segunda-feira, 16 de agosto de 2010

MEUS PROFESSORES DO MANECO - (II PARTE)

Vou tecer considerações sobre as características de cada professor, lembrar episódios pessoais, historietas e casos pitorescos a cerca de meus 77 professores. Lembro do jeitão, das roupas, da impostação de voz, dos cacoetes, das manias, da voz de todos, a maioria dos quais eu imitava...

Prof. ALBINO SEIBEL

Foi meu professor de Latim durante os quatro anos do então chamado Curso Ginasial, depois chamado Primeiro Grau, hoje designado Ensino Fundamental. Os quatro livros de Latim adotados eram o "Ludus Primus", "Ludus Secundus", "Ludus Tertius" e "Ludus Quartus". Contavam a história de uma família romana, onde despontavam as histórias de Cornélia e Lésbia, recheadas de conhecimentos históricos, ensinamentos sobre Gramática, sobre as Cinco Declinações, milhares de radicais latinos, etc...Era o Prof. Albino uma criatura extremamente bondosa, muito ligado à Igreja Católica, incapaz de uma grosseria. Nos últimos cinco minutos de cada aula costumava abrir um caderno de capa dura, no qual estavam anotadas as suas anedotas preferidas. Ele as contava com uma ingenuidade de santo para uma turma de adolescentes que mais parecia uma horda de bárbaros. Lecionou também nos primeiros anos de funcionamento da FIC-Faculdade Imaculada Conceição, depois FAFRA-Faculdades Franciscanas, hoje UNIFRA. Para complementar o vergonhoso salário de sua aposentadoria como professor estadual, nos últimos anos de sua vida corrigia os originais de teses de Mestrado e Doutorado, bem como trabalhos de pesquisa, editando-os em sua própria residência, onde mantinha um excepcional serviço de datilografia, mecanografia e encadernação. Sua filha casou com um jogador de futebol, meu ex-aluno do Curso Pré-vestibular Master, tendo o casal ido morar em Portugal, porque o rapaz assinara contrato com um time de futebol daquele país.O Prof. Albino viajou a Portugal para visitar sua filha e seu genro e lá, durante a visita, veio a morrer vitimado por fulminante infarto do miocárdio. Tinha dois outros filhos, um formado em Engenharia e hoje aposentado da Rede Ferroviária e o outro, popularmente chamado de "Caquinho", formado médico e residente no Rio de Janeiro. Quando fui vereador pelo PDT-Partido Trabalhista Brasileiro, na legislatura de 1989/1992, tive a oportunidade de ser autor de lei municipal que colocou o nome de Albino Seibel numa das ruas da COHAB-Tancredo Neves. Procurei, em vão, uma rua sem denominação nas proximidades do prédio do Colégio Estadual Manoel Ribas, mas todas já tinham denominação. Conservo carinhosamente em minha biblioteca a obra "Phrases e Curiosidades Latinas", edição póstuma de 1952, de autoria do Prof. Arthur Vieira de Rezende e Silva, que me foi presenteada pelo Prof. Albino. Trata-se de alentada obra, de 935 páginas, com 7267 citações, frases e curiosidades latinas. Depois de aposentado, o Prof. Albino chamou-me, estendeu este livro para mim e disse carinhosamente : "Foste o melhor aluno de Latim que eu já tive e este livro estará bem guardado em tuas mãos". Esforço-me até hoje para ter merecido este elogio. Diariamente, em minhas aulas de Zoologia, Citologia, Genética, Ecologia e Botânica, tenho o cuidado de desdobrar etimologicamente os termos que designam animais e vegetais, explicando o significado das raízes, prefixos e sufixos latinos. Que fortuna ter tido o professor Albino como meu mestre !!!

PROF. EDGAR LIBINO KLOECKNER

Talvez tenha sido um dos mestres que mais influência teve na minha formação, pois sempre nutri verdadeira admiração por sua cultura e inteligência. Ficava fascinado por sua extraordinária memória. É de sua autoria essa frase que ainda hoje repito aos meus alunos do Colégio Coração de Maria : "A memória é esta incrível faculdade que só possui uma propriedade : a de esquecer as coisas que aprendeu". E o Edgar nos ensinava então que, "para não esquecer, só há um método : a técnica da repetição". Foi meu professor de francês durante três anos no Maneco. E muito anos depois, já formado em Agronomia, quando resolvi cursar Comunicação Social-Jornalismo, foi novamente meu professor na disciplina de "Comunicação em Língua Francesa". Ex-seminarista, cunhado do ex-padre Ir. Vitrício (famoso pelos seus dons mediúnicos e parapsicológicos), o Prof. Edgar é dono de uma vastidão de conhecimentos que embasbacava alunos sensíveis como eu, que ficavam boquiabertos diante do mestre. Morava num apartamento da Galeria do Comércio, no Calçadão. Depois de aposentado, foi morar nas proximidades do Supermercado Nacional, à rua Marques de Herval, onde o visito sempre que posso. No intervalo de uma das aulas da Comunicação Social, fui ao corredor falar com o mestre, porque havia achado o mesmo meio triste, depressivo, durante a primeira hora de aula. Contou-me ele que tinha acabado de chegar de viagem, motivada pela morte de um irmão seu, figura a quem muito prezava. Deitou a cabeça sobre a báscula da janela do corredor do prédio da Antiga Reitoria e pôs-se a chorar, o que muito me comoveu. Recentemente, sofreu cirurgias melindrosas para lhe extirpar um câncer intestinal, razão pela qual ficou mais de dez horas anestesiado. Disse-me ele : "Acho que as anestesias deixaram sequelas na minha memória". Cumprimento-o aos domingos, na missa das 18:00h, no Santuário-Basílica da Nossa Senhora Medianeira, onde o abraço afetivamente, pois se encontra entristecido pela recente morte de sua querida esposa.

