domingo, 27 de abril de 2014
RÉQUIEM PARA A LETRA CURSIVA ? - James Pizarro
Semana passada precisei assinar uma procuração em cartório aqui em Floripa. A moça, desconfiada, me fez assinar de novo porque disse que minha assinatura está mudando, estava diferente.
Raciocinei e me dei conta que durante quase meio século usei apenas giz (escrevi sempre em letra de imprensa no quadro), máquina de escrever e computador. Eu me dei conta que não uso mais a caligrafia, a letra cursiva, as provas em papel almaço ou papel ofício, os bilhetes de amor. Tudo ficou automatizado.
Como serão as bibliotecas do futuro ?
E se um dia todos os computadores do mundo forem atacados por um vírus xiita e apagar rigorosamente TUDO que está arquivado ?
Como meus bisnetos aprenderão a escrever ?
terça-feira, 15 de abril de 2014
POBRES ALUNOS DA ESCOLA JACÓ ANDERLE (ESCOLA JOVEM) !!! - James PIZARRO
No início da semana que hoje finda (11/4/2014) assisti ao "Jornal do Almoço" da RBS TV de Florianópolis. Fiquei atento à principal matéria da edição : falta de professores do Ensino Médio em escolas estaduais da cidade.
Em especial, fiquei comovido com as declarações dos alunos da Escola Jacó Anderle (Escola Jovem), da Var...gem Grande, principalmente os que cursam o terceiro e último ano e são, portanto, os vestibulandos da escola. Uma das meninas, corajosamente reclamou e, entre outras coisas, disse :
- Que chance teremos de concorrer com alunos de outras escolas se, DESDE O INÍCIO DO ANO, não temos professor de Biologia ?
Imediatamente me ocorreu a idéia de me oferecer para dar aulas de Biologia para os alunos, de forma voluntária, gratuita, uma espécie de aulas de macetes ou dicas de Biologia para suprir a lacuna, aproveitando meus 44 anos de docência na UFSM e em cursos pré-vestibulares do RS.
Liguei para a Secretaria Estadual de Educação de SC (telefone 3664.0200) e expliquei o porquê do meu telefonema. A professora que atendeu me disse que quem tratava deste tipo de assunto ainda não havia chegado (passavam das 10h), mas que ela me daria um e-mail onde eu poderia escrever as minhas intenções. Eu repliquei dizendo :
- Acho que o interesse é da Secretaria e peço que a senhora anote meu telefone e quando a pessoa encarregada chegar me telefone dizendo se há interesse.
Até hoje ninguém me ligou.
Como sou insistente, resolvi ligar diretamente para a direção da Escola Jacó Anderle. A professora que se identificou como diretora, gentilmente me disse o seguinte :
- Aula como professor normal de Biologia, mesmo de graça, o sr. não poderá porque há implicações jurídicas de vínculo trabalhista. O que o sr. pode fazer é elaborar um projeto para dar aulas de revisão no contraturno para alunos que manifestem interesse em assistir. Eu encaminharei o seu projeto para as autoridades da secretaria e eles decidirão se é viável.
Eu argumentei a ela que era um professor universitário, aposentado do MEC _ Ministério de Educação e Cultura, com 44 anos de docência, agrônomo, pós-graduado, etc...Fiquei de mandar o currículo para ela, o que fiz dez minutos depois.
Ainda argumentei que a única coisa que eu queria era que me buscassem e trouxessem em casa, pois não tenho carro. E que poderia assinar um documento dizendo que abria mão de qualquer tipo de remuneração ou futura ação trabalhista.
Até hoje ninguém me respondeu ao e-mail e nem ao telefonema.
Hoje, ao fazer a barba, juro que vi na minha cara um nariz de palhaço.RRO
No início da semana que hoje finda (11/4/2014) assisti ao "Jornal do Almoço" da RBS TV de Florianópolis. Fiquei atento à principal matéria da edição : falta de professores do Ensino Médio em escolas estaduais da cidade.
