segunda-feira, 10 de novembro de 2008

DE 1660 a 1700 ERA ASSIM...


Ao se visitar o Palácio de Versailles, em Paris, observa-se que o suntuoso
palácio não tem banheiros.

Na Idade Média, não existiam escovas de dente, perfumes, desodorantes,
muito menos papel higiênico.

As excrescências humanas eram despejadas pelas janelas do palácio.

Em dia de festa, a cozinha do palácio conseguia preparar banquete para 1.500
pessoas, sem a mínima higiene.

Vemos nos filmes de hoje as pessoas sendo abanadas. A explicação não está
no calor, mas no mau cheiro que exalavam por debaixo das saias (que eram
propositalmente feitas para conter o odor das partes íntimas, já que não
havia higiene).

Também não havia o costume de se tomar banho devido ao frio e à quase
inexistência de água encanada. O mau cheiro era dissipado pelo abanador.

Só os nobres tinham lacaios para abaná-los, para dissipar o mau cheiro que
o corpo e boca exalavam, além de também espantar os insetos.

Quem já esteve em Versalies admirou muito os jardins enormes e belos que,
na época, não eram só contemplados, mas "usados" como vaso sanitário nas
famosas baladas promovidas pela monarquia, porque não existia banheiro.

Na Idade Média, a maioria dos casamentos ocorria no mês de junho (para eles,
o início do verão).

A razão é simples: o primeiro banho do ano era tomado em maio; assim, em
junho, o cheiro das pessoas ainda era tolerável. Entretanto, como alguns
odores já começavam a incomodar, as noivas carregavam buquês de flores,
junto ao corpo, para disfarçar o mau cheiro. Daí termos "maio" como o "mês
das noivas" e a explicação da origem do buquê de noiva.

Os banhos eram tomados numa única tina, enorme, cheia de água quente.

O chefe da família tinha o privilégio do primeiro banho na água limpa. Depois,
sem trocar a água, vinham os outros homens da casa, por ordem de idade,
as mulheres, também por idade e, por fim, as crianças. Os bebês eram os
últimos a tomar banho.

Quando chegava a vez deles, a água da tina já estava tão suja que era
possível "perder" um bebê lá dentro. É por isso que existe a expressão em
inglês "don't throw the baby out with the bath water", ou seja, literalmente
"não jogue o bebê fora junto com a água do banho", que hoje usamos para os
mais apressadinhos.

Os telhados das casas não tinham forro e as vigas de madeira que os sustentavam
era o melhor lugar para os animais - cães, gatos, ratos e besouros se
aquecerem. Quando chovia, as goteiras forçavam os animais a pularem para o
chão.. Assim, a nossa expressão "está chovendo canivete" tem o seu equivalente
em inglês em "it's raining cats and dogs" (está chovendo gatos e cachorros).

Aqueles que tinham dinheiro possuíam pratos de estanho. Certos tipos
de alimento oxidavam o material, fazendo com que muita gente morresse
envenenada. Lembremo-nos de que os hábitos higiênicos, da época, eram
péssimos. Os tomates, sendo ácidos, foram considerados, durante muito tempo,
venenosos.

Os copos de estanho eram usados para beber cerveja ou uísque. Essa combinação,
às vezes, deixava o indivíduo "no chão" (numa espécie de narcolepsia induzida
pela mistura da bebida alcoólica com óxido de estanho).

Alguém que passasse pela rua poderia pensar que ele estivesse morto, portanto
recolhia o corpo e preparava o enterro. O corpo era então colocado sobre
a mesa da cozinha por alguns dias e a família ficava em volta, em vigília,
comendo, bebendo e esperando para ver se o morto acordava ou não.

Daí surgiu o velório, que é a vigília junto ao caixão.

A Inglaterra é um país pequeno, onde nem sempre havia espaço para se enterrarem
todos os mortos. Então os caixões eram abertos, os ossos retirados, postos
em ossários, e o túmulo utilizado para outro cadáver. As vezes, ao abrirem
os caixões, percebia-se que havia arranhões nas tampas, do lado de dentro,
o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo. Assim,
surgiu a idéia de, ao se fechar o caixão, amarrar uma tira no pulso do defunto,
passá-la por um buraco feito no caixão e amarrá-la a um sino. Após o enterro,
alguém ficava de plantão ao lado do túmulo, durante uns dias. Se o indivíduo
acordasse, o movimento de seu braço faria o sino tocar. E ele seria "saved by
the bell", ou "salvo pelo gongo", expressão usada por nós até os dias de hoje.

4 comentários:

Beth/Lilás disse...

É, professor, a coisa era mesmo negra naquela época.
E pensar que não se passaram tantos anos assim e o mundo é outro, completamente diferente, apesar de ter alguns países ainda que parecem não ter acordado para este novo milênio.

Muita história sobre a nobreza brasileira, pode ser vista no Museu Imperial de Petrópolis, onde moro também, e convido-o a visitar esta cidade e tudo o que nela insere sobre o Brasil imperial.
abraço carioca

JAMES PIZARRO disse...

From: Fernando - Marrabenta Deus
Sent: Monday, November 10, 2008 7:17 PM
To: jamespizarro@hotmail.com
Subject: RE: Gostei do teu blog...parabéns !


Oi, obrigado " Prof ".O pretendido, é apenas tentar deixar algo sobre minha família.Tenho apenas 41 anos, mas temho alma de alguém que viveu no seu imaginário todas aquelas historinhas que meu saudoso avô, me contava ainda era eu criança.Foram histórias , reconheço que recambolescas, mas cheias de imaginação, que preenchiam meu imaginário.De facto sou descendente de várias famíllias, que secruzaram ao longo do tempo, tendo derivado num ramo ( CORREIA MENDES), que se foprmou no antigo Estado da Índia Portuguesa, tendo após a invasão da União Indiana, se deslocado para moçambique, País onde nasci e me criaram até aos 10 anos.Mais uma vez, a família teve de se " PIRAR ", regressando assim a Portugal, fechando o círculo da Diáspora.
Este simples Blog,está bastante incompleto,...mas tou tratando disso.
Mais uma vez, obrigado pela gentileza, também gostei bastante dos seus, pois aborda a vergonhosa realidade actual.
Um grande abraço.
Mande sempre.
Fernandio Augusto Correia Mendes de Deus

Adrielly Soares disse...

Nossas, explicações maravilhosas e divertidas.
Muito interessante. Adorei o Post.

Ana Bernasconi disse...

Do Império Romano, com seus famosos banhos, água encanada e sistema de aquedutos à Idade Média(1000 anos de retrocesso puro em todas as áreas)só se tem a lamentar, e imaginar quanto a humanidade andou prá trás.Interessantíssimo seu texto. Obrigada pelo presente aos seus leitores!bjos