quarta-feira, 24 de junho de 2009

ESTA GRIPE PRODUZ EGOÍSMO ?


Esta nova gripe está produzindo uma verdadeira paranóia. Que toma proporções assustadoras na razão direta da ignorância da pessoa. Quanto mais mal informado é o vivente, mais preconceituoso ele se torna.
Qualquer aluno de ciências ou de biologia do ensino fundamental já sabe quais os sintomas dessa gripe nova e as formas de contágio.
E um pobre mortal como eu, que estou saindo de uma gripe comum, pude perceber o tipo de reação comportamental das pessoas diante do pavor semeado pela mídia e que encontrou terreno fértil na ignorância de alguns.
Vou reproduzir singelo diálogo mantido com querido amigo pelo msn há três dias :

"- Ué, desapareceram ? Estávamos pensando em ir aí visitar vocês...
- É que faz quatro dias que estou numa gripe daquelas...
- Bah, sorte nossa que não fomos aí então..."

Nada de perguntas do tipo : melhoraste ? foste ao médico ? está tomando algum medicamento ?
Ou então alguma frase cordial : te cuida, mano ! puxa, que azarão ! toma bastante líquido !
O que li foi apenas a imediata resposta egoísta : "Que sorte a nossa que não fomos aí então".
Decodificando : azar o teu...te vira...problema teu...

Eu e minha mulher agimos completamente diferente em ocasiões semelhantes. Somos os primeiros a aparecer quando há doença na casa de um conhecido, vizinho ou amigo. Ou emprestar algo nosso quando há necessidade alheia. Somos de visitar, levar pão feito em casa, uma cuca, uma palavra de incentivo. Acho que a velhice deixa a gente mais generoso. E o fato da gente fazer força pra ser um bom cristão na prática nos condicionou a ser assim. Os ensinamentos da igreja e da Palavra nos impelem a servir aos outros. Por isso, a gente não teme nada. A gente não mede consequências pessoais quando um amigo está necessitado.

Mas a paranóia da gripe nova está tão louca que as pessoas sonegam uma mera visita diante de uma gripe comum. Nem percebem o quanto de indelicadeza está embutido neste ato.

Poderia ser argumentado que poderia não ser uma gripe comum. Ser a dita cuja...Mesmo assim, a indelicadeza permanece. E a dúvida fica óbvia : amizade só serve para festas ? Quando há riscos, mesmo que imaginários, a gente não convive com o outro ?

É preciso aprender que viver é ousar. Viver é um risco.
Se é que pode ser chamada ousadia enfrentar a possibilidade de ficar resfriado...

4 comentários:

Ana Bernasconi disse...

caro amigo James,
costumo dividir meus amigos em categorias. Os de tomar uma no bar, os de viajar, os de contar amenidades,os de contar confidências, os de contar pra todas as horas. Selecionando assim,sei o q esperar de cada um e me decepciono menos. claro que às vezes me surpreendo pra bom ou pra mau e o amigo muda de categoria, mas costuma funcionar... beijos ANA

aminhapele disse...

Cada um é como é,James.
Quando tenho gripe,quero é que não me chateiem!
Sabes que quando chego aos 37,5º já não consigo andar de pé?!
Um abraço,amigo.

Beth/Lilás disse...

Tem razão, James!
As relações sociais atualmente e aqui no nosso Brasil, estão ficando cada vez mais superficiais e difíceis.
Já sabemos há tempos que em muitos países do exterior a coisa funciona meio no distanciamento e educação, mas aqui a coisa tá pior, porquê além do distanciamento temos a falta de educação. Sofrível tudo isso!
abraço carioca.com

Ana disse...

Putz! Graças a Deus isso nunca aconteceu comigo! Será que é porque eu nunca me gripo? Heheheh!

Saúde!