Em especial, fiquei comovido com as declarações dos alunos da Escola Jacó Anderle (Escola Jovem), da Var...gem Grande, principalmente os que cursam o terceiro e último ano e são, portanto, os vestibulandos da escola. Uma das meninas, corajosamente reclamou e, entre outras coisas, disse :
- Que chance teremos de concorrer com alunos de outras escolas se, DESDE O INÍCIO DO ANO, não temos professor de Biologia ?
Imediatamente me ocorreu a idéia de me oferecer para dar aulas de Biologia para os alunos, de forma voluntária, gratuita, uma espécie de aulas de macetes ou dicas de Biologia para suprir a lacuna, aproveitando meus 44 anos de docência na UFSM e em cursos pré-vestibulares do RS.
Liguei para a Secretaria Estadual de Educação de SC (telefone 3664.0200) e expliquei o porquê do meu telefonema. A professora que atendeu me disse que quem tratava deste tipo de assunto ainda não havia chegado (passavam das 10h), mas que ela me daria um e-mail onde eu poderia escrever as minhas intenções. Eu repliquei dizendo :
- Acho que o interesse é da Secretaria e peço que a senhora anote meu telefone e quando a pessoa encarregada chegar me telefone dizendo se há interesse.
Até hoje ninguém me ligou.
Como sou insistente, resolvi ligar diretamente para a direção da Escola Jacó Anderle. A professora que se identificou como diretora, gentilmente me disse o seguinte :
- Aula como professor normal de Biologia, mesmo de graça, o sr. não poderá porque há implicações jurídicas de vínculo trabalhista. O que o sr. pode fazer é elaborar um projeto para dar aulas de revisão no contraturno para alunos que manifestem interesse em assistir. Eu encaminharei o seu projeto para as autoridades da secretaria e eles decidirão se é viável.
Eu argumentei a ela que era um professor universitário, aposentado do MEC _ Ministério de Educação e Cultura, com 44 anos de docência, agrônomo, pós-graduado, etc...Fiquei de mandar o currículo para ela, o que fiz dez minutos depois.
Ainda argumentei que a única coisa que eu queria era que me buscassem e trouxessem em casa, pois não tenho carro. E que poderia assinar um documento dizendo que abria mão de qualquer tipo de remuneração ou futura ação trabalhista.
Até hoje ninguém me respondeu ao e-mail e nem ao telefonema.
Hoje, ao fazer a barba, juro que vi na minha cara um nariz de palhaço.
Em especial, fiquei comovido com as declarações dos alunos da Escola Jacó Anderle (Escola Jovem), da Var...gem Grande, principalmente os que cursam o terceiro e último ano e são, portanto, os vestibulandos da escola. Uma das meninas, corajosamente reclamou e, entre outras coisas, disse :
- Que chance teremos de concorrer com alunos de outras escolas se, DESDE O INÍCIO DO ANO, não temos professor de Biologia ?
Imediatamente me ocorreu a idéia de me oferecer para dar aulas de Biologia para os alunos, de forma voluntária, gratuita, uma espécie de aulas de macetes ou dicas de Biologia para suprir a lacuna, aproveitando meus 44 anos de docência na UFSM e em cursos pré-vestibulares do RS.
Liguei para a Secretaria Estadual de Educação de SC (telefone 3664.0200) e expliquei o porquê do meu telefonema. A professora que atendeu me disse que quem tratava deste tipo de assunto ainda não havia chegado (passavam das 10h), mas que ela me daria um e-mail onde eu poderia escrever as minhas intenções. Eu repliquei dizendo :
- Acho que o interesse é da Secretaria e peço que a senhora anote meu telefone e quando a pessoa encarregada chegar me telefone dizendo se há interesse.
Até hoje ninguém me ligou.
