Santa Maria, RS, ficou fortemente marcada pela tragédia da Boate Kiss, que fez 242 vítimas. Desses jovens mortos, 116 eram alunos da UFSM. Destes, 64 eram do Centro de Ciências Rurais.
A UFSM, em boa hora, lançou dia 27 de fevereiro de 2013 o "MEMORIAL 27/01", uma homenagem às vítimas da Boate Kiss. Este portal reúne as mensagens recebidas pela UFSM desde a ocorrência do incêndio. Estão registradas as manifestações da Presidente da República Dilma Roussef, da Ministra da Cultura Marta Suplicy, assim como de dezenas de outras autoridades civis, políticas e religiosas de todo o Brasil. Igualmente, estão registradas centenas de depoimentos de ex-professores,ex-alunos, professores universitários de todo o Brasil, empresários, representantes das mais diversas entidades.
Os diretores das unidades da UFSM (coordenadores de cursos, diretores de departamentos e de centros) onde estudaram os alunos vitimados na tragédia também deixaram seus depoimentos gravados em vídeo, com a finalidade de acolher e confortar familiares e demais pessoas envolvidas no acontecimento.
Este "Memorial Virtual" para que o internauta possa deixar sua mensagem a partir de um formulário é o seguinte : http://www.ufsm.br/memorial2701/
sábado, 30 de março de 2013
sexta-feira, 29 de março de 2013
REVISTA "O CRUZEIRO" - James Pizarro
Livro indispensável na biblioteca de profissionais da imprensa e estudantes de jornalismo, principalmente os ligados ao fotojornalismo, é o recém-lançado "As Origens do Fotojornalismo no Brasil : um Olhar Sobre o Cruzeiro (1940-1960)".
O livro é um lançamento do Instituto Moreira Salles. É uma compilação de imagens publicadas na revista "O CRUZEIRO" nos anos 1940/50/60. É o Brasil passado a limpo através de fotos e fatos publicados na revista que, no seu auge, chegou a ter 700 mil exemplares de tiragem.
O livro, organizado por Helouise Costa e Sérgio Burgi, do Instituto Moreira Salles, tem 335 páginas e está sendo vendido a R$ 140. Reune fotos dos mais famosos e talentosos fotógrafos daquela época : Jean Manzon, José Medeiros, Peter Scheier, Henri Ballot, Pierre Verger, Marcel Gautherot, Luciano carneiro, Salomão Scliar, Indalécio Wanderley, Ed Keffel, Roberto Maia, Mário de Moraes, Eugênio Silva, Carlos Moskovics, Flávio Damm e Luiz Carlos Barreto.
Particularmente, fiz uma viagem à minha infância e adolescência, pois meu avô Fredolino - ferroviário em Santa Maria, RS - assinava a revista O CRUZEIRO e a recebia semanalmente através da Cooperativa dos Ferroviários da Viação Férrea do RS. No galpão da casa do vô Fredolino existiam prateleiras abarrotadas de centenas e centenas de exemplares desta que talvez tenha sido a mais brasileira das revistas.
O livro é imperdível para as novas gerações !!!
O livro é um lançamento do Instituto Moreira Salles. É uma compilação de imagens publicadas na revista "O CRUZEIRO" nos anos 1940/50/60. É o Brasil passado a limpo através de fotos e fatos publicados na revista que, no seu auge, chegou a ter 700 mil exemplares de tiragem.
O livro, organizado por Helouise Costa e Sérgio Burgi, do Instituto Moreira Salles, tem 335 páginas e está sendo vendido a R$ 140. Reune fotos dos mais famosos e talentosos fotógrafos daquela época : Jean Manzon, José Medeiros, Peter Scheier, Henri Ballot, Pierre Verger, Marcel Gautherot, Luciano carneiro, Salomão Scliar, Indalécio Wanderley, Ed Keffel, Roberto Maia, Mário de Moraes, Eugênio Silva, Carlos Moskovics, Flávio Damm e Luiz Carlos Barreto.