PROF. ADELMO SIMAS GENRO

Foi meu professor de Português e de Francês, tão logo chegou de São Borja, embora nascido em Santiago. Talvez tenha sido o professor com o qual mais intimidade tive pelo fato de conviver quase diariamente com toda a sua família. Carlos Horácio Hertz Genro, seu filho médico, radiologista, foi meu colega nas quatro séries do Primeiro Grau e nas três séries do Segundo Grau, isto é, durante sete anos sentamos lado a lado, na primeira fila de carteiras da sala, pois as carteiras eram para dois alunos. Fomos colegas de aula durante todos esses anos graças ao prof. Adelmo que, na condição de Prof. Assistente de Turno, autorizava ao pessoal da Secretaria que meu nome e o de Carlos Horácio ficassem na mesma turma. Na época das provas, durante os estudos preparatórios para os exames, eu ficava na casa do Prof. Adelmo durante uma semana e, na semana seguinte, o Carlos Horácio ficava na minha casa. O Prof. Adelmo morava em ampla residência, à rua Duque de Caxias, quadra entre a Coronel Niederauer e a Olavo Bilac. Dona Elly, esposa de Adelmo, servía-nos cafés-da-tarde onde eu me fartava de comer figada, perada, marmelada, que compravam em enormes latas para abastecer a numerosa prole e amigos. Também Dona Elly permitia que fizéssemos "reuniões dançantes" na ampla varanda da parte posterior da casa. Lá eu dançava com Suzana, irmã de Carlos Horácio, que anos depois casou-se com Walter Robinson, dentista e professor universitário, muito ligado ao Movimento Cursilhista da Igreja Católica. Walter, irmão do querido amigo Carlos Alberto Robinson, faleceu vitimado pelo câncer. A filha de Walter e Suzana foi minha aluna no Curso Pré-vestibular Master e cursou, depois, Psicologia em Porto Alegre. Outro filho, Adelmo Genro Filho, apelido "Memo", precocemente falecido, era jornalista e respeitado ativista político. Tarso Genro, talentoso escritor, advogado sindicalista, ex-Prefeito de Porto Alegre é, agora, Ministro da Justiça do governo Lula. Escreveu seu primeiro livro, que era de poemas, intitulado "Vento Norte" (inexplicavelmente, nunca citado citado em seu currículo publicado na imprensa estadual) e que foi lançado em sessão de autógrafos no salão de eventos da outrora ativíssima USE-União Santa-mariense dos Estudantes, no subsolo de um prédio jamais terminado, à rua do Acampamento, proximidades do Colégio Centenário. Possuo um volume do livro, devidamente autografado. Tarso casou-se com Sandra Krebs, cujo pai era gerente do então existente Banco do Comércio, situado na esquina do Calçadão, onde hoje funciona a Caixa Econômica Federal. Ainda lembro da Júlia, a outra filha do Prof. Adelmo, formada em Odontologia. Fiz campanha para o prof. Adelmo quando ele foi candidato a Vice-prefeito pelo PTB-Partido Trabalhista Brasileiro (PTB de Getúlio Vargas e de Jango, o PTB original), numa chapa encabeçada pelo Prof. Paulo Lauda, para Prefeito. Ambos obtiveram estrondosa vitória, mas foram perseguidos e tiveram seus mandatos cassados pela Revolução de Março de 1964. Quem os conhecia de perto, como eu, não só como aluno mas como amigo particular, ficou estarrecido com tamanha violência contra dois homens de bem, de conduta inatacável, quer como pais de família, quer como profissionais, quer como políticos ! Adelmo formou-se em Direito e foi advogado militante na comarca de Santa Maria. Publicou vários livros. Foi membro ativo da Academia Santa-mariense de Letras. Tenho exacerbado carinho pela Dona Elly e profunda admiração pela sua coragem, pois ela sempre foi o esteio da Família Genro. Toda a saga da Família Genro, suas vitórias, seus momentos de apreensão e de dor, tiveram forte anteparo na coragem pessoal do forte espírito de Dona Elly. Adelmo morreu quando se recuperava de uma cirurgia feita em Porto Alegre e deixou muita saudade. Seu nome é lembrado pela Câmara de Vereadores numa de suas dependências. E também o estúdio principal da então Rádio CDN, hoje Rádio Antena UM, dirigida pelo amigo Paulinho Ceccin recebeu o nome do Adelmo.

PROFa. ZENAIDE LÚCIA MARTINELLI DE SOUZA

Foi minha professora de Francês durante dois meses e minha professora de Literatura Portuguesa durante um semestre. Era esposa do Dr. Denizard Souza, médico psiquiatra, um dos fundadores do Centro Médico Hospitalar e adepto do Espiritismo em Santa Maria. Foi através da Profa. Zenaide que fui apresentado à Eça de Queiróz, Camões, Fernando Pessoa e tantos outros monstros sagrados portugueses. Por incrível que pareça, nós fazíamos análise sintática dissecando os versos de "Os Lusíadas". Atualmente, nossos filhos e netos nem sabem o que é análise sintática. Moramos na América LATINA, falamos português (que é derivado diretamente do Latim)...e deixamos de estudar Latim no colégio ! O aluno não conhece a origem da língua que fala, o esqueleto da própria língua ! Daí a dificuldade de elaborarem uma singela redação de vinte linhas nos exames vestibulares...

PROF. DINARTE MARSHALL

Trajando sempre uma indefectível "fatiota", como se dizia na época, foi meu professor de Português. Dava especial ênfase às leituras em voz alta, com preciosos ensinamentos sobre impostação de voz, uma novidade para aquela época. Formou-se também em Direito, sendo advogado atuante na comarca de Santa Maria.

PROFa. NILZA CRIVELLARO SANTOS

Foi minha professora de Inglês e, quase trinta anos depois, miha colega de magistério nos cursos pré-vestibulares Master e Riachuelo. Elaborava e obrigava a turma a decorar centenas de expressões idiomáticas, que foram muito úteis durante os estudos universitários. Morava num prédio em frente ao antigo Cinema Glória, atual "Ponto de Cinema". Sua filha, Denise, seguiu-lhe os passos, pois também é professora de inglês no Curso Pré-vestibular G-10. Seus dois filhos homens são ligados à área da publicidade e propaganda. Seu marido, Carlinhos, foi gerente das Casas Roth durante muitos anos.