Como sou insistente, resolvi ligar diretamente para a direção da Escola Jacó Anderle. A professora que se identificou como diretora, gentilmente me disse o seguinte :
- Aula como professor normal de Biologia, mesmo de graça, o sr. não poderá porque há implicações jurídicas de vínculo trabalhista. O que o sr. pode fazer é elaborar um projeto para dar aulas de revisão no contraturno para alunos que manifestem interesse em assistir. Eu encaminharei o seu projeto para as autoridades da secretaria e eles decidirão se é viável.
Eu argumentei a ela que era um professor universitário, aposentado do MEC _ Ministério de Educação e Cultura, com 44 anos de docência, agrônomo, pós-graduado, etc...Fiquei de mandar o currículo para ela, o que fiz dez minutos depois.
Ainda argumentei que a única coisa que eu queria era que me buscassem e trouxessem em casa, pois não tenho carro. E que poderia assinar um documento dizendo que abria mão de qualquer tipo de remuneração ou futura ação trabalhista.
Até hoje ninguém me respondeu ao e-mail e nem ao telefonema.
Hoje, ao fazer a barba, juro que vi na minha cara um nariz de palhaço.RRO
No início da semana que hoje finda (11/4/2014) assisti ao "Jornal do Almoço" da RBS TV de Florianópolis. Fiquei atento à principal matéria da edição : falta de professores do Ensino Médio em escolas estaduais da cidade.
Em especial, fiquei comovido com as declarações dos alunos da Escola Jacó Anderle (Escola Jovem), da Var...gem Grande, principalmente os que cursam o terceiro e último ano e são, portanto, os vestibulandos da escola. Uma das meninas, corajosamente reclamou e, entre outras coisas, disse :
- Que chance teremos de concorrer com alunos de outras escolas se, DESDE O INÍCIO DO ANO, não temos professor de Biologia ?
Imediatamente me ocorreu a idéia de me oferecer para dar aulas de Biologia para os alunos, de forma voluntária, gratuita, uma espécie de aulas de macetes ou dicas de Biologia para suprir a lacuna, aproveitando meus 44 anos de docência na UFSM e em cursos pré-vestibulares do RS.
Liguei para a Secretaria Estadual de Educação de SC (telefone 3664.0200) e expliquei o porquê do meu telefonema. A professora que atendeu me disse que quem tratava deste tipo de assunto ainda não havia chegado (passavam das 10h), mas que ela me daria um e-mail onde eu poderia escrever as minhas intenções. Eu repliquei dizendo :
- Acho que o interesse é da Secretaria e peço que a senhora anote meu telefone e quando a pessoa encarregada chegar me telefone dizendo se há interesse.
Até hoje ninguém me ligou.
Como sou insistente, resolvi ligar diretamente para a direção da Escola Jacó Anderle. A professora que se identificou como diretora, gentilmente me disse o seguinte :
- Aula como professor normal de Biologia, mesmo de graça, o sr. não poderá porque há implicações jurídicas de vínculo trabalhista. O que o sr. pode fazer é elaborar um projeto para dar aulas de revisão no contraturno para alunos que manifestem interesse em assistir. Eu encaminharei o seu projeto para as autoridades da secretaria e eles decidirão se é viável.
Eu argumentei a ela que era um professor universitário, aposentado do MEC _ Ministério de Educação e Cultura, com 44 anos de docência, agrônomo, pós-graduado, etc...Fiquei de mandar o currículo para ela, o que fiz dez minutos depois.
Ainda argumentei que a única coisa que eu queria era que me buscassem e trouxessem em casa, pois não tenho carro. E que poderia assinar um documento dizendo que abria mão de qualquer tipo de remuneração ou futura ação trabalhista.
Até hoje ninguém me respondeu ao e-mail e nem ao telefonema.
Hoje, ao fazer a barba, juro que vi na minha cara um nariz de palhaço.
domingo, 13 de abril de 2014
SEMIPOEMA PARA MINHA FILHA FUTURA - James PIZARRO (1966)
Para mostrar que a velhice aterrissou na minha face.
