu quero você na minha
Minha sereia manezinha
Vou te fisgar na minha linha
Enquanto isso eu cantando
O Reggae da Tainha
Eu quero beijar a sardinha do teu rosto
E me perder nas curvinas do teu corpo
Hoje nem que enchova eu vou fazer
Um beijo de linguado vou robalo de você
Ser seu namorado, peixe-espada só pra ver
Tirar tua garoupa e um sargo pra valer
Pra amariscolhi você e vou te prometer
Serei o primeiro dos que camarão você
Eu quero você na minha
Minha sereia manezinha
Vou te fisgar na minha linha
Enquanto isso eu cantando
O Reggae da Tainha
Elagosta muito é de aparecer
Para aquele polvo que trabalha na TV
Mas uma cavala assim como você
Eu não dou de badejo pra ninguém que aparecer
Não penso em ostra coisa que não seja você
Até arraia o dia eu quero te ter
Mas se ta tu irada não fique assim mais não
Pois foi de cara peva que eu fiz essa cação
Eu quero você na minha
Minha sereia manezinha
Vou te fisgar na minha linha
Enquanto isso eu cantando
O Reggae da Tainha
****************************************
AUTOR : James Pizarro
sábado, 4 de setembro de 2010
A VIDA QUE SE ESVAI...
A turma entrou na UFSM em 1963. Quase todos pobres. Ou de classe média baixa. Dois ou três de famílias bem postas financeiramente.
Mas todos amigos. Alegres. Parceiros de caminhada.
Cheios de vontade de mudar o mundo.
Nunca alguém sentiu qualquer diferença de classe social.
Veio a formatura. Ano de 1966. Cinema Glória cheio. Reitor Mariano da Rocha e seu discurso costumeiro. Enaltecendo a UFSM. Fazendo profissão de fé nos formandos. Tocando no sentimento dos familiares.
Passaram-se os anos. A turma tomou por hábito fazer encontros periódicos.
De cinco em cinco anos era certo o almoço e janta no Restaurante Augusto.
Todos vinham de todos os rincões do país.
Alguns casados. Com filhos. Felizes. Assim foi nos dez anos de formatura.
Vinte anos. Trinta anos. Quarenta anos.
Na reunião dos quarenta anos de formados quinze já haviam morrido. Uns estavam aposentados. Outros haviam abandonado a profissão. Outros estavam doentes. Uns viraram alcoólatras. Outros estavam no segundo ou terceiro casamento. Um tinha assumido sua homossexualidade. Outro não tinha dinheiro para pagar o galeto e a bebida. Pediu emprestado para os colegas. O mais pobre da turma tinha se transformado em prefeito e defendia o Maluf. Logo ele que, quando estudante, era ardoroso defensor do Brizola. Ficou calado durante o encontro. Engravatado. Empertigado. Solene. Logo ele, que assistia as aulas no campus da UFSM de sandálias.
Chegou a época da festa dos cinquenta anos de formatura. Ninguém mais entrou em contato. O mentor das festas, organizador dos encontros, morreu.
Os ideais morreram. A juventude se foi. O carater mudou. O quadro de formatura na parede do prédio da faculdade está cheio de mofo.
E pelos corredores apenas o silêncio.
********************************
AUTOR : James Pizarro
Mas todos amigos. Alegres. Parceiros de caminhada.
Cheios de vontade de mudar o mundo.
Nunca alguém sentiu qualquer diferença de classe social.
Veio a formatura. Ano de 1966. Cinema Glória cheio. Reitor Mariano da Rocha e seu discurso costumeiro. Enaltecendo a UFSM. Fazendo profissão de fé nos formandos. Tocando no sentimento dos familiares.
Passaram-se os anos. A turma tomou por hábito fazer encontros periódicos.
De cinco em cinco anos era certo o almoço e janta no Restaurante Augusto.
Todos vinham de todos os rincões do país.
Alguns casados. Com filhos. Felizes. Assim foi nos dez anos de formatura.
Vinte anos. Trinta anos. Quarenta anos.
Na reunião dos quarenta anos de formados quinze já haviam morrido. Uns estavam aposentados. Outros haviam abandonado a profissão. Outros estavam doentes. Uns viraram alcoólatras. Outros estavam no segundo ou terceiro casamento. Um tinha assumido sua homossexualidade. Outro não tinha dinheiro para pagar o galeto e a bebida. Pediu emprestado para os colegas. O mais pobre da turma tinha se transformado em prefeito e defendia o Maluf. Logo ele que, quando estudante, era ardoroso defensor do Brizola. Ficou calado durante o encontro. Engravatado. Empertigado. Solene. Logo ele, que assistia as aulas no campus da UFSM de sandálias.
Chegou a época da festa dos cinquenta anos de formatura. Ninguém mais entrou em contato. O mentor das festas, organizador dos encontros, morreu.
Os ideais morreram. A juventude se foi. O carater mudou. O quadro de formatura na parede do prédio da faculdade está cheio de mofo.
E pelos corredores apenas o silêncio.
********************************
AUTOR : James Pizarro
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
ADEUS, JB !
Morreu ontem (31 de agosto de 2010),
aos 119 anos de idade,
depois de insidiosa moléstia econômica
o "Jornal do Brasil".
Mais conhecido pela alcunha de "JB",
alquebrado e esquecido,
finou-se aos poucos
sem receber auxílio de ninguém.
As patricinhas de outrora
- hoje vetustas senhoras que sacodem suas graxas
e que disputavam a tapa uma fotografia
na coluna do Zózymo Barroso do Amaral -
se lembraram do velho "JB" ?
Os políticos - que bajulavam a condessa Pereira Carneiro, sua proprietária -
mandaram uma miserável coroa de flores baratas e murchas ?
Os cursos de jornalismo terão lembrado ?
As belas estagiárias das redações saberão sua história ?
Talvez Carlos Drummond de Andrade,
nosso poeta maior,
- que durante décadas publicou seus poemas nas páginas do "JB" -
tenha chorado pela sua morte
em algum canto do céu.
O mais triste de tudo
é que Drummond não acreditava em céu.
O que torna a morte do "JB"
ainda mais melancólica...
**********************
AUTOR : James Pizarro
aos 119 anos de idade,
depois de insidiosa moléstia econômica
o "Jornal do Brasil".
Mais conhecido pela alcunha de "JB",
alquebrado e esquecido,
finou-se aos poucos
sem receber auxílio de ninguém.
As patricinhas de outrora
- hoje vetustas senhoras que sacodem suas graxas
e que disputavam a tapa uma fotografia
na coluna do Zózymo Barroso do Amaral -
se lembraram do velho "JB" ?
Os políticos - que bajulavam a condessa Pereira Carneiro, sua proprietária -
mandaram uma miserável coroa de flores baratas e murchas ?
Os cursos de jornalismo terão lembrado ?
As belas estagiárias das redações saberão sua história ?
Talvez Carlos Drummond de Andrade,
nosso poeta maior,
- que durante décadas publicou seus poemas nas páginas do "JB" -
tenha chorado pela sua morte
em algum canto do céu.
O mais triste de tudo
é que Drummond não acreditava em céu.
O que torna a morte do "JB"
ainda mais melancólica...
**********************
AUTOR : James Pizarro
Assinar:
Postagens (Atom)