Caro Neymar :
Tu ganhas num mês o que a maioria da população brasileira não ganha durante toda uma vida. Tens assistência médica, odontológica, jurídica, psicológica. Tens massagista, nutricionista, fisioterapeuta. Tens advogados e familiares para cuidar do teu dinheiro e contratos. És cobiçado por grandes clubes de todo o mundo e, se vendido, ganharás milhões de dólares de participação na venda. Tens divulgação gratuita pela midia como cientista de renome jamais terá. Viajas de avião e te hospedas nos melhores hotéis do mundo gratuitamente.
Ofereces em troca brincadeiras de mau gosto pelo Twitter. Deboches em campo contra os adversários. Demonstrações de onipotência pelo Orkut e pela Web Cam. Ofensas e brincadeiras de mau gosto contra os adversários. Atrasos nos treinos. Indisciplina de toda ordem. Agressões verbais públicas contra teu técnico.
Foste multado em dinheiro. Teu técnico, que sempre te protegeu, foi demitido. Ganhaste a antipatia dos teus colegas de equipe. Parte da crônica esportiva já te olha com desconfiança. O preço de venda do teu passe para clubes do exterior já ficou depreciado. O Santos saiu perdendo com isso, pois és patrimônio do clube. O técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes, já disse claramente que indisciplinados não terão vez e não te convocou. E o Tribunal de Justiça Desportiva ainda vai te julgar. Provavelmente vais pegar vários jogos de suspensão, prejudicando tua ficha profissional e o clube ao qual tu serves.
Se queres ser tratado com respeito e como adulto, não podes te comportar como criança mimada. Alguém precisa te ensinar limites, que pareces desconhecer. Corres o risco de destruir teu futuro. Não podes botar fora com a cabeça o dinheiro que ganhas com os pés. Convenhamos que, com 18 anos, já não és mais uma criancinha. És um homem. Trata de te comportar como tal. As pessoas estão te perdoando por enquanto. Mas não te perdoarão sempre.
Portanto, trata de acordar para a vida real !
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AUTOR : James Pizarro
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
"JOVEM GUARDA", UMA DOCE LEMBRANÇA
"O futuro pertence à jovem guarda porque a velha está ultrapassada".
Os ligados à política e à História devem conhecer a frase. Que é de autoria de Lenin.
Baseada na expressão "Jovem Guarda" é que a TV RECORD, no ano de 1965, lançou um programa de auditório que iria revolucionar e influenciar uma geração inteira. A minha geração.
Nas célebres reuniões dançantes do Clube Comercial, de Santa Maria, a gente dançava de rosto colado ao som das baladas românticas do "rei" Roberto Carlos.
Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa comandaram o programa. E se encarregavam de, além de cantar, apresentar todos os artistas que comungavam com eles o mesmo ideal.
O programa teve a duração de três anos (terminou em 1968) e lançou dezenas e dezenas de cantores. Devem ser lembrados (além de Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa) os seguintes cantores : Celly Campelo, Vanusa, Eduardo Araújo, Silvinha, Martinha, Arthurzinho, Ronnie Cord, Ronnie Von, Paulo Sérgio, Wanderley Cardoso,Bobby di Carlo, Jerry Adriani, Rosemary, Leno e Lilian, Demétrius, Os Vips, Waldirene, Diana, Sérgio Reis, Sérgio Murilo, Trio Esperança, Ed Wilson e Evaldo Braga.
Faziam parte do movimento as bandas : Os Incríveis, Renato e Seus Blue Caps, Golden Boys e The Fevers.
Não existia violência. Drogas. Rachas. Gangs. E o máximo que ocorria era se tomar uma ou duas doses de vodka com Cirillynha, um refriferante famoso feito na cidade mesmo.
Rostos colados. Corações disparando. Dançar abraçadinho. Tudo às escondidas. Porque mães vigilantes estavam sentadas às mesas cuidando todos os movimentos. Dezenas de namoros começaram ali. Ao som da "Jovem Guarda".
Muitos dos cantores já morreram. Outros cairam no ostracismo. Outros sumiram sem dar notícia.
Roberto Carlos - num extraordinário exemplo de vitalidade e talento - continua sendo o "rei". Não mais agora da minha geração. Mas de todos os românticos do país.
Assim também, muitos casamentos acabaram. Sonhos. Carreiras. Vidas. Amores.