PROFa. GUIOMAR LOUREIRO

Com feições indiáticas - mais lembrava o rosto de uma índia peruana - e um eterno sorriso, era a minha tranquila professora de Lingua Espanhola. Lembro bem do livro-texto que ela indicava : "Manual de Espanhol", de autoria de Hidel Becker. Eu fico cogitando da inteligência das pessoas que exerciam cargos diretivos no sistema educacional gaúcho naquela época ! Principalmente, penso na visão premonitória que tiveram essas pessoas, pois corria a década de 50, 60 e nunca alguém tinha falado em unidade do Cone Sul, em MERCOSUL e coisas do gênero. E o nosso Maneco já oferecia - há 50 anos - estudos de Espanhol para seus alunos. A Arize, filha de Guiomar, foi minha colega de aula durante anos. Formada em Odontologia, casou-se com Flávio Weighrt, também dentista e professor universitário. O marido de Guiomar, de apelido "Mico", era sócio-proprietário do Posto Esso, de combustíveis, situado no térreo do edifício de quatro andares que ainda existe bem em frente à Igreja Catedral, na avenida Rio Branco. Atrás desse edifício era a quadra de basquete do famoso Clube Irajá, onde jogavam o ex-Reitor Armando Vallandro (de apelido "Picolé"), o ex-Deputado Federal e Estadual Carlos Renan Kurtz, o médico-psiquiatra Milton Sanchis (de apelido "Mico"), etc...

PROFa. MARIA ANTUNES BERNARDES

Morava com a mãe e irmãs numa antiga casa, situada entre a avenida Rio Branco e rua André Marques, quase ao lado da residência de Dom Luiz Victor Sartori, bispo diocesano à época. Foi minha professora de Português e Literatura Brasileira. Ministrava encantadoras aulas sobre o Barroco, Realismo, Romantismo, Modernismo, etc...Seu irmão, Sérgio Carvalho Bernardes, foi professor de Geografia e Pró-reitor de Graduação da UFSM. "Mariazinha", como era carinhosamente chamada por todos, casou-se com Nevaldo Sanger,plantador de arroz em Uruguaiana. Ambos morreram, com apenas uma semana de diferença.

PROFa. CLEONICE SADA AITA

Brilhante professora de História Antiga, temida pelo tipo de perguntas que fazia nas provas, pois eram testes que não exigiam memória, mas acurado raciocínio. Aceitava brincadeiras de toda ordem, não se intimidando diante dos alunos mais "avançadinhos", lhes dando o troco na mesma medida. Casada com o Prof. Wilson Aita, que lecionava a disciplina de Desenho, Cleonice era dedicadíssima aos filhos, muito preocupada com a saúde dos mesmos, pois alguns eram diabéticos. Adorava ouvir e contar anedotas. A tristeza não fazia morada nas rodas de conversa onde ela estava.

PROFa. ARTHENIZA WEIMANN ROCHA

Foi minha professora de História do Brasil e costumava, sempre que possível, proporcionar exemplos de exercício de cidadania. Com profunda vocação democrática, nos levava até o prédio do Forum da comarca, à Praça Saldanha Marinho (onde hoje funciona a "Casa da Cultura"), onde eram realizadas as apurações - voto a voto - das eleições. Já nas primeiras séries do colégio, aos 12, 13 anos, a gente já tinha uma noção prática de como se processava o regime democrático. Seu marido, Dr. Floriano Rocha, era ativo militante do PTB-Partido Trabalhista Brasileiro e getulista doente. Foi candidato a Prefeito Municipal, não logrando êxito. A professora Artheniza era irmã do Dr. Sérgio Weimann, conhecido médico-pediatra, com o qual trabalhei muitos anos depois como auxiliar administrativo do SAMDU-Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência, primoroso serviço médico criado pelo então presidente João Goulart. A meu juízo, o SAMDU foi a coisa mais séria já criada no Brasil em termos de atendimento médico à população. Funcionou o SAMDU inicialmente quase ao lado do Hospital de Caridade "Astrogildo de Azevedo" e, depois, definitivamente, na rua Dr. Wauthier, perto da Cooperativa dos Ferroviários, na chamada Vila Belga. Com o advento da Revolução de março de 1964, o SAMDU foi fechado pelos militares.

PROFa. DINÁ PFEIFER

Foi minha professora de História das Américas, adotando um livro básico de autoria do historiador Borges Hermida. Era um temperamento irascível, tanto com os colegas quanto com os alunos. Mulher de "pavio curto", ela se irritava com grande facilidade. Durante as aulas, falava sem parar um só minuto. E não parava de caminhar um só momento por todos os cantos da sala. Aquele toc-toc dos seus sapatos altos deixavam a gente meio nervoso. Atualmente, vive em Porto Alegre. Uma outra professora do Maneco me contou que, no fim de 1997, ao assistir uma missa na Igreja do Rosário, em Porto Alegre, teve despertada sua atenção para um bate-boca na saída da celebração, no hall da igreja. Era a professora Diná Pfeifer que, aos gritos, defendia suas opiniões não se sabe a respeito de que. Coerente comportalmente...ainda continua zangada na Terceira Idade !

PROFa. GISELA SOCCAL LANG

Professora de Geografia do Brasil, possuia excepcional didática ao explicar a matéria. Mulher alta, forte, robusta, demonstrava muita segurança. Seu marido era um comeciante de cabelos brancos, que trabalhava na hoje extinta Casa Escosteguy, à rua do Acampamento, logo depois do Clube Caixeiral. Exatamente no local onde, décadas antes, mataram a tiros o então Juíz de Direito, pai do poeta pré-modernista Felippe D'Oliveira, autor do livro "Lanterna Verde".

PROF. IVO LAURO MULLER FILHO

Fumante inveterado, era morador do Edifício Pisani, situado na esquina da rua Venâncio Aires com a rua Floriano Peixoto. Magistral ao ministrar aulas de Geografia Geral ! Tinha grande aptidão para o desenho, fazendo ilustrações muito rápidas na "pedra", designação que se dava ao quadro-negro (que, aliás não era negro, era verde...). Os nossos avós chamavam a pedra ou quadro-negro de "lousa". Anos depois foi Professor Titular Doutor do Curso de Geografia da UFSM. Morou durante muitos anos numa casa na zona da serra, em Itaara, no chamado Parque Serrano, transferindo-se depois para a rua Erly de Almeida Lima, na Vila Assunção, em Camobi. Tive a oportunidade de com ele conviver em jantares e churrascos na residência do comum amigo, Dr. Renan, delegado de polícia em Santa Maria. Ivo também já nos deixou.

