sexta-feira, 17 de abril de 2009

AS GAIVOTAS ESTÃO VOLTANDO...


Dezembro : inicia a invasão da ilha. Chegam os turistas brasileiros. Proprietários de casas. Surfistas. Dondocas. Patricinhas. Estudantes que entraram em férias. Pessoal que veio passar Natal e Ano Novo.
Janeiro e fevereiro : a ilha se transforma numa clonagem de Buenos Aires. Hordas de bárbaros castelhanos invadem tudo. Chegam em comboio, milhares de carros uns após outros. Centenas e centenas de ônibus em caravana diariamente. Ocupam desde hotéis de luxo até campings de duvidosa categoria, passando por pousadas e apartamentos alugados por dia.
A paz de quem reside na praia desaparece. Pois os castelhanos trocam o dia pela noite. O que obriga os supermercados abrirem 24 horas. Fazem compras às 4 da madrugada com a maior naturalidade. Usam e abusam da buzina do carro a qualquer hora da noite. Aliás, há quem diga que o corpo dum argentino é dividido em cabeça, tronco, membros e buzina. E usam a buzina para chamar amigos na frente do edifício às 3 da madrugada. Costumam andar em bandos. Fazendo alarido. Berram como se estivessem a ponto de entrar em briga corporal. Acordam ao redor de meio-dia, tomam café e vão para a praia, de onde costumam voltar quando já está noite. Jogam na praia tudo quanto é sujeira. Plásticos. Garrafas. Cigarros. Papéis de bala.Palitos de picolé. Jogam frescobol aos gritos preferencialmente onde existem grandes tabuletas com a inscrição "Zona Proibida Para a Prática de Esportes". Nos restaurantes onde existe serviço do tipo "sirva-se à vontade", servem-se em demasia, deixando quilos de comida nos pratos quando vão embora. Aliás, adoram levar paliteiros, saleiros e guardanapos de "recordação". Finalmente,em fevereiro se vão.
Março : chega a vez dos uruguaios. Em menor número e por menos tempo. Ficam apenas uma semana. Explicação : eles trocam todos os feriados do ano por uma semana inteira de férias no mês de março, a chamada "Semana do Turismo". E poucos uruguaios ficam mais do que esta semana porque o dinheiro deles está muito desvalorizado. São necessários 13 pesos uruguaios para a compra de um real (câmbio de março/2009). São mais reservados e silenciosos que os argentinos. Quase não gastam no comércio e nem nos restaurantes. As dificuldades econômicas mudam os hábitos dos turistas.
Ontem (16/abril) fui à praia como todo santo dia faço. E contei apenas 14 pessoas. Os cães costumeiros. A água cristalina. A areia limpíssima. O sol queimando forte. O céu azul e sem nuvens. Abri minha cadeira. Coloquei meus fones nos ouvidos. E enquanto ouvia bela música, comecei a olhar o céu. As gaivotas estão retornando. No lugar de homens, bichos. Que maravilha !
Começam a circular carros de catarinenses com um adesivo : "Obrigado por gostar de Florianópolis, mas não esqueçam de ir embora".
A ilha tem 400.000 habitantes, dos quais 30 % são gaúchos, isto é, 120.000 habitantes de Florianópolis são gaúchos !
São 120.000 que esqueceram de ir embora.
Entre os quais, gloriosamente, eu me incluo...

13 comentários:

Ana disse...

Se dependesse de mim, seriam 120.001!!

:))

Fabiano Oliveira disse...

Minha alegria se misturou com incredulidade ao ver seu comentário em meu blog. Na minha primeira semana no curso de jornalismo, observei atento as histórias que James Pizzaro contava, narrando um periodo tão importante da história do Brasil: o regime militar...
Felicidade do aluno de jornalismo que espera um dia ser tão talentoso e provocador quanto o dono deste blog.
Forte abraço !

Tati Py disse...

Querido professor!

Tenho tanto a te agradecer.
Primeiro pela paciência de, volta e meia, visitar o meu blog e fazer comentários tão sábios quanto divertidos.
Segundo, por ter tido a sensibilidade de me deixar tão belas mensagens enquanto eu me encontrava tão fragilizada pela morte do meu amigo.
São engraçadas essas relações on-line, nas quais passamos a admirar pessoas que quase nunca vemos pessoalmente.
Ainda assim, saiba que o considero um amigo, e que o amo profundamente. Pela inteligência, pela sensibilidade, pela consciência ecológica... enfim, por existires.
Por tudo isso, te agradeço.
Muito obrigada!

Um beijo, amigo!

JAMES PIZARRO disse...