Muita coisa acabou.
Teimosamente sigo lembrando duma época em que o amor nascia ao som de uma canção. O romantismo existia. E o amor perseverava. Através de poemas. Cartas. Telefonemas. Doce espera nas portas dos colégios.
Hoje tudo mudou.
As pessoas fazem amor pelo computador. Chats. E-mails. Messenger. Web cam.
Quando se ama através de uma máquina é sinal que algo está errado.
Ou então eu - que já fui da "jovem guarda" - estou ultrapassado. E não me dei conta que há anos já faço parte da "velha guarda".
É bem possível.
E melancólico.
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AUTOR : James Pizarro
Os ligados à política e à História devem conhecer a frase. Que é de autoria de Lenin.
Baseada na expressão "Jovem Guarda" é que a TV RECORD, no ano de 1965, lançou um programa de auditório que iria revolucionar e influenciar uma geração inteira. A minha geração.
Nas célebres reuniões dançantes do Clube Comercial, de Santa Maria, a gente dançava de rosto colado ao som das baladas românticas do "rei" Roberto Carlos.
Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa comandaram o programa. E se encarregavam de, além de cantar, apresentar todos os artistas que comungavam com eles o mesmo ideal.
O programa teve a duração de três anos (terminou em 1968) e lançou dezenas e dezenas de cantores. Devem ser lembrados (além de Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa) os seguintes cantores : Celly Campelo, Vanusa, Eduardo Araújo, Silvinha, Martinha, Arthurzinho, Ronnie Cord, Ronnie Von, Paulo Sérgio, Wanderley Cardoso,Bobby di Carlo, Jerry Adriani, Rosemary, Leno e Lilian, Demétrius, Os Vips, Waldirene, Diana, Sérgio Reis, Sérgio Murilo, Trio Esperança, Ed Wilson e Evaldo Braga.
Faziam parte do movimento as bandas : Os Incríveis, Renato e Seus Blue Caps, Golden Boys e The Fevers.
Não existia violência. Drogas. Rachas. Gangs. E o máximo que ocorria era se tomar uma ou duas doses de vodka com Cirillynha, um refriferante famoso feito na cidade mesmo.
Rostos colados. Corações disparando. Dançar abraçadinho. Tudo às escondidas. Porque mães vigilantes estavam sentadas às mesas cuidando todos os movimentos. Dezenas de namoros começaram ali. Ao som da "Jovem Guarda".
Muitos dos cantores já morreram. Outros cairam no ostracismo. Outros sumiram sem dar notícia.
Roberto Carlos - num extraordinário exemplo de vitalidade e talento - continua sendo o "rei". Não mais agora da minha geração. Mas de todos os românticos do país.
Assim também, muitos casamentos acabaram. Sonhos. Carreiras. Vidas. Amores.
Muita coisa acabou.
Teimosamente sigo lembrando duma época em que o amor nascia ao som de uma canção. O romantismo existia. E o amor perseverava. Através de poemas. Cartas. Telefonemas. Doce espera nas portas dos colégios.
Hoje tudo mudou.
As pessoas fazem amor pelo computador. Chats. E-mails. Messenger. Web cam.
Quando se ama através de uma máquina é sinal que algo está errado.
Ou então eu - que já fui da "jovem guarda" - estou ultrapassado. E não me dei conta que há anos já faço parte da "velha guarda".
É bem possível.
E melancólico.
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AUTOR : James Pizarro
terça-feira, 21 de setembro de 2010
ADEUS, MARCELO !
O único irmão homem da Vera Maria, minha mulher, reside em Rio do Sul (SC) onde, há 40 anos, exerce a profissão de veterinário e tem participação comunitária grande. Lá teve seus filhos com a esposa Magda : duas mulheres e um homem, nossos 3 sobrinhos, todos casados e lá trabalhando.