PROF. WILSON AITA

Professor de Desenho, entrava na aula caminhando sempre lentamente, carregando compasso e esquadro gigantes, de madeira, para realizar seus notáveis desenhos de elipses, parábolas, ciclóides e estudos de perspectiva. Casado com a professora Cleonice Sada Aita, de História Geral, era comportamentalmente o inverso da cônjuge. Ela, extrovertida. Ele, falando o estritamente necessário. Engenheiro Civil, depois de labutar anos na iniciativa privada e no Maneco, dedicou-se à criação do Centro de Tecnologia da UFSM, com a implantação de vários cursos de Engenharia. Seu secretário na UFSM era o amigo Cláudio Lopes dos Santos, irmão do Dr. Zózymo Lopes dos Santos, farmacêutico e Pró-Reitor de Pós-graduação da UFSM, onde ministrava aulas na disciplina de Higiene e Saúde Pública.

PROF. ÊNIO TREVISAN

Professor de Desenho, acumulava também as funções de Prof. Assistente do turno da manhã, tarefa que exercia com rigor prussiano no que tange à disciplina. Também muito alegre e gozador nas horas de folga, vivia "empulhando" todo mundo, isto é, fazendo brincadeiras e passando trotes com seus colegas professores. Mestre competente, cérebro marcado por profunda formação matemática, lamentava-se para mim - muito anos mais tarde - por não saber escrever, pois gostaria muito de redigir reminiscências sobre o Maneco e a cidade. Era irmão do Dr. Hygino Trevisan, espírita e advogado e de Eduardo Trevisan, pintor, desenhista e fotógrafo, ambos já falecidos. Os murais pintados por Trevisan valorizam os prédios do "campus" da UFSM, onde podem ser apreciados na Biblioteca Conde de Porto Alegre, Planetário, Prédio da Administração Central, Centro de Tecnologia, etc...Morou o Prof. Ênio Trevisan na esquina da rua dos Andradas com a rua Conde de Porto Alegre. Ênio sempre demonstrou entusiasmo ao relembrar os feitos do Maneco no período 1954/1962, pois sempre que me encontrava, dizia : "Que geração de professores, heim Pizarro ?" Eu sempre replicava : "E que geração de alunos, heim ? "

PROFa. DILMA

Foi professora de Desenho por muito poucos anos no Maneco. Mulher alta, elegante, cabelo modelo Chanel, muito simpática e acolhedora com os alunos. Costumava levar vasos de argila ou frutas que - colocados em cima de uma cadeira, sobre a mesa da mestra - serviam de modelo para a execução de nossas naturezas-mortas. Produto "moderno", recém-lançado nas livrarias, o giz-de-cera fazia sucesso entre os alunos e era o material preferido da professora. Morava na rua dos Andradas, entre a Duque de Caxias e a Conde de Porto Alegre, atrás do Clube de Atiradores Santa-mariense.

PROF. CLÓVIS MONTEIRO D'ÁVILA

Era Coronel da Brigada Militar do RS e um entusiasmado professor de Educação Física, preparando várias equipes do Maneco para as modalidades de desporto disputadas nos famosos "Jogos da Primavera". Estes jogos, uma criação de "Estado Novo", era uma idéia do Presidente Getúlio Dorneles Vargas, conservada por seus sucessores. Constituía-se numa disputa de cerca de duas semanas de duração entre todos os colégios da cidade, que disputavam entre si todas as modalidades de esportes. Era uma acirrada disputa entre as escolas, quer nos esportes coletivos (basquete, vôlei, futebol, futebol de salão, etc...), quer nos individuais (ginástica, atletismo, corridas, maratona,etc...).O início dos jogos era marcado por um monumental desfile (que era chamado de "parada"), que durava cerca de cinco horas, pois todos os alunos de todos os colégios eram obrigados a desfilar. O percurso da "parada" era desde o Colégio Centenário, na rua do Acampamento (início do desfile), passando por toda a extensão da avenida Rio Branco e terminando na gare da Viação Férrea. O professor Clóvis era sobretudo entusiasmado por vôlei, judô e esgrima. Ele também ministrou aulas, anos depois, no Curso Superior de Educação Física da UFSM, onde veio a se aposentar. Morou, até sua morte, no Edifício Guanabara, à avenida Presidente Vargas. Sua esposa ministrava aulas de "Comunicação em Língua Inglesa" no Curso de Comunicação Social da UFSM.

PROF. VICTOR HUGO CASTRO

Também Coronel da Brigada Militar do RS, era companheiro do Cel. Clóvis na disciplina de Educação Física. Era o Comandante do Corpo de Bombeiros da cidade, que tinha então uma pequena guarnição sediada no pátio da Câmara de Vereadores, à rua Vale Machado. Baixinho, cabelos grisalhos, barrigudo, usava óculos de aros grossos e era um glutão inveterado. Os alunos ficavam estupefatos ao vê-lo comer mocotó, uma das suas predileções gastronômicas, pois ele devorava seis a sete pratos fundos da singela sopa...

PROFa. IOLANDA BELTRAME

Professora de Desenho, alta, cabelos ruivos, muito séria e de poucas palavras. Morava quase ao lado do Ginásio do Corintians, à rua General Neto. Sempre me entusiasmou muito a continuar desenhando, pois acreditava que eu tinha pendor para fazê-lo. Realmente, seus ensinamentos me foram de muita valia, pois até hoje - ao ministrar aulas de Bilogia - necessito usar dezenas de desenhos em cada aula, caprichosa e rapidamente feitos com giz colorido no quadro-negro (que, teimosamente, chamo até hoje de "pedra"...).