Particularmente, fiz uma viagem à minha infância e adolescência, pois meu avô Fredolino - ferroviário em Santa Maria, RS - assinava a revista O CRUZEIRO e a recebia semanalmente através da Cooperativa dos Ferroviários da Viação Férrea do RS. No galpão da casa do vô Fredolino existiam prateleiras abarrotadas de centenas e centenas de exemplares desta que talvez tenha sido a mais brasileira das revistas.
O livro é imperdível para as novas gerações !!!
quinta-feira, 28 de março de 2013
CANASVIEIRAS : SEMANA SANTA DE 2013 - James Pizarro
A Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe (Arquidiocese de Florianópolis) está situada na avenida Madre Maria Villac,1700 (fone 48.3369.1388), na praia de Canasvieiras, onde eu resido.Com grande alegria,eu e minha mulher servimos à igreja como Ministros da Eucaristia desta paróquia. Uma intensa programação marca a Semana Santa em nossa paróquia.
As comemoraçõesinciaram dia 24, com o "Domingo de Ramos" e coleta da Campanha da Fraternidade. Ocorreram missas na matriz e em todas as comunidades : Santa Cruz (Vargem Grande), N. S. Aparecida (Jurerê Tradicional), São Brás (Vargem Pequena), N. S. dos Remédios, S. Francisco de Paula (Canasvieiras), São Francisco de Assis (Jurerê Internacional), São Pedro (Ponta das Canas) e Matriz (Canasvieiras).
Dia 26 : missa na Matriz, missa na P. S. Coração de Jesus (Ingleses) e Via Sacra (praia do Forte).
Dia 28 (Quinta-feira Santa) : na matriz, Missa do Lavapés, translado do Santíssimo com Lucernário seguido de adoração ao Santíssimo até às 24 horas.
Dia 29 (Sexta-feira Santa) : Via sacra na matriz e comunidades, celebração da Paixão do Senhor e adoração a Santa Cruz; coleta dos lugares santos; procissão do Senhor Morto com encenação do sepultamento.
Dia 30 (Sábado de Aleluia) : Missa da Vigília Pascal, Encenação do Sepulcro Vazio, Bênção do Fogo Novo, preparação do Círio Pascal, Procissão Luminosa.
Dia 31 (Domingo de Páscoa) : Missa da Páscoa do Senhor (5h), missa na matriz e nas comunidades (8h)
Particularmente, eu e minha esposa Vera Maria desejamos a todos os amigos catarinenses, conterrâneos de Santa Maria (RS), paroquianos de Canasvieirias e leitores deste blog uma Feliz Páscoa atodos !!!
As comemoraçõesinciaram dia 24, com o "Domingo de Ramos" e coleta da Campanha da Fraternidade. Ocorreram missas na matriz e em todas as comunidades : Santa Cruz (Vargem Grande), N. S. Aparecida (Jurerê Tradicional), São Brás (Vargem Pequena), N. S. dos Remédios, S. Francisco de Paula (Canasvieiras), São Francisco de Assis (Jurerê Internacional), São Pedro (Ponta das Canas) e Matriz (Canasvieiras).
Dia 26 : missa na Matriz, missa na P. S. Coração de Jesus (Ingleses) e Via Sacra (praia do Forte).
Dia 28 (Quinta-feira Santa) : na matriz, Missa do Lavapés, translado do Santíssimo com Lucernário seguido de adoração ao Santíssimo até às 24 horas.
Dia 29 (Sexta-feira Santa) : Via sacra na matriz e comunidades, celebração da Paixão do Senhor e adoração a Santa Cruz; coleta dos lugares santos; procissão do Senhor Morto com encenação do sepultamento.
Dia 30 (Sábado de Aleluia) : Missa da Vigília Pascal, Encenação do Sepulcro Vazio, Bênção do Fogo Novo, preparação do Círio Pascal, Procissão Luminosa.