Quis a fatalidade que Marcelo, nosso querido sobrinho, filho de Nelson e Magda, morresse no domingo último (19/setembro) - depois de uma pneumonia seguida de falência múltipla dos órgãos, aos 31 anos de idade, deixando 2 filhos pequenos. Tudo isso ocorrido de forma fulminante em apenas 3 dias, o que deixou todos os parentes e amigos abalados, uma vez que Marcelo era um rapaz alegre, pacifico e pacificador, com vasto circulo de amizades, principalmente na comunidade luterana de Rio do Sul, na qual atuava fazendo parte da juventude. A família foi consolada por um número incontável de pessoas da cidade, de jovens luteranos e recebeu assistência espiritual constante dos dois pastores luteranos. Marcelo foi velado no necrotério situado atrás da Igreja Luterana e foi sepultado no cemitério luterano situado também no pátio da igreja. Imediatamente eu e a Vera embarcamos para Rio do Sul, depois de esperarmos demais parentes no aeroporto de Florianópolis. Minha filha Nara e meu genro Carlos vieram de Panambi, RS; minha filha Cristina (Piti) veio de Minas Gerais; Carmem (irmã da Vera Maria), Luiz Osvaldo (marido) e Carlinhos (filho) vieram de Porto Alegre. Outros parentes, por parte de Magda vieram de Brasília e muitos amigos da família vieram de várias cidades de SC e RS.
Meu cunhado Nelson e esposa Magda, pais de Marcelo, se encontram por demais abalados, inconsoláveis, necessitando de orações de todos nós, razão pela qual redigi esta postagem. Humildemente rogo a ti - seja qual for teu credo - que reze ao Senhor Jesus Cristo, implorando sua misericórdia pela alma de Marcelo e pela saúde de sua esposa Sirlei, seus pais,filhos,irmãos e demais parentes.
Fraternalmente, agradecemos !
James e Vera Maria
Florianópolis, 21 de setembro de 2010.
Quis a fatalidade que Marcelo, nosso querido sobrinho, filho de Nelson e Magda, morresse no domingo último (19/setembro) - depois de uma pneumonia seguida de falência múltipla dos órgãos, aos 31 anos de idade, deixando 2 filhos pequenos. Tudo isso ocorrido de forma fulminante em apenas 3 dias, o que deixou todos os parentes e amigos abalados, uma vez que Marcelo era um rapaz alegre, pacifico e pacificador, com vasto circulo de amizades, principalmente na comunidade luterana de Rio do Sul, na qual atuava fazendo parte da juventude. A família foi consolada por um número incontável de pessoas da cidade, de jovens luteranos e recebeu assistência espiritual constante dos dois pastores luteranos. Marcelo foi velado no necrotério situado atrás da Igreja Luterana e foi sepultado no cemitério luterano situado também no pátio da igreja. Imediatamente eu e a Vera embarcamos para Rio do Sul, depois de esperarmos demais parentes no aeroporto de Florianópolis. Minha filha Nara e meu genro Carlos vieram de Panambi, RS; minha filha Cristina (Piti) veio de Minas Gerais; Carmem (irmã da Vera Maria), Luiz Osvaldo (marido) e Carlinhos (filho) vieram de Porto Alegre. Outros parentes, por parte de Magda vieram de Brasília e muitos amigos da família vieram de várias cidades de SC e RS.
Meu cunhado Nelson e esposa Magda, pais de Marcelo, se encontram por demais abalados, inconsoláveis, necessitando de orações de todos nós, razão pela qual redigi esta postagem. Humildemente rogo a ti - seja qual for teu credo - que reze ao Senhor Jesus Cristo, implorando sua misericórdia pela alma de Marcelo e pela saúde de sua esposa Sirlei, seus pais,filhos,irmãos e demais parentes.
Fraternalmente, agradecemos !
James e Vera Maria
Florianópolis, 21 de setembro de 2010.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
TARZAN MORREU
Tinha eu uns 9 ou 10 anos. Nem para os escoteiros eu havia entrado.
E já lia sofregamente. Livros de aventuras.
Devorei toda a coleção do Tarzan publicada no Brasil.
Histórias fantásticas escritas por Edgar Rice Burroughs.
Livros de papel jornal. Capa colorida e ilustrada.
Todos publicados pela Editora Nacional. Eram livros já antigos, do tempo de menino do meu pai.
Lembro de alguns títulos. "Tarzan, o Rei da Selva".
"Tarzan e as Jóias de Opar". "Tarzan e o Império Perdido".
"Tarzan, o Magnífico". "Tarzan e a Legião Estrangeira".
Não perdia também nenhum filme de Tarzan.
Todos exibidos aos domingos, no matinê, das 13,15h no Cine-Teatro Imperial.
Chamado pela gurizada de "sessão da uma e quinze".