PROF. WILLY VONDRACK

Foi professor de Português, tendo se graduado posteriormente em Direito. Tocava violino da Igreja Evangélica de Santa Maria. Quando seus colegas professores ficaram sabendo dessa sua faceta musical, liderados pelo bem-humorado professor Ênio Trevisan, foram todos ao culto para assistí-lo exercitar seus dotes de violinista. A comunidade evangélica, na ocasião, ficou surpresa com a quantidade de "novos membros" presentes ao culto. O pastor, entre afoito e otimista, chegou a falar no sermão em "conversão coletiva". Mas tudo não passava de uma simples brincadeira para constranger o professor Willy, que era muito encabulado...

PROF. ROBERTO PELLIN

Descendente de italianos, bonachão, sempre de terno e gravata, abria seu caderno de capa dura - onde estava o resumo da aula - e começava sua dissertação de Biologia, passeando sem parar por toda a aula. De origem humilde, com muita dificuldade conseguiu formar-se em Medicina. Depois de formado, foi clinicar em Porto Alegre.

PROFa. TEREZA GRASSIOLLI

Foi a melhor professora de Botânica que tive em toda a minha vida e uma das responsáveis por ter feito vestibular para Agronomia e ter me transformado em professor de Biologia. Dava toda a matéria, desde Citologia e Histologia, passando pela Fisiologia, Organologia e indo até à Sistemática ou Taxonomia Vegetal. Sabia, como ninguém, fazer fantásticos e maravilhosos desenhos de Angiospermas e Gimnospermas no quadro-negro. A partir de 1967, já formado e dando aulas na UFSM, fui seu colega no Departamento de Biologia da UFSM, onde ela exerceu a Chefia, sucedendo aos professores Dr. Romeu Beltrão (médico) e Dr. Armando Adão Ribas (Engenheiro Agrônomo).

PROFa. EUTERPE ALMEIDA

Foi minha professora de Zoologia, no terceiro ano do Curso Científico. Foi a primeira turma para a qual ela deu aula, uma vez que era recém-formada. Casou-se com o então estudante de Medicina, Nei Almeida, mais conhecido pelo apelido de "Neizinho", exímio jogador de basquete do Corintians de Santa Maria. Foi várias vezes campeão estadual de basquete jogando pelo Corintians, cujo quadra era chamada "Alçapão" e ficava atrás do Clube Caixeiral, onde hoje existe um estacionamento de automóveis. Euterpe mudou-se para a cidade de Santana do Livramento, onde Nei Almeida foi clinicar depois de formado.

PROF. CONSTANTINO REIS

Foi professor de Física do Maneco, recém-transferido da cidade de Cruz Alta por perseguição política devido à altercação mantida com um aluno, filho do Delegado de Polícia daquela cidade. Anos depois, este aluno - já cursando Medicina em Santa Maria - foi um dos responsáveis pela anulação dos exames vestibulares da UFSM, pois tinha conseguido roubar os originais das provas da gráfica da Universidade e vender as cópias para dezenas de vestibulandos. O fato foi denunciado corajosamente pela professora Águeda Brazzalle Leal, que tinha sido procurada às vésperas do vestibular por um dos vestibulandos que havia comprado as provas e queria que a mestra resolvesse as questões. Feita a denúncia, o então reitor Hélios Homero Bernardi anulou o vestibular, fato que ganhou notoriedade nacional. Uma vez em Santa Maria, Constantino Reis também fez o curso de Engenharia Civil, onde lecionou depois, embora por poucos anos. Fundou, deu aulas e dirige até hoje o Curso Pré-vestibular Constantino Reis, situado à rua dos Andradas, logo abaixo da avenida Rio Branco. Com notáveis recursos didáticos, é grande professor de Física. O professor Constantino é o mestre que melhor uso faz do quadro-negro, com caprichosos gráficos e elucidativos cálculos demonstrados em minúcias. Nunca vi outro professor fazê-lo igual...

PROFa. IRMA PERONI

Era professora de Física e também de Matemática. Para minha turma, ministrou aulas de Ótica e Eletricidade. Tinha feito cursos de especialização na Itália, numa época em que nem se imagina criar cursos de Mestrado e Doutorado. Moarava sozinha num apartamento situado do recém construído Edifício Taperinha. Tinha uma deficiência numa perna, o que a obrigava ao uso de sapatos ortopédicos especiais, produzindo-lhe dificuldades para ficar em pé durante muito tempo. Mesmo assim, sempre deu quatro a cinco períodos de aula seguidos, sem nunca ter feito uma só queixa ou tirado atestado médico, recurso tão em moda nos dias atuais...

PROF. RAPHAEL SELIGMAN

Ministrou aulas de Física e Química, enquanto fazia o curso de Medicina na UFSM. Judeu, temperamento afável, era muito simpático e querido por todos. Formado, foi ministrar aulas de Otorrinolaringologia na UFSM. Juntamente com seu colega Dr. Cóser,foi grande incentivador da criação do Departamento da Fala, embrião para a criação do Curso de Fonoaudiologia. Também falecido.

PROF. PAULO LAUDA

Foi meu fabuloso professor de Química Orgânica ! Médico, formado na Universidade Federal do Paraná (a primeira Universidade brasileira, fundada em 1912), clinicava em Santa Maria e tinha grande militância política. Foi eleito Prefeito Municipal pela sigla do antigo PTB. Foi posteriormente cassado pela Revolução de Março de 1964, tendo seus direitos políticos suspensos. Foi professor de Dermatologia do Curso de Medicina da UFSM, onde foi - por várias vezes - escolhido paraninfo e homenageado das turmas de formandos, tal a admiração que os alunos nutriam por ele. Fumante inveterado, espantava aos alunos o fato de durante a aula acender um cigarro no outro para, assim, continuar fumando ininterruptamente durante horas. Morreu por isso, vitimado por um brutal enfisema pulmonar. Ela dava sempre aula no último período, que terminava às 12:30h. Muitas vezes ele me ofereceu carona até minha casa, em seu carro DKW vermelho e branco. Tempos depois, durante muitos anos foi presidente do ATC-Avenida Tênis Clube. Na época de verão, depois de assinar a papelada na secretaria do ATC, sentava-se numa mesa ao lado da piscina para tomar seu whisky. Já casado, formado, muitas vezes lhe fiz companhia nessa mesa para papos intermináveis e grandes recordações.