Apertarás minha mão nodosa.
Sentirás minha barba dura e branca.
E - sorrindo - me dirás :Mesmo antes de nascer eu já te quero.
Pois és fruta-mórula no ventre do meu amor.
Quando nasceres, o sol brilhará mais forte.
As aves voarão mais alto.
E a brisa será um hino na ramagem.
Eu te ensinarei a ver durante o dia a pomba branca na antena da TV.
E se à noite ouvires no vídeo o homem falar da guerra, eu te mentirei.
Direi que a ele fala assim porque a pomba não faz plantão noturno.
Eu te ensinarei sobre Frank Borman e Gagarin, os primeiros astronautas.
E também sobre Colombo e Cabral.
Que eu já perdi em distantes aulas de geografia.
Um dia, teus ossos esticarão.
"Papai".
segunda-feira, 7 de abril de 2014
MORREU AUGUSTO CARNEIRO !!!
Com imensa tristeza comunico a morte do grande líder do movimento ecologista gaúcho
AUGUSTO CARNEIRO. Sua morte ocorreu hoje, aos 91 anos, em Porto Alegre.
Recebi o comunicado através de e-mail do amigo jornalista João Batista Santafé Aguiar :
" Olá amigos,
AUGUSTO CARNEIRO. Sua morte ocorreu hoje, aos 91 anos, em Porto Alegre.
Recebi o comunicado através de e-mail do amigo jornalista João Batista Santafé Aguiar :
" Olá amigos,
com tristeza, informo o falecimento do Augusto Carneiro, aos 91 anos. Vida cheia de obras e de amigos, formou várias gerações na boa leitura e em exemplos de vida.
estava internado há algumas semanas no Mãe de Deus, com dificuldades respiratórias e em outros orgaos. Baixou para o CTI há alguns dias. Situação piorou muito nas últimas horas e acabou falecendo hoje de madrugada.
à tarde, será velado no Cemitério São Miguel e Almas e o seu enterro está marcado para às 17h. Deixou a filha, Andréia, e a neta, Janaína. E todos nós.
abs.
João Batista "
quinta-feira, 20 de março de 2014
FINALMENTE, COMEÇA O ANO NOVO ? - James Pizarro
Natal, Ano Novo, Férias, Planeta Atlântida...tudo acabou.
Ontem acabou o verão ("São as águas de março fechando o verão", já cantava a Elis Regina).
O que sobrou de grana o pessoal torrou no Carnaval. E agora começam a se queixar dos preços do material escolar.
Será que agora o brasileiro é capaz de acordar para a vida real ?
Ontem acabou o verão ("São as águas de março fechando o verão", já cantava a Elis Regina).
O que sobrou de grana o pessoal torrou no Carnaval. E agora começam a se queixar dos preços do material escolar.
Será que agora o brasileiro é capaz de acordar para a vida real ?
terça-feira, 11 de março de 2014
Cel. FIRMO DE ALMEIDA, UMA SAUDADE - James Pizarro
Claudio Barros foi meu colega de banda e de estudos no glorioso Colégio Estadual Manoel Ribas, de Santa Maria, o popular MANECO. Nós dois éramos colegas e amigos do Alceste Almeida, de Roraima, cujo pai - chamado Oséias - chegou a ser gerente do Banco do Brasil na agência central de Santa Maria. O Alceste se formou em Medicina e voltou para Roraima, por onde foi eleito várias vezes deputado pelo PTB.
Claudio Barros se formou médico-veterinário pela UFSM e em 1971 ingressou na mesma como docente. Ainda está na UFSM até hoje (2011) como Professor Titular de Patologia Veterinária. Eu tinha me formado um pouco antes em Agronomia (1965) e já em 1966 era docente da disciplina então existente "Zoologia Agrícola : Anatomia e Fisiologia dos Animais Domésticos". Esta disciplina, com programa muito extenso, era ministrada por 3 professores : eng. agrônomo ARMANDO ADÃO RIBAS (Zoologia Agrícola), coronel da Brigada Militar e médico-veterinário FLÁVIO MARTINI (Anatomia dos Animais Domésticos) e eng. agrônomo JAMES PIZARRO (Fisiologia dos Animais Domésticos).