Nos filmes mais antigos Tarzan era representado pelo ator Johnny Weissmuller. Mas o Tarzan mais famoso da minha infância era representado pelo ator Lex Barker.
Eu ficava emocionado com Tarzan. Com a macaca Chita. Com Jane, a namorada de Tarzan. Com as mil peripécias enfrentando os caçadores de animais.
Depois dos livros e dos filmes de Tarzan, vieram os "gibis" (histórias em quadrinhos) publicadas pela Editora EBAL. E os "comics" (tirinhas de jornal).
Até que os editores inventaram um filho para Tarzan.
E passaram a surgir os livros da série "Korak, o Filho de Tarzan".
Fiquei tão decepcionado que me recusei a ler.
Tarzan nunca poderia ter tido filhos.
Ou ter casado com Jane.
Foi uma traição à minha infância.
Nas sessões da madrugada, quando por acaso passa um velho filme de Tarzan, eu desligo a televisão. E vou prá cama.
Custo a dormir.
Porque fico resmungando uma certa mágoa.
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AUTOR : James Pizarro
E já lia sofregamente. Livros de aventuras.
Devorei toda a coleção do Tarzan publicada no Brasil.
Histórias fantásticas escritas por Edgar Rice Burroughs.
Livros de papel jornal. Capa colorida e ilustrada.
Todos publicados pela Editora Nacional. Eram livros já antigos, do tempo de menino do meu pai.
Lembro de alguns títulos. "Tarzan, o Rei da Selva".
"Tarzan e as Jóias de Opar". "Tarzan e o Império Perdido".
"Tarzan, o Magnífico". "Tarzan e a Legião Estrangeira".
Não perdia também nenhum filme de Tarzan.
Todos exibidos aos domingos, no matinê, das 13,15h no Cine-Teatro Imperial.
Chamado pela gurizada de "sessão da uma e quinze".
Nos filmes mais antigos Tarzan era representado pelo ator Johnny Weissmuller. Mas o Tarzan mais famoso da minha infância era representado pelo ator Lex Barker.
Eu ficava emocionado com Tarzan. Com a macaca Chita. Com Jane, a namorada de Tarzan. Com as mil peripécias enfrentando os caçadores de animais.
Depois dos livros e dos filmes de Tarzan, vieram os "gibis" (histórias em quadrinhos) publicadas pela Editora EBAL. E os "comics" (tirinhas de jornal).
Até que os editores inventaram um filho para Tarzan.
E passaram a surgir os livros da série "Korak, o Filho de Tarzan".
Fiquei tão decepcionado que me recusei a ler.
Tarzan nunca poderia ter tido filhos.
Ou ter casado com Jane.
Foi uma traição à minha infância.
Nas sessões da madrugada, quando por acaso passa um velho filme de Tarzan, eu desligo a televisão. E vou prá cama.
Custo a dormir.
Porque fico resmungando uma certa mágoa.
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AUTOR : James Pizarro
ANTES QUE A NATUREZA MORRA - James Pizarro
Este é o primeiro artigo da série
"Antes que a História Morra", série escrita
por mim na revista digital da UFSM, RS, chamada
"Conexão UFSM" (14/08/2010), a convite do jornalista
Miltom Oliveira, webmaster da Rádio Universidade
Conferir no link : http://coralx.ufsm.br/radio/conexaoufsm/numero01/pizarro.html
*****************************************
ANTES QUE A NATUREZA MORRA
Entre as minhas dezenas de arquivos, encontro um recorte da extinta Folha da Manhã, de Porto Alegre, datado de 22 de agosto de 1978, contendo matéria com o seguinte título : "Há um ano, emissora fala em Ecologia". Reproduzo um trecho da matéria do jornal porto-alegrense : "O primeiro programa radiofônico do Brasil sobre Ecologia, comemora este mês um ano
de existência. ANTES QUE A NATUREZA MORRA é apresentado todos os sábados pela rádio da Universidade Federal de Santa Maria, sendo considerado pelo Ministério de Educação e Cultura e pela RADIOBRAS como o programa pioneiro no país no sentido de conscientizar ecologicamente o povo. O programa é produzido e apresentado pelo professor James Pizarro, docente do Departamento de Biologia da UFSM".