PROF. MIGUEL SEVI VIEIRO

De apelido "Vica", foi professor de Química e também prefeito de Santa Maria. Homem de quase dois metros de altura, quase careca, gritão,barulhento,brincalhão, extrovertido, não havia possibilidade de silêncio por onde estivesse ou andasse. Morava à rua Dr. Bozano, quase na praça Saturnino de Brito, num prédio de dois andares, encimado pelo único "relógio do sol" que a cidade tinha. Durante anos exerceu as funções de médico proctologista do instituto de previdência dos ferroviários, já que antes da unificação da Previdência Social no país (criação do INPS, depois INSS), cada categoria de trabalhadores tinha seu próprio instituto. Contava-se no meio estudantil que cada ferroviário que ía a uma consulta com o Dr. Vieiro, para fins de exame de hemorróidas ou próstata, não costuma regressar jamais, pois o mestre era conhecido por possuir o dedo indicador mais grosso e longo de todo o município...Juntamente com sua esposa, foi proprietário de um restaurante chamado "Pingo de Mel", que funcionou à rua Venâncio Aires, em frente ao atual Restaurante Bovinus e Associação Rural. O restaurante servia saborosas iguarias, sob encomenda, como "pato laqueado", além dos primorosos doces feitos pela Dona Eugênia, esposa de "Vica". O restaurante "Pingo de Mel" era avançado demais para para o público santa-mariense. Acho que até hoje seria... Pois, passados mais de 40 anos, a apetência gastronômica da cidade sempre foi - historicamente - pelo galeto, radite, polenta e afins. A população sempre teve o duvidoso gosto por restaurantes enormes, com dezenas e dezenas de mesas, onde as pessoas íam mais para serem vistas. Locais onde a gente nem pode conversar direito, tal o barulho. E todos podem cuidar da vida de todo mundo, desde o modo de vestir, passando pelo prato pedido até à observação do(a) companheiro(a) da refeição. O "Pingo de Mel" tinha menos de 10 mesas, era aconchegante, atendido pelos proprietários, típico local para se namorar ou comemorar uma data mais íntima. Local para ser frequentado por civilizados, não movidos a suco gástrico, saliva e peristaltismo intestinal. Por gente que quer algo mais...música suave, enlevo, paz e um certo bolor de Primeiro Mundo. Por isso, infelizmente, tal restaurante teve vida efêmera...

PROF. RÔMULO AITA

Foi professor de Química, enquanto cursava Medicina na UFSM. Depois de formado, lecionou na UFSM. Especializou-se em Cardiologia. Mora até hoje na rua Benjamin Constant, quase em frente ao Edifício dos Oficiais da Brigada Militar.

PROF. FLÁVIO PÂNCARO DA SILVA

Foi temido professor de Matemática pelo rigorismo de suas provas. Muito jovem, cabelo rigorosamente penteado e ajeitado com um produto que lhe dava um brilho especial (acho que era "Brilhantina" ou "Glostora", produtos muito usados na época), provocava suspiros nas meninas. Gostava muito de fazer demonstração minuciosa de teoremas no quadro-negro. Lembro até hoje do "Teorema dos Ângulos Alternos-Internos", de saudosa memória. Depois, fez o curso de Direito, passando a exercer a advogacia. Foi para Porto Alegre onde, mediante concurso, foi guindado à condição de Juiz de Direito. Quando se aposentou da magistratura gaúcha, o Dr. Adelmo Genro viajou a Porto Alegre para lhe entregar uma placa em nome dos colegas e amigos de Santa Maria.

PROFa. EUNICE RIBAS

Professora de Matemática, magra, ágil, rápida no raciocínio e no falar. Seu marido era engenheiro do DAER-Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem do RS. Era prima do meu saudoso amigo e colega Eng. Agr. Armando Adão Ribas, um dos fundadores do Curso de Agronomia da UFSM, no ano de 1962.

PROFa. HELEDA DIQUEL SIQUEIRA

Ex-diretora do Grupo Escolar João Belém, foi uma das minhas professoras de Trabalhos Manuais.

PROFa. HELOÍSA

Baixinha, corpo escultural em forma de violão, óculos de grossas lentes, também foi minha professora de Trabalhos Manuais. Solteira, sorridente, fazia suspirar o coração de todos os alunos do colégio que, em seus devaneios onanísticos, só pensavam nela...Acredito que muitos professores eram fascinados por aquela verdadeira Vênus calipígia ! Que faria qualquer Sheila Mello ou Carla Perez recolherem-se à sua insignificância...

PROFa. MARIA GESSI FISHMANN

Brevilínea, extremamente simpática, ativísima, também foi minha competente mestra de Matemática. Grande capacidade didática e muita paciência para explicar abstrações matemáticas para gente que, como eu, tinham dificuldades com números. Moarava na esquina da rua Silva Jardim com a rua Conde Porto Alegre.

PROFa. OLGA FISHMANN

Foi minha professora de Química Inorgânica na primeira série do Científico, sempre falando em seus ácidos, óxidos, bases, sais e cálculos estequiométricos e ajustagem de equações. Costumava fazer tricô enquanto dissertava sobre a matéria. Era farmacêutica e entrou na UFSM como laboratorista, no Curso de farmácia, transformando-se depois em pesquisadora de Parasitologia e Micologia Médica, fazendo notável dupla com o cientista professor Dr. Alberto Thomás Lôndero, de renome internacional por seus trabalhos de pesquisa sobre fungos. Lembro de uma edição da revista norte-americana "Micology", que estampava na capa o retrato do Dr. Alberto Thomás Lôndero. No inicío de sua vida médica, o Dr. Lôndero exerceu a especialidade de Pediatria, tendo sido meu médico quando criança, conforme informação que me foi passada por meus pais. O Dr. Lôndero faleceu em 26 de agosto de 2003

PROFa. IARA DIAS FERREIRA

Filha do Eng. Dias, um dos responsáveis pelas construções iniciais dos prédios do "campus" da UFSM em Camobi, a professora Iara foi casada com o Eng. Agr. Mário Ferreira, lotado na Carteira Agrícola do Banco do Brasil e professor de Meteorologia e Climatologia no Curso de Agronomia da UFSM, já falecido. Foi minha professora de Latim e de Português. Mário e Iara têm três filhas mulheres e moram à rua Jorge Abelin, atrás do Colégio Centenário.