Dia 31 (Domingo de Páscoa) : Missa da Páscoa do Senhor (5h), missa na matriz e nas comunidades (8h)
Particularmente, eu e minha esposa Vera Maria desejamos a todos os amigos catarinenses, conterrâneos de Santa Maria (RS), paroquianos de Canasvieirias e leitores deste blog uma Feliz Páscoa atodos !!!
quarta-feira, 27 de março de 2013
AS RUAS DE FLORIPA - James Pizarro
Nome do livro : " Roteiro Histórico e Sentimental pelas Ruas de Florianópolis "
Autor : Mário Pereira (jornalista)
Ilustrações : Heron Domingues (12 ilustrações com bico de pena)
Editora : Editora da UNISUL (livro com 96 páginas,ao custo de R$ 20 )
Lançamento : foi no dia 21 de março de 2013 na sede da Academia Catarinense de Letras (Av. Hercílio Luz, 523, centro de Florianópolis)
O jornalista Mário Pereira, residente em Florianópolis há três décadas, depois de ter escrito outros seis livros, reuniu as lembranças de suas andanças pela capital de SC neste livro de agradável leitura. É uma gostosa viagem ao passado da cidade, esclarecedora principalmente para os mais jovens e para aqueles que - como eu - decidiram fixar residência na ilha, cativados pelo seu poder de sedução.
É uma obra que mistura afetos e histórias, tão ao gosto dos habitantes desta ilha da magia.
Autor : Mário Pereira (jornalista)
Ilustrações : Heron Domingues (12 ilustrações com bico de pena)
Editora : Editora da UNISUL (livro com 96 páginas,ao custo de R$ 20 )
Lançamento : foi no dia 21 de março de 2013 na sede da Academia Catarinense de Letras (Av. Hercílio Luz, 523, centro de Florianópolis)
O jornalista Mário Pereira, residente em Florianópolis há três décadas, depois de ter escrito outros seis livros, reuniu as lembranças de suas andanças pela capital de SC neste livro de agradável leitura. É uma gostosa viagem ao passado da cidade, esclarecedora principalmente para os mais jovens e para aqueles que - como eu - decidiram fixar residência na ilha, cativados pelo seu poder de sedução.
É uma obra que mistura afetos e histórias, tão ao gosto dos habitantes desta ilha da magia.
FEIRA DO LIVRO DA UFSC - James Pizarro
Tive a oportunidade de visitar demoradamente a FEIRA DE LIVROS DA UFSC,localizada no campus da univesidade,expondo para a venda mais de 600 títulos próprios da Editora da UFSC.
O patrono desta feira é o mitólogo FRANKLIN CASCAES, falecido há 30 anos. Comprei todos os livros dele que estavam à venda na feira, verdadeiras preciosidades para quem - como eu - quer conhecer profundamente a alma barriga-verde e a história dessa linda terra.
O evento encerra no dia 2 de abril e os livros tinham descontos de até 70 %. O campus da UFSC está localizado no bairro Trindade, em Florianópolis. Quem estiver interessado em maiores informações : (48)3721.9605
O patrono desta feira é o mitólogo FRANKLIN CASCAES, falecido há 30 anos. Comprei todos os livros dele que estavam à venda na feira, verdadeiras preciosidades para quem - como eu - quer conhecer profundamente a alma barriga-verde e a história dessa linda terra.