Registro que alguns colegas de rádio e da própria UFSM duvidavam que um programa deste tipo ficasse meio ano no ar. Pois ele ficou 26 anos no ar, ininterruptamente, sendo apresentado inclusive durante os meses de férias e durante os períodos de greve. Somente saiu do ar com a minha aposentadoria da UFSM.
Durante meus anos de serviço na UFSM e na rádio da instituição, sempre recebi apoio de todos os reitores. Sempre me permitiram usar o aparelho de telex instalado no gabinete da reitoria (era coisa moderna na época). Remexendo meus guardados, encontro cópia do telex datado de 12 de agosto de 1982, de número 0735, dirigido ao meu amigo pessoal Dr. Paulo Nogueira Neto, então titular da SEMA-Secretaria Especial do Meio Ambiente, órgão existente dentro do Ministério do Interior. O telex diz o seguinte : "Receba V. S. total apoio dos alunos da disciplina de Ecologia da UFSM e meu apoio pessoal, enquanto docente universitário, à carta enviada por V. S. ao Dr. Henrique Bergamin Filho, diretor do INPA-Instituto Nacional de Pesquisa Amazônica. O público gaúcho é dotado de notável consciência ecológica e repudia experiências e estudos para a utilização de desfolhantes na Floresta Amazônica. Se tal se concretizar, coisa que espero não ocorra,o dedicado trabalho de V. S à testa da SEMA ficará totalmente desfigurado diante da opinião pública. Embora encravado no centro do Rio Grande do Sul, distante dos centros decisórios do país, este modesto professor universitário da área da Ecologia, tenta por todos os meios dar sua parcela de colaboração à causa do meio ambiente, certo de que o ecologismo é a única guerra santa deste final sombrio de século vinte".
Por três vezes, tempo depois, o Dr. Paulo Nogueira Neto me convidou para ir à Brasília para participar de mesas redondas e seminários, pois ele sempre foi admirador da minha proposta de rádio ecológico educativo. A criação das "Estações Ecológicas" é idéia dele, sendo que a primeira delas a ser criada, em homenagem ao movimento ecologista gaúcho, foi a Estação Ecológica do Taim. Numa época de verbas curtas na UFSM, com dificuldade para a aquisição das famosas fitas de rolo para a gravação do Antes que a Natureza Morra, me socorri do Dr. Paulo Nogueira Neto, tendo ele prontamente me atendido. Recebi em tempo recorde cerca de 500 fitas de rolo, marca BASF, de uma hora de duração, o que valia naquela época uma pequena fortuna.
"Antes que a História Morra", série escrita
por mim na revista digital da UFSM, RS, chamada
"Conexão UFSM" (14/08/2010), a convite do jornalista
Miltom Oliveira, webmaster da Rádio Universidade
Conferir no link : http://coralx.ufsm.br/radio/conexaoufsm/numero01/pizarro.html
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ANTES QUE A NATUREZA MORRA
Entre as minhas dezenas de arquivos, encontro um recorte da extinta Folha da Manhã, de Porto Alegre, datado de 22 de agosto de 1978, contendo matéria com o seguinte título : "Há um ano, emissora fala em Ecologia". Reproduzo um trecho da matéria do jornal porto-alegrense : "O primeiro programa radiofônico do Brasil sobre Ecologia, comemora este mês um ano
de existência. ANTES QUE A NATUREZA MORRA é apresentado todos os sábados pela rádio da Universidade Federal de Santa Maria, sendo considerado pelo Ministério de Educação e Cultura e pela RADIOBRAS como o programa pioneiro no país no sentido de conscientizar ecologicamente o povo. O programa é produzido e apresentado pelo professor James Pizarro, docente do Departamento de Biologia da UFSM".
Registro que alguns colegas de rádio e da própria UFSM duvidavam que um programa deste tipo ficasse meio ano no ar. Pois ele ficou 26 anos no ar, ininterruptamente, sendo apresentado inclusive durante os meses de férias e durante os períodos de greve. Somente saiu do ar com a minha aposentadoria da UFSM.