PROFa. BEATRIZ WEIGHRT

Recém-formada, foi nomeada para o Maneco como professora de Latim e Português. Morava com sua família à rua Professor Braga, ao lado da CE-1 (Casa do Estudante Universitário). Seu pai, professor Erwino Weighrt, era conceituado mestre do Curso de Farmácia da UFSM. Seu esposo era funcionário do então existente Banco da Bahia, localizada na Galeria do Comércio (em frente à residência do Reitor Mariano da Rocha) e, depois, no térreo do edifício da SUCV-Sociedade União dos Caixeiros Viajantes, onde hoje está a Farmácia vruz Vermelha. Beatriz, atualmente, está residindo em Portugal.

PROF. ANTÔNIO GUIMARÃES

Foi professor de Francês e um dos homens mais ranzinzas que conheci, muito embora, particularmente, nunca tivesse tido nenhum atrito com ele em sala de aula. Mas era temido não só por alunos e funcionários, como também por alguns professores. Formou-se em Direito. Atualmente, muito doente, magérrimo, reside na cidade de Arroio dos Ratos.

PROF. ROMAR PAGLIARIN

Era padre e professor de Ensino Religioso. Tinha acendrado senso do exercício da cidadania que, com desenvoltura e despojamento, procurava transmitir aos alunos. Não era muito bem visto pelos militares. Nas quermesses realizadas no pátio então existente atrás da Igreja Catedral, algumas vezes sentei-me à sua mesa para horas de conversações sobre todo tipo de assunto, principalmente política. Pacientemente, ouvia e me esclarecia sobre as dúvidas que eu suscitava. Andava numa espécie de moto da época, de nome Lambreta. Na despedida de nossa turma, com monumental churrasco realizado na Estação Experimental de Silvicultura, no distrito de Boca do Monte, os alunos pegaram sua Lambreta à revelia e se acidentaram com a mesma, danificando-a. Este churrasco, que durou o dia inteiro, merecia um capítulo à parte, pois aconteceu de tudo. Joacir Medeiros, hoje Doutor em Física e professor da UFRGS, completamente embriagado, subiu na longa mesa dos professores e correu sobre a mesma, pisando em pratos de maionese, com farinha espirrando para todos os lados. Parou na frente do temido Pe. Rômulo Zanchi, diretor do Maneco e lhe dirigiu desaforos aos berros. Outros "detalhes" desse churrasco abstenho-me de registrá-los, pois alguns dos personagens envolvidos são "senhores de respeito" hoje em dia... Romar deixou o sacerdócio. Casou-se, morando atualmente no Residencial Florença, à rua Benjamin Constant. Tem filhos formados, um deles em Medicina. Ministra aulas na UNIFRA.

PROF. CARLOS PRETTO

Também padre e professor de Ensino Religioso. Igualmente, tinha a mesma visão de mundo do Romar Pagliarin. Era combativo, exuberante ao desfiar suas argumentações e defender seus pontos-de-vista. Fascinava a classe. Lembro que tinha muito aluno que não professava a fé católica, ou que era ateu, e que reverentemente assistia às suas aulas. Abandonou o sacerdócio também. E se casou com a filha do reverendo da Igreja Episcopal, Siloé Pereira Neves, irmã do bispo atual Jubal Pereira. Estão morando em São Paulo.

PROFa. LIGIA INDRUZIAK

Professora de Música, moradora do trecho inicial da então Visconde Ferreira Pinto, hoje designada rua Comissário Justo. Àquela época, a Visconde Ferreira Pinto se iniciava no cruzamento com a Silva Jardim; hoje , ela recebe este nome apenas depois da ampla área outrora pertencente à Viação Férrea, já no Bairro Itararé. A professora Lígia, de descendência polonesa, era irmã da bióloga Leocádia Indruziak, que foi minha colega no Maneco e depois, minha colega no Departamento de Biologia da UFSM, durante trinta anos, onde ela ministrava aulas sobre Vertebrados. Uma curiosidade quanto ao nome da rua, Comissário Justo : tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, pois ele era temido pela gurizada da cidade devido às funções que desempenhava com rigor. Ele era Comissário de Menores, nomeado pelo Juiz Diretor do Forum, com as funções de ficar na portaria do Cine-Teatro Imperial (rua Dr. Bozano) e do Cine Independência (à praça Saldanha Marinho) para fiscalizar a piazada que queria assistir filmes proibidos até 14 anos, ou até 18 anos, conforme censura vigente na época. Hoje, o Cine-Teatro Imperial, onde a Escola de Teatro Leopoldo Froes (dirigida pelo saudoso Edmundo Cardoso) encenava seus espetáculos, não existe mais. E o Cine Independência também cerrou as portas, sendo suas dependências alugadas durante anos para as celebrações da Igreja Universal do Reino de Deus, do polêmico bispo Edir Macedo. Depois da transferência dessa igreja para outro local, o prédio ficou entregue às moscas, muito embora brotem de certos setores da comunidade raquíticos apelos para que o prédio seja tombado como patrimônio histórico do município.

PROFa. ZULEIKA ROTH DOMINGUES

Quase não tive contato com ela, pois foi nossa professora de Biologia apenas por três semanas, em substituição à professora titular, que se encontrava enferma.

PROFa. SOLANGE LOUREIRO

Foi minha professora de Português durante um ano. Ela gostava muito de Literatura Brasileira e Portuguesa. Morava na rua Pinheiro Machado, perto do Hospital de Caridade "Astrogildo de Azevedo". Era prima do meu colega Mário Loureiro Chagas, que se formou em Direito e exerceu com destaque a advogacia na comarca de Julio de Castilhos, tendo falecido recentemente. O irmão da professora Solange, Solon Loureiro, era advogado e ativo militante político.

PROFa. EDY MAYA BERTÓIA

Ex-diretora do Grupo Escolar João Belém, foi professora do Maneco na disciplina de Trabalhos Manuais.

