quarta-feira, 2 de março de 2011

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável (IDESP) encomendaram um censo nacional para levantar a situação de crianças e adolescentes que moram ou trabalham na rua. A pesquisa foi feita em 75 cidades brasileiras que possuem mais de 300.000 habitantes.

Eis alguns resultados preliminares :

a)- 71,8 % das crianças em situação de rua são do sexo masculino.

b)- os pesquisados não querem dormir em instituições basicamente por estas razões : falta de liberdade (59,4 %), proibição do uso de álcool e drogas (38,6 %),horários e demais rotinas (26,9 %).

c)- eles costumam dormir na casa da família ou de amigos (59,1 %), locais de rua (23,2 %), instituições (2,9 %), outros locais (14,8 %).

d)- motivos para ir para a rua : brigas verbais com pais e irmãos (32,2 %), violência doméstica (30,6 %), alcoolismo e uso de drogas (30,4 %), busca da liberdade (22,8 %), perda da moradia pela família (13,2 %), violência e abuso sexual (8,8 %).

e)- escolaridade das crianças e adolescentes que moram na rua : primeiro grau incompleto (79,1 %), primeiro grau completo (8,7 %), segundo grau incompleto (4,1 %), outros (10,1 %).

f)- cor : pardos ou morenos (49,2 %), brancos (23,8 %), negros (23,8 %).

g)- os pesquisados acham que a rua é um bom local para ganhar dinheiro (esmolas, venda de produtos , etc...).

h)- a pesquisa encontrou um número espantoso : 23.973 crianças brasileiras moram na rua.

Lendo estes e outros dados publicados pela grande imprensa brasileira, fico a me perguntar o que os políticos e governantes estão fazendo de REAL e de PRÁTICO para resolver o problema dessas 23.973 crianças.

O que os governantes estão fazendo de REAL para resolver o problema de consumo de crack pelas crianças de rua ? Que trabalhos estão sendo feitos no sentido de reestruturar estas famílias ? Que suporte técnico estas famílias têm para resolução dos conflitos domésticos e comunitários ? As escolas e os professores estão preparados para enfrentar estes problemas ? Quais as medidas de saúde pública tomadas para internação dessas crianças no caso de dependência de drogas ? Quantos enfermeiros, médicos, assistentes sociais os governos têm contratado para trabalharem nesta problemática ? Os Conselhos Tutelares têm cumprido seu papel com eficácia ?

Não é melhor investir pesado AGORA na solução do problema dessas 23.973 crianças antes que elas cresçam ? Caso contrário, num futuro bem próximo, teremos nas ruas 23.973 novos assaltantes, estupradores, ladrões, assassinos e prostitutas.

Bem que poderíamos desistir de sediar a Copa do Mundo e/ou as Olimpíadas e investir este dinheiro todo na educação das crianças e adolescentes do Brasil.

Mas nossos políticos têm coragem e visão para fazer isso ?

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AUTOR : James Pizarro

4 comentários:

Anônimo disse...

Meu caro Prof. Pizarro, rejubilo-me com suas "memórias estudantis".
Encerram gratidão aos mestres, além de uma bela lição de humanidade.
Que a sua prodigiosa memória continue a embalar esse passado comovente e que o seu "livro" saia, de uma vez por todas, do prelo!

sergiobbarcellos disse...

qual é a fonte james??

JAMES PIZARRO disse...

a)- o tema foi abordado pela FOLHA DE SP, não me lembro de que dia, mas foi da semana passada ou do inicio desta semana.
b)- A Eliane Brum (Revista ÉPOCA) tb fez um artigo sobre isso.
c)- o jornalista Bruno Paes Manso também divulgou estes numeros no ESTADÃO da semana passada.
d)- tem tb os sites dos órgãos oficiais que anuncio na abertura da minha postagem : Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável (IDESP).
e)- a Gazeta on-line (globo.com) também publicou matéria em 24 de fevereiro.
Como vês, o tema é de domínio público.
Abração

Pizarro

Carmen Regina Dias disse...

Passado aqui no rol de teu leitores para dar um beijo gostoso e um lonnnnnngo abraço no poetanaalma.

Lindo, viu...encantam-me os olhos, o coração e esses gestos fraternos
do escritor talentoso, fazendo honras ao Criador dessa coisa gigantesca
que chamamos infinito.