Durante meus anos de serviço na UFSM e na rádio da instituição, sempre recebi apoio de todos os reitores. Sempre me permitiram usar o aparelho de telex instalado no gabinete da reitoria (era coisa moderna na época). Remexendo meus guardados, encontro cópia do telex datado de 12 de agosto de 1982, de número 0735, dirigido ao meu amigo pessoal Dr. Paulo Nogueira Neto, então titular da SEMA-Secretaria Especial do Meio Ambiente, órgão existente dentro do Ministério do Interior. O telex diz o seguinte : "Receba V. S. total apoio dos alunos da disciplina de Ecologia da UFSM e meu apoio pessoal, enquanto docente universitário, à carta enviada por V. S. ao Dr. Henrique Bergamin Filho, diretor do INPA-Instituto Nacional de Pesquisa Amazônica. O público gaúcho é dotado de notável consciência ecológica e repudia experiências e estudos para a utilização de desfolhantes na Floresta Amazônica. Se tal se concretizar, coisa que espero não ocorra,o dedicado trabalho de V. S à testa da SEMA ficará totalmente desfigurado diante da opinião pública. Embora encravado no centro do Rio Grande do Sul, distante dos centros decisórios do país, este modesto professor universitário da área da Ecologia, tenta por todos os meios dar sua parcela de colaboração à causa do meio ambiente, certo de que o ecologismo é a única guerra santa deste final sombrio de século vinte".
Por três vezes, tempo depois, o Dr. Paulo Nogueira Neto me convidou para ir à Brasília para participar de mesas redondas e seminários, pois ele sempre foi admirador da minha proposta de rádio ecológico educativo. A criação das "Estações Ecológicas" é idéia dele, sendo que a primeira delas a ser criada, em homenagem ao movimento ecologista gaúcho, foi a Estação Ecológica do Taim. Numa época de verbas curtas na UFSM, com dificuldade para a aquisição das famosas fitas de rolo para a gravação do Antes que a Natureza Morra, me socorri do Dr. Paulo Nogueira Neto, tendo ele prontamente me atendido. Recebi em tempo recorde cerca de 500 fitas de rolo, marca BASF, de uma hora de duração, o que valia naquela época uma pequena fortuna.
OS MORROS DE SANTA MARIA VÃO DESLIZAR - James Pizarro
Este é o segundo artigo da série
"Antes que a História Morra", série escrita
por mim na revista digital da UFSM, RS, chamada
"Conexão UFSM" (14/09/2010), a convite do jornalista
Miltom Oliveira, webmaster da Rádio Universidade.
Confira no link : http://coralx.ufsm.br/radio/conexaoufsm/numero02/pizarro.html
**************************************************
OS MORROS DE SANTA MARIA VÃO DESLIZAR
A cidade de Santa Maria, RS, onde nasci e me criei, é cercada por lindas montanhas. Muitas com áreas de degradação e desmatamento, além de pedreiras que consegui paralisar na justiça quando estive vereador, em 1988/1992. E com o apoio da Rádio Universidade, através de entrevistas e denúncias.
Morro da Televisão, Morro do Cechella, Vila Bilibio, etc...têm ocupações irregulares que começaram naquele período, ao arrepio do código florestal e sob a complacência dos políticos. Dei dezenas de entrevistas e escrevi um longo artigo para o jornal "A Razão", que intitulei "A favelização de Santa Maria já começou". No artigo eu previa os deslizamentos, as mortes, etc... A cidade caiu de pau em cima de mim, enquanto colegas de docência da UFSM me chamavam de catastrófico. Outros me chamaram de histérico. Os colegas da Rádio sempre ficaram do meu lado.
Li dia desses nos jornais de Santa Maria que no Morro do Cechella já houve erosão e alguns pequenos deslizamentos, felizmente sem mortes (por enquanto).
Retorno ao tema por causa do desmoronamento e das mortes da Favela do Morro do Bumba, em Niterói, com dezenas de mortes e famílias inteiras soterradas.
Quem são os responsáveis pelo uso do solo em Santa Maria, a não ser a Prefeitura Municipal?
Existe uma espécie de plano diretor para as áreas de risco da cidade?
Essas áreas estão sendo monitoradas? Se positivo, por quem, quando e onde estão os relatórios do monitoramento?
Existem autoridades, secretários, vereadores ou políticos sob qualquer título que estimularam - principalmente em anos eleitorais - a ocupação ilegal de áreas de risco? Existem loteamentos clandestinos? Áreas de preservação permanente estão sendo ocupadas? Os mananciais do município estão sendo protegidos?
Nesta catástrofe de Niterói, o ilustre prefeito daquela cidade, Jorge Roberto Silveira (PDT) teve a cara de pau de fazer uma ridícula comparação, ao dizer que "ninguém culpou os governos da Ásia pelos tsunâmis". Sem ao menos ficar vermelho, o prefeito culpou São Pedro pelas chuvas excessivas e pelos desmoronamentos.