O evento encerra no dia 2 de abril e os livros tinham descontos de até 70 %. O campus da UFSC está localizado no bairro Trindade, em Florianópolis. Quem estiver interessado em maiores informações : (48)3721.9605
terça-feira, 26 de março de 2013
"DESTERRO HOJE" - James Pizarro
O primeiro nome da capital catarinense foi "Desterro". Em comemoraçãos 287 de Florianópolis, antiga Desterro, está ocorrendo neste final de março até 14 de abril de 2013, a mostra fotográfica intitulada "DESTERRO HOJE", composta de 100 fotografias dos principais pontos da ilha. As fotografias de cada ponto são colocadas lado a lado, uma mostrando o ponto como era antigamente e a outra mostrando como se encontra hoje. Deste modo, os visitantes poderão avaliar e sentir as grandes mudanças - em alguns casos, pequenas - que ocorreram no último século em Florianópolis. As imagens expostas fazem parte do site Desterro Hoje.
LOCAL DA MOSTRA :
Floripa Shopping - Piso I.2 - Rodovia SC-401, Saco Grande, Florianópolis. A entrada é gratuita.
LOCAL DA MOSTRA :
Floripa Shopping - Piso I.2 - Rodovia SC-401, Saco Grande, Florianópolis. A entrada é gratuita.
quinta-feira, 21 de março de 2013
FLORIANÓPOLIS : Comunidade tradicional sofre com a degradação ambiental
Comunidade tradicional sofre com a degradação ambiental
por Fernanda B. Müller, do CarbonoBrasil
Pescadores artesanais de Florianópolis são vítimas de projetos mal planejados e do descaso do poder público, em mais um exemplo da desvalorização da rica cultura dos povos tradicionais no Brasil
Em nosso país, onde tudo o que é internacional é extremamente valorizado, cada vez fica mais difícil de encontrar as raízes das culturas tradicionais que construíram a imagem da nação.
De norte a sul, indígenas e pequenas comunidades locais são massacrados pela ganância do agronegócio e pela inconsequência do crescimento desenfreado, sofrendo com a falta de planejamento e com o desrespeito aos seus simples modos de viver.
É o caso dos pescadores da comunidade de Ratones, na Ilha de Santa Catarina. Forçados a abandonar a pesca como única atividade, hoje eles não encontram mais peixes nem mesmo para o consumo próprio.
Assim como em muitos locais da Ilha, o Rio Ratones sofreu uma série de modificações ao longo dos últimos cinquenta anos. A retificação e a construção de duas pontes (foto) com comportas mudaram definitivamente a dinâmica do rio, que antes chegava a fornecer até 30 quilos por dia de camarão – hoje não passa de um, lamentam os pescadores.
Sem o fluxo que tinha antigamente, o leito do rio está assoreando, com bancos de areia e camadas de matéria orgânica tornando a sua navegação com embarcações de pequeno porte uma tarefa que demanda extrema atenção e força – pois muitos pontos exigem o uso apenas do remo.
A quantidade de matéria orgânica na água parada é um dos principais motivos para a queda na pesca do camarão, apontam os pescadores. A construção das comportas é outro elemento crítico.
“Antes das comportas muitas pessoas viviam da pesca e da roça, a alimentação era tirada do rio, hoje não tem mais”, lamentou Valmir Euclides, vice-presidente da Associação dos Pescadores do Rio Ratones.

Sem considerar a tradicional atividade de pesca na região, as comportas foram instaladas e barraram a passagem dos peixes maiores rio acima. Onde antes se pescavam cardumes de tainha, hoje apenas se encontram juvenis.
“Nós temos consciência de que não podemos pescar esses peixes pequenos, o pescador sabe que para se ter o adulto, precisa preservar os jovens”, coloca Euclides.
“Aqui era rico em robalo”, comentou Orlando Domingos Silva, presidente da Associação de Pesca do Ratones.
Outro conflito na área é que na jusante do rio, a partir das comportas, onde se encontram os peixes adultos, foi criada a Estação Ecológica Carijós (ESEC). Sendo uma Unidade de Conservação de proteção integral, não se pode pescar na ESEC, e os pescadores têm plena consciência da sua importância.
Na área do rio em que é permitida a pesca, fora dos limites da ESEC, para a circulação da água o principal problema foi a retificação do canal, e para os peixes, o que impede a sua subida são as comportas, explica Orlando.