ANINHA :

Se vieres, a ilha ficará mais rica.
Bj

Pizarro

JAMES PIZARRO disse...

FABIANO :

Aquela palestra pra vocês na UNIFRA foi uma coisa memorável e, através dela, fiz dezenas de novos amigos entre vocês, jornalistas de sangue novo e cepa jovem.
Já tomei tanta porrada na vida em S. Maria que quando recebo um elogio como o teu fico meio que guri cagado, sem saber o que fazer. Thanks do fundo do meu coração.
Bj

Pizarro

JAMES PIZARRO disse...

TATY PY :

Puxa, sua desalmada...são 21,30h de sexta-feira, tava escutando sonatas do Vivaldi quando li teu comentário. E me fizeste chorar, sua bobona duma figa !
Eu também te amo !
Beijo

Pizarro

aminhapele disse...

Ainda este ano,espero,terás um português de visita à ilha.
Não costumo fazer lixeira,nem incomodar os "locais".
Um abraço.

LIA SARTORI disse...

olá James!

Estou aqui agora, no teu BLog. Aprendi a postar, finalmente!

Adorei o artigo sobre as gaivotas, elas voltaram , que beleza!

Voltem sempre, lindas gaivotas!

Quanto aos argentinos , essa não!

Atitude imperdoável!

Deixar lixo na praia, fazer barulho aos outros turistas...

Educação é fundamental!!!

Aprende-se em casa e demonstra-se mundo afora.

Lixo na água do mar, nas ondas, nas patinhas das gaivotas, na goela dos peixes, nos pés e corpo humanos... Que horror!

Não pode! salvemos o mar deste ataque! Educação ambiental para preservar a vida, isso é necessário e fundamental ...

Educação para aprender a se comportar, inclusive, quando sai de casa e joga o papel na rua! Será que em casa todos jogam papel e sujeira no chão?

Será que poluir a praia com latas de refrigerantes, palitos de picolés, sobras de frutas, garrafas pelo chão não empanturra a alma de vergonha???

Pensemos um pouco quanto vale um minuto de atitude errada!

O planeta, a praia , as gaivotas, os homens não merecem tanta agressão!

Cuidemos, preservemos, salvemos, são atitudes mais bonitas...

Cuidemos de todas as gaivotas... para que elas voltem tranquilas, lindas, plumadas, saudáveis... para o bem de todos e a felicidade geral desta grande nação!

abraços.


LIA SARTORI
SANTA MARIA/RS/BRASIL
ADVOGADA
ARTISTA AMBIENTAL
visitem meu 1° Blog: http:\\liasalavandoterra.com.br

JAMES PIZARRO disse...

LIA :

Obrigado pelos teus comentários e e-mails. Obrigado pela sensibilidade diante das coisas do meioambiente. E parabéns pelo teu blog !
Espero que tudo esteja correndo bem em Santa Maria.
Abraço

James Pizarro

Luiz Roberto disse...

Dia destes, li, nao sei onde, uma piadinha que serve bem para mostrar o porque do comportamento dos argentinos,um psicólogo comentando que estava tratando de um caso perdido:
"To tratando um argentino com complexo de inferioridade.."

Talvez eles se acham tao melhores que nao respeitem nada...

Quando puder, venha ao MS, conhecer Bonito, garanto que vai gostar...
Abraço e saudaçoes Coloradas

Anônimo disse...

os argentinos e pessoas de quaisquer lugares tem o mesmo direito que os espaçosos gauchos de visitarem ou morarerm em floripa. quanto a placa "Zona Proibida Para a Prática de Esportes" ela se refere a uma lei municipal que não existe. Algum espertinho a colocou ali achando que ia intimidar os praticantes de esportes de praia.

JAMES PIZARRO disse...

Embora o comentário seja apócrifo, assinado por "Anônimo", publiquei o mesmo como faço com todo mundo.
Só não entendi uma coisa : li e reli meu texto e não encontrei em lugar algum uma frase ou qualquer resquício de xenofobia, isto é, alguma frase que demonstre desejo de proibir a entrada de argentinos. Apenas fiz um juízo de valor sobre o que é voz corrente quanto ao comportamento da maioria deles. Aliás, moro numa suíte num hotel cujo proprietário é argentino e muito meu amigo, assim como centenas de argentinos que conheço.
Obrigado pela generosidade de me ler. E da próxima vez assina teu nome para que eu fique mais feliz ainda. Volte sempre.
Abraço fraterno.

Pizarro

Dymaima disse...

Há muitos argentinos que deixam o lixo na praia e fazem barulho aos outros turistas, mas no aluguel Buenos Aires todos eram muito educados e boas pessoas.