Agora mesmo, em Goiás, a justiça liberou da prisão um psicopata de bom comportamento e que tratou logo de matar e estuprar seis adolescentes. As autoridades apenas disseram aos parentes indignados que ocorreu um "lamentável equívoco na avaliação psiquiátrica". E tudo ficou por isso mesmo.
Se futuramente ocorrerem desmoronamentos e mortes nos morros de Santa Maria, o que dirão as autoridades?
Que a culpa é do "El Niño"? De Nossa Senhora Medianeira e do diácono Pozzobon que não velaram pela cidade?
Ou culparão o Pizarro e me acusarão de ave de mau agouro?
O que dirão?
"Antes que a História Morra", série escrita
por mim na revista digital da UFSM, RS, chamada
"Conexão UFSM" (14/09/2010), a convite do jornalista
Miltom Oliveira, webmaster da Rádio Universidade.
Confira no link : http://coralx.ufsm.br/radio/conexaoufsm/numero02/pizarro.html
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OS MORROS DE SANTA MARIA VÃO DESLIZAR
A cidade de Santa Maria, RS, onde nasci e me criei, é cercada por lindas montanhas. Muitas com áreas de degradação e desmatamento, além de pedreiras que consegui paralisar na justiça quando estive vereador, em 1988/1992. E com o apoio da Rádio Universidade, através de entrevistas e denúncias.
Morro da Televisão, Morro do Cechella, Vila Bilibio, etc...têm ocupações irregulares que começaram naquele período, ao arrepio do código florestal e sob a complacência dos políticos. Dei dezenas de entrevistas e escrevi um longo artigo para o jornal "A Razão", que intitulei "A favelização de Santa Maria já começou". No artigo eu previa os deslizamentos, as mortes, etc... A cidade caiu de pau em cima de mim, enquanto colegas de docência da UFSM me chamavam de catastrófico. Outros me chamaram de histérico. Os colegas da Rádio sempre ficaram do meu lado.
Li dia desses nos jornais de Santa Maria que no Morro do Cechella já houve erosão e alguns pequenos deslizamentos, felizmente sem mortes (por enquanto).
Retorno ao tema por causa do desmoronamento e das mortes da Favela do Morro do Bumba, em Niterói, com dezenas de mortes e famílias inteiras soterradas.
Quem são os responsáveis pelo uso do solo em Santa Maria, a não ser a Prefeitura Municipal?
Existe uma espécie de plano diretor para as áreas de risco da cidade?
Essas áreas estão sendo monitoradas? Se positivo, por quem, quando e onde estão os relatórios do monitoramento?
Existem autoridades, secretários, vereadores ou políticos sob qualquer título que estimularam - principalmente em anos eleitorais - a ocupação ilegal de áreas de risco? Existem loteamentos clandestinos? Áreas de preservação permanente estão sendo ocupadas? Os mananciais do município estão sendo protegidos?
Nesta catástrofe de Niterói, o ilustre prefeito daquela cidade, Jorge Roberto Silveira (PDT) teve a cara de pau de fazer uma ridícula comparação, ao dizer que "ninguém culpou os governos da Ásia pelos tsunâmis". Sem ao menos ficar vermelho, o prefeito culpou São Pedro pelas chuvas excessivas e pelos desmoronamentos.
Agora mesmo, em Goiás, a justiça liberou da prisão um psicopata de bom comportamento e que tratou logo de matar e estuprar seis adolescentes. As autoridades apenas disseram aos parentes indignados que ocorreu um "lamentável equívoco na avaliação psiquiátrica". E tudo ficou por isso mesmo.
Se futuramente ocorrerem desmoronamentos e mortes nos morros de Santa Maria, o que dirão as autoridades?
Que a culpa é do "El Niño"? De Nossa Senhora Medianeira e do diácono Pozzobon que não velaram pela cidade?
Ou culparão o Pizarro e me acusarão de ave de mau agouro?
O que dirão?
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
"CIC - CENTRO INTEGRADO DE CULTURA" DE FLORIANÓPOLIS : VAI PERMANECER FECHADO ATÉ QUANDO ?