Uma das comportas chegou a ter as suas portas removidas, porém a laje de concreto permanece barrando os peixes adultos. Antes da retirada destas portas, entre a década de 1960 e 1990, o manguezal definhava rio acima já que a água salgada era barrada no momento da subida da maré.
“Todo esse manguezal, quando fizeram as comportas, nós perdemos, eu conheci isso aqui um mar de lama por que toda a vegetação de água salobra morreu. Com a retirada das comportas, começou a circular água salobra de novo e voltou essa paisagem”, comentou Orlando.
“Faz uns dez anos, se não tirasse a comporta não existia manguezal lá em cima hoje, nem peixe, porque era água doce pura, estaria mais assoreado ainda”, ressaltou Euclides.

A luta da Associação de Pesca do Ratones há quase vinte anos é que o rio seja revitalizado, com a remoção das comportas e a retomada do seu curso natural. Na sexta-feira (20), a associação realizará um evento, chamando diferentes esferas do poder público para tomar conhecimento da situação e agir.
Apesar de todos os problemas, a riqueza da região salta aos olhos de quem está acostumado a andar nas praias de Florianópolis, em sua maioria intensamente impactadas pela especulação imobiliária.
O manguezal do Ratones, incluído em parte na ESEC, tem um porte e uma riqueza surpreendentes. Garça-moura, águia-pescadora, martim-pescador, gavião-pega-macaco, lontra, jacaré-de-papo-amarelo, caranguejos e ostras são apenas alguns exemplos dos tesouros desse local.
No caso do Ratones, assim como em milhares de outros ao redor do país, a dura empreitada dos pescadores enfrenta o descaso do poder público, que ignora o suplício dos povos tradicionais.
Além de contribuírem para a preservação dos ecossistemas e da cultura local – especialmente quando têm apoio do poder público –, essas populações mostram que se respeitados os seus direitos e os recursos dos quais dependem, é possível viver de forma simples.
Dependendo dos recursos que o ambiente lhes oferece, essas populações, que têm uma visão ímpar e coletiva da vida – longe do individualismo e materialismo despropositado de grande parte da população –, são forçadas a se deslocar para as cidades.
A busca por alternativas os distancia completamente do modo autossustentável de sobrevivência que esses povos costumavam ter. Uma perda tanto para eles quanto para a sociedade, que apaga cada vez mais a sua história e esquece sua cultura e seus valores.
O local paradisíaco que muitos brasileiros sonham em conhecer e habitar há muito perdeu o jeito simples de conviver com a riqueza natural que o cerca.
* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.
Em nosso país, onde tudo o que é internacional é extremamente valorizado, cada vez fica mais difícil de encontrar as raízes das culturas tradicionais que construíram a imagem da nação.
De norte a sul, indígenas e pequenas comunidades locais são massacrados pela ganância do agronegócio e pela inconsequência do crescimento desenfreado, sofrendo com a falta de planejamento e com o desrespeito aos seus simples modos de viver.
É o caso dos pescadores da comunidade de Ratones, na Ilha de Santa Catarina. Forçados a abandonar a pesca como única atividade, hoje eles não encontram mais peixes nem mesmo para o consumo próprio.
Assim como em muitos locais da Ilha, o Rio Ratones sofreu uma série de modificações ao longo dos últimos cinquenta anos. A retificação e a construção de duas pontes (foto) com comportas mudaram definitivamente a dinâmica do rio, que antes chegava a fornecer até 30 quilos por dia de camarão – hoje não passa de um, lamentam os pescadores.
Sem o fluxo que tinha antigamente, o leito do rio está assoreando, com bancos de areia e camadas de matéria orgânica tornando a sua navegação com embarcações de pequeno porte uma tarefa que demanda extrema atenção e força – pois muitos pontos exigem o uso apenas do remo.
