terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Memória de Florianópolis



FOTO 1: Janára e Marcelo Figueira
FOTO 2 : Catedral Diocesana (em reformas)
*******************************************************************
Quem tiver interesse em saber como era Florianópolis há mais de cem anos pode visitar a feirinha em frente à Catedral Metropolitana, que ocorre às quartas e sextas-feiras. Trazer lembranças à tona para quem tem saudade e possibilitar que os mais jovens conheçam a cidade de antigamente foi o objetivo do casal de músicos Janára e Marcelo Figueira, ao resgatar fotos de família e colocá-las à venda.

Ao herdar um acervo com 600 fotos de diferentes lugares e pessoas