domingo, 21 de outubro de 2012

A VIDA E A MORTE NA "CASINHA BRANCA" - James Pizarro

Lá pelos anos 50, quem descia a avenida Rio Branco em direção à gare da Viação Férrea, em Santa Maria, RS, olhava para o alto e contemplava enorme montanha até hoje existente.
No final da rua 7 de Setembro, que ia terminar justamente nessa montanha, foi construído o Clube Esportivo, tradicionalmente conhecido pelo nome carinhoso de "clube do sopé do morro".
Quem olhasse para o topo do morro, atrás do Clube Esportivo, ia ver um pequeno chalé de madeira pintado de branco, batisado pela população de "Casinha Branca". Nessa casinha, isolada lá em cima, vivia um casal de idosos. Eles desciam uma vez ou duas por mês, através de uma íngreme trilha no meio do mato, para fazer compras de gêneros alimentícios e remédios.
Um ou outro visitante subia lá, além de escoteiros que faziam exercícios.
Certa vez, o dono do armazém onde o casal de idosos fazia suas compras, estranhou a ausência dos mesmos.  E resolveu subir  para ver o que tinha havido. Em lá chegando, encontrou o corpo já em estado de decomposição dos dois pobres velhinhos.
Diligências  feitas pela polícia logo acharam os culpados, dois marginais que trucidaram os idosos com marteladas na cabeça, crime que chocou toda a cidade. E mataram o casal para roubar alguns pertences de pouco valor  e, segundo um deles confessou, imaginavam que os idosos tivessem dinheiro escondido.
Já naquela época, há cerca de 50 anos, pessoas se retiravam para viver em paz no meio da Natureza. Na santa paz das árvores, flores e pássaros.
Mas mesmo lá, satânicas criaturas destruiram o sonho dos velhinhos a marteladas.
Mesmo depois de tanto tempo me invade uma melancolia imensa ao pensar na agonia dos dois idosos, sentindo a vida se esvair.
Como o som de uma flauta...

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