A quantidade de matéria orgânica na água parada é um dos principais motivos para a queda na pesca do camarão, apontam os pescadores. A construção das comportas é outro elemento crítico.
“Antes das comportas muitas pessoas viviam da pesca e da roça, a alimentação era tirada do rio, hoje não tem mais”, lamentou Valmir Euclides, vice-presidente da Associação dos Pescadores do Rio Ratones.

Sem considerar a tradicional atividade de pesca na região, as comportas foram instaladas e barraram a passagem dos peixes maiores rio acima. Onde antes se pescavam cardumes de tainha, hoje apenas se encontram juvenis.
“Nós temos consciência de que não podemos pescar esses peixes pequenos, o pescador sabe que para se ter o adulto, precisa preservar os jovens”, coloca Euclides.
“Aqui era rico em robalo”, comentou Orlando Domingos Silva, presidente da Associação de Pesca do Ratones.
Outro conflito na área é que na jusante do rio, a partir das comportas, onde se encontram os peixes adultos, foi criada a Estação Ecológica Carijós (ESEC). Sendo uma Unidade de Conservação de proteção integral, não se pode pescar na ESEC, e os pescadores têm plena consciência da sua importância.
Na área do rio em que é permitida a pesca, fora dos limites da ESEC, para a circulação da água o principal problema foi a retificação do canal, e para os peixes, o que impede a sua subida são as comportas, explica Orlando.
Uma das comportas chegou a ter as suas portas removidas, porém a laje de concreto permanece barrando os peixes adultos. Antes da retirada destas portas, entre a década de 1960 e 1990, o manguezal definhava rio acima já que a água salgada era barrada no momento da subida da maré.
“Todo esse manguezal, quando fizeram as comportas, nós perdemos, eu conheci isso aqui um mar de lama por que toda a vegetação de água salobra morreu. Com a retirada das comportas, começou a circular água salobra de novo e voltou essa paisagem”, comentou Orlando.
“Faz uns dez anos, se não tirasse a comporta não existia manguezal lá em cima hoje, nem peixe, porque era água doce pura, estaria mais assoreado ainda”, ressaltou Euclides.

A luta da Associação de Pesca do Ratones há quase vinte anos é que o rio seja revitalizado, com a remoção das comportas e a retomada do seu curso natural. Na sexta-feira (20), a associação realizará um evento, chamando diferentes esferas do poder público para tomar conhecimento da situação e agir.
Apesar de todos os problemas, a riqueza da região salta aos olhos de quem está acostumado a andar nas praias de Florianópolis, em sua maioria intensamente impactadas pela especulação imobiliária.
O manguezal do Ratones, incluído em parte na ESEC, tem um porte e uma riqueza surpreendentes. Garça-moura, águia-pescadora, martim-pescador, gavião-pega-macaco, lontra, jacaré-de-papo-amarelo, caranguejos e ostras são apenas alguns exemplos dos tesouros desse local.
No caso do Ratones, assim como em milhares de outros ao redor do país, a dura empreitada dos pescadores enfrenta o descaso do poder público, que ignora o suplício dos povos tradicionais.
Além de contribuírem para a preservação dos ecossistemas e da cultura local – especialmente quando têm apoio do poder público –, essas populações mostram que se respeitados os seus direitos e os recursos dos quais dependem, é possível viver de forma simples.
Dependendo dos recursos que o ambiente lhes oferece, essas populações, que têm uma visão ímpar e coletiva da vida – longe do individualismo e materialismo despropositado de grande parte da população –, são forçadas a se deslocar para as cidades.
A busca por alternativas os distancia completamente do modo autossustentável de sobrevivência que esses povos costumavam ter. Uma perda tanto para eles quanto para a sociedade, que apaga cada vez mais a sua história e esquece sua cultura e seus valores.
O local paradisíaco que muitos brasileiros sonham em conhecer e habitar há muito perdeu o jeito simples de conviver com a riqueza natural que o cerca.
* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.
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