PROFa. MARIA LUIZA MEDEIROS

Uma das primeiras psicólogas de Santa Maria, foi minha professora de Filosofia. Tinha consultório particular, onde fazia testes psicológicos para os candidatos a tirarem carteira de motorista, assim como realizava testes de QI (Quoeficiente de Inteligência), muito em voga à época. Era irmã do advogado Vivaldino Medeiros Neto, que por muitos anos foi secretário do Departamento de Biologia da UFSM, nas chefias dos professores Dr. Romeu Beltrão, Eng. Agr. Armando Adão Ribas e bióloga Terezinha Grassiolli. Transferiu-se para Porto Alegre, onde aposentou-se como advogado da UFRGS.

PROFa. NOELI BRAGA

Figura simpaticíssima, foi minha professora de Latim e Português. Morava no edifício da antiga loja Elegância Feminina, onde hoje funciona um mini-shopping. Era casada com o falecido Paulo Braga, irmão de Zélia Braga do Prado Veppo, esposa do amigo, médico e poeta Luiz Guilherme do Prado Veppo, já falecido. Lembro muito bem que, quando me elegi vereador, em 1988, a professora Noeli fez questão de me telefonar com muita antecedência para dizer que votaria em mim, atitude não muito comum no eleitor de hoje. Pois o pessoal costuma primeiro consultar a lista dos eleitos para só depois dizer em quem votou. E - fantástica coincidência - sempre votam num vencedor... Vitimada por uma hepatite, Noeli morreu recentemente.

PROFa. MARIA DOMINGUES REIS

Foi minha professora de História do Brasil durante as séries do ginásio. Loira, elegantemente vestida, sempre de sapatos de salto altíssimo para compensar a pouca altura, era excelente professora ! Era casada com o então Delegado de Polícia, Moura Reis, muito atuante na cidade e figura polêmica devido ao seu temperamento.

PROFa. ANASTACIA MUSA NAIME

Professora de inglês, de ascendência árabe, era figura querida dos alunos. Sempre a encontrava pelas ruas da cidade, onde ela parava com freqüência para conversar com todo mundo. Figura muito bem relacionada em toda a comunidade.

PROFa. NORMA SAUER

Foi minha professora de Ciências no curso ginasial. Era chamada carinhosamente de "Norminha". Foi com ela que aprendi, pela primeira vez, o funcionamento do sistema circulatório, pequena e grande circulação, sístole e diástole, taquicardia e bradicardia, e demais conhecimentos pertinentes ao coração. Morava na subida da rua Silva Jardim, perto do hoje Parque Itaimbé. Seu marido trabalhava no ramo de couros e curtumes. Sempre ativa, a professora Norma toma parte ainda hoje em atividades ligadas aos grupos da Terceira Idade de Santa Maria.

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AUTOR : James Pizarro

8 comentários:

sueli disse...

aí que inveja dessa sua memória
lembro com carinho de alguns professores que tive mas sobrenome
isso já é pedir demais rs.
o colégio onde estudei tinhamos o maior orgulho, hj está todo mura -
do mais parece uma prisão
e os alunos brigam por droga que
corre aos montes
é a modernidade corrompeu a juven
tude
parabens por essa lembrança
Sueli

duendecolorado disse...

Fiquei muito emocionado ao descrever alguns nomes que de algum modo conviveram comigo ou com minha familia, Prof. Albino era vizinho de meu avô materno, na Floriano Peixoto, cujos os filhos eram o Paulo, Luiz e a Marisa, Profª Eunice mãe do Dé e do Amigo e minha professora no Maria Rocha, Dr. Adelmo, grande amigo de meu pai (Wilson Rodrigues Illana), Prof. Enio Trevisan meu amigo, era vizinho de meu sogro na Conde de P. Alegre, Dr. Londero vizinho de meu pai na Tuiuti, muito xadrez joguei com ele(fumante inveterado, só posso agradecer esta belas lembranças. Um forte abraço Renato Albertani Illana

JAMES PIZARRO disse...

ENVIADO POR E-MAIL
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O teu pai foi meu aluno no cursinho Master.
E tu (ou teu irmão) foi meu aluno na Engenharia Florestal, na UFSM.
Tenho me emocionado muito com o retorno das postagens que tenho feito.
Muito obrigado !

Abraços

James Pizarro

Simplesmente Maria. disse...

Diante de tudo que li, só um pedido....NUNCA deixe de escrever e parabéns pelos relatos que tens deixado aqui! São como um filme que passa em nossas mentes( mesmo não tendo sido criada aqui em SM), imagine então os santamarienses? Uma BELEZA de formatação e uma leitura que encanta,com certeza!

Marilia disse...

Maravilhosa crônica sobre os antigos mestres, James! Admiro muito esse teu lado de memorialista, pois curto demais os registros sobre pessoas que foram importantes em nossas vidas ou sobre aquelas que nos antecederam e abriram caminho, de alguma forma, para nós.

Viajantes Andinos disse...

Fui muito amigo do teu pai. Estudamos juntos no Master, e na tua casa estudamos muito p/vestibular, era na rua Tuiuti. Tua mãe nos dava aula de história, lá eu conheci pela 1a. vez tv c/controle remoto, porém ligado a um fio a tv. Após a formatura vim para SC, residindo atualmente em Floripa. Me de notícias do Wilson, gostaria muito de encontrá-lo.
Wiston

James Pizarro disse...

Viajantes Andinos, WINSTON :

Acho que estás cometendo algum equívoco.
Minha mãe, hojecom 93 anos, nunca foi professora de História. Meu pai, de nome Alfeu Pizarro, falecido,eraenfermeiro chefe do INSS. Nunca moramos na rua Tuiuti (sempre moramos na rua Silva Jardim). Naosei a qual Wilson tereferes (tenho e tive váriosd amigos Wilson). Depois de me aposentar na UFSM, onde dei aulas durante 40 anos, moro (há 7anos) na praia de Canasvieiras, em Floripa. Meu e-mail é jamespizarro@hotmail.com

maria ignez becker disse...

James, fiquei muito tempo aqui lendo
a descrição dos seus professores que alguns foram meus..obrigada pela maravilha de descricao
maria ignez