Reproduzo abaixo o flyer de divulgação de ato/manifesto de amor ao CIC (Centro Integrado de Cultura) de Florianópolis que está abandonado há quase dois anos. Espero que todos os leitores/seguidores deste blog divulguem a matéria. Abaixo, na íntegra, o manifesto que me foi enviado assinado pelo grupo "ARTISTAS INDEPENDENTES DE FLORIANÓPOLIS".
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Não era sem tempo. Um ato em protesto ao fechamento do Centro Integrado de Cultura da Capital (CIC) deverá reunir mais de 100 artistas, além de servidores. A data ainda não foi divulgada, mas sabe-se que ocorrerá nos próximos 20 dias. A mobilização será pacífica e cultural, incluindo ações artísticas e exibição de vídeos, em frente ao CIC, fechado há quase dois anos para as intermináveis reformas. Até que demorou essa reação. O governo do Estado e a Fundação Catarinense de Cultura jogaram com a “infinita” paciência e a falta de iniciativa da classe para se mobilizar. Está na hora de dar um basta neste “blefe”.
A situação degradante do maior equipamento cultural do Estado é reflexo da política esquizofrênica e risível empreendida nos últimos oito anos pelas gestões encasteladas no governo do Estado. Durante esse tempo, o CIC passou por infindáveis reformas, todas inconclusas. Imaginem o quanto se enterrou de dinheiro ali nestes oito anos sem que os resultados fossem notados. A atual reforma já consumiu R$ 8 milhões, sendo não estão incluídos aí os gastos com o Teatro Ademir Rosa e o Cinema (estes ainda em licitação). Não seria assunto para uma Comissão Parlamentar de Inquérito?
Sabendo da precariedade e da urgente necessidade de uma readequação do local, o governo anterior resolveu investir o dinheiro do contribuinte na construção de um outro teatro, anexo ao Centro Administrativo, na rodovia de acesso ao Norte da Capital. Espaço este menor e que vive com constantes problemas de infiltração. Convenhamos, aquilo não é um teatro, é apenas um auditório construído para atender ao capricho do “rei nu” da época.
ass. ARTISTAS INDEPENDENTES DE FLORIANÓPOLIS
Bis da apresentação "Música para o Cinema" da Camerata Florianópolis.
Dia 23/11/07 no teatro do CIC, Florianópolis, SC.
Claro, isso quando o CIC funcionava e cumpria seu papel...
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Não era sem tempo. Um ato em protesto ao fechamento do Centro Integrado de Cultura da Capital (CIC) deverá reunir mais de 100 artistas, além de servidores. A data ainda não foi divulgada, mas sabe-se que ocorrerá nos próximos 20 dias. A mobilização será pacífica e cultural, incluindo ações artísticas e exibição de vídeos, em frente ao CIC, fechado há quase dois anos para as intermináveis reformas. Até que demorou essa reação. O governo do Estado e a Fundação Catarinense de Cultura jogaram com a “infinita” paciência e a falta de iniciativa da classe para se mobilizar. Está na hora de dar um basta neste “blefe”.
A situação degradante do maior equipamento cultural do Estado é reflexo da política esquizofrênica e risível empreendida nos últimos oito anos pelas gestões encasteladas no governo do Estado. Durante esse tempo, o CIC passou por infindáveis reformas, todas inconclusas. Imaginem o quanto se enterrou de dinheiro ali nestes oito anos sem que os resultados fossem notados. A atual reforma já consumiu R$ 8 milhões, sendo não estão incluídos aí os gastos com o Teatro Ademir Rosa e o Cinema (estes ainda em licitação). Não seria assunto para uma Comissão Parlamentar de Inquérito?
Sabendo da precariedade e da urgente necessidade de uma readequação do local, o governo anterior resolveu investir o dinheiro do contribuinte na construção de um outro teatro, anexo ao Centro Administrativo, na rodovia de acesso ao Norte da Capital. Espaço este menor e que vive com constantes problemas de infiltração. Convenhamos, aquilo não é um teatro, é apenas um auditório construído para atender ao capricho do “rei nu” da época.
ass. ARTISTAS INDEPENDENTES DE FLORIANÓPOLIS
Bis da apresentação "Música para o Cinema" da Camerata Florianópolis.
Dia 23/11/07 no teatro do CIC, Florianópolis, SC.
Claro, isso quando o CIC funcionava e cumpria seu papel...
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