Claudio Barros era genro do coronel do exército ALBERTO FIRMO DE ALMEIDA, que foi injustamente afastado do exército pois foi cassado pela Revolução de 31 de março de 1964 quando era Comandante do Regimento de Infantaria Gomes Carneiro. O coronel Firmo tinha 3 filhos (2 meninas e um menino) e Cláudio Barros casou com a filha de nome NINA, com a qual teve dois filhos : MAURO, advogado do setor jurídico do Hospital das Clínicas de Porto Alegre e GUILHERME, músico, também residente em Porto Alegre, que deu a Claudio seu único neto (JOÃO, de 2,5 anos).
De 1976 a 1980, Cláudio e Nina moraram com as crianças nos Estados Unidos para que ele pudesse fazer seu doutorado em Patologia Veterinária. Regressaram dos EUA em 1980. O coronel FIRMO DE ALMEIDA faleceu em 1983. Em 1986 passaram a residir na casa do falecido FIRMO, onde permanecem até hoje. A casa fica na frente do Quartel dos Bombeiros de Santa Maria, à rua Niederauer, 897. A casa tem um belo terreno de 100 metros de fundo, onde NINA mantém afetivamente um belo jardim, coisa rara por aquelas bandas da cidade. Claudio Barros, ao contrário de mim, que se aposentou com mais de 40 anos de docência, pretende trabalhar até a compulsória lhe pegar - isto é - até 2015, quando completará seus 70 anos.
Porque estou escrevendo tudo isso e recordando essas coisas todas ?
Primeiro, porque Santa Maria é de má memória e ingrata para com grande número de seus filhos.
Segundo - talvez nem o próprio Cláudio saiba disso - eu fui muito amigo do seu sogro, o coronel ALBERTO FIRMO DE ALMEIDA. Como fui um estudante universitário de poucas posses, o coronel me emprestava livros da biblioteca do Clube Caixeiral (que ele dirigiu com zelo durante muitos e muitos anos) para que eu pudesse levar para casa. Eu podia frequentar a biblioteca porque meu pai era sócio do Clube Caixeiral. Lá eu lia os jornais do dia, entre senhores de cara fechada e todos eles na faixa dos 60 ou 70 anos, que eram os frequentadores assíduos da biblioteca. O coronel FIRMO sempre me dizia : "Pizarro, até hoje não apareceu por aqui nenhum mais moço do que tu para ler". E vaticinava, baixinho, pois não era de fazer estardalhaço : "O país está criando uma geração de ignorantes".
Hoje, onde existia a biblioteca há uma bar, uma espécie de 'pub' londrino. Existirá a biblioteca em outra dependência do clube ou terão acabado com ela ?
Algum dos intelectuais ou "imortais" da cidade saberão quem foi o coronel FIRMO ? A cidade já terá lhe feito alguma homenagem ? Será ele algum nome de rua ou de praça ?
Ou apenas seus descentes lembrarão dele com saudade ?
De minha parte, faço este registro enquanto minha memória viaja meio século em cinco segundos. E sinto uma coisa pungente no peito.
Sinto uma certa melancolia da Santa Maria onde todas as pessoas se cumprimentavam. E gostavam de ler.
Os dirigentes políticos do país vão conseguir o que querem : imbecilizar uma geração inteira.
Fica mais fácil de mandar. E de roubar.
Claudio Barros se formou médico-veterinário pela UFSM e em 1971 ingressou na mesma como docente. Ainda está na UFSM até hoje (2011) como Professor Titular de Patologia Veterinária. Eu tinha me formado um pouco antes em Agronomia (1965) e já em 1966 era docente da disciplina então existente "Zoologia Agrícola : Anatomia e Fisiologia dos Animais Domésticos". Esta disciplina, com programa muito extenso, era ministrada por 3 professores : eng. agrônomo ARMANDO ADÃO RIBAS (Zoologia Agrícola), coronel da Brigada Militar e médico-veterinário FLÁVIO MARTINI (Anatomia dos Animais Domésticos) e eng. agrônomo JAMES PIZARRO (Fisiologia dos Animais Domésticos).
Claudio Barros era genro do coronel do exército ALBERTO FIRMO DE ALMEIDA, que foi injustamente afastado do exército pois foi cassado pela Revolução de 31 de março de 1964 quando era Comandante do Regimento de Infantaria Gomes Carneiro. O coronel Firmo tinha 3 filhos (2 meninas e um menino) e Cláudio Barros casou com a filha de nome NINA, com a qual teve dois filhos : MAURO, advogado do setor jurídico do Hospital das Clínicas de Porto Alegre e GUILHERME, músico, também residente em Porto Alegre, que deu a Claudio seu único neto (JOÃO, de 2,5 anos).
De 1976 a 1980, Cláudio e Nina moraram com as crianças nos Estados Unidos para que ele pudesse fazer seu doutorado em Patologia Veterinária. Regressaram dos EUA em 1980. O coronel FIRMO DE ALMEIDA faleceu em 1983. Em 1986 passaram a residir na casa do falecido FIRMO, onde permanecem até hoje. A casa fica na frente do Quartel dos Bombeiros de Santa Maria, à rua Niederauer, 897. A casa tem um belo terreno de 100 metros de fundo, onde NINA mantém afetivamente um belo jardim, coisa rara por aquelas bandas da cidade. Claudio Barros, ao contrário de mim, que se aposentou com mais de 40 anos de docência, pretende trabalhar até a compulsória lhe pegar - isto é - até 2015, quando completará seus 70 anos.
Porque estou escrevendo tudo isso e recordando essas coisas todas ?
Primeiro, porque Santa Maria é de má memória e ingrata para com grande número de seus filhos.
Segundo - talvez nem o próprio Cláudio saiba disso - eu fui muito amigo do seu sogro, o coronel ALBERTO FIRMO DE ALMEIDA. Como fui um estudante universitário de poucas posses, o coronel me emprestava livros da biblioteca do Clube Caixeiral (que ele dirigiu com zelo durante muitos e muitos anos) para que eu pudesse levar para casa. Eu podia frequentar a biblioteca porque meu pai era sócio do Clube Caixeiral. Lá eu lia os jornais do dia, entre senhores de cara fechada e todos eles na faixa dos 60 ou 70 anos, que eram os frequentadores assíduos da biblioteca. O coronel FIRMO sempre me dizia : "Pizarro, até hoje não apareceu por aqui nenhum mais moço do que tu para ler". E vaticinava, baixinho, pois não era de fazer estardalhaço : "O país está criando uma geração de ignorantes".
Hoje, onde existia a biblioteca há uma bar, uma espécie de 'pub' londrino. Existirá a biblioteca em outra dependência do clube ou terão acabado com ela ?
Algum dos intelectuais ou "imortais" da cidade saberão quem foi o coronel FIRMO ? A cidade já terá lhe feito alguma homenagem ? Será ele algum nome de rua ou de praça ?
Ou apenas seus descentes lembrarão dele com saudade ?
De minha parte, faço este registro enquanto minha memória viaja meio século em cinco segundos. E sinto uma coisa pungente no peito.
Sinto uma certa melancolia da Santa Maria onde todas as pessoas se cumprimentavam. E gostavam de ler.
Os dirigentes políticos do país vão conseguir o que querem : imbecilizar uma geração inteira.
Fica mais fácil de mandar. E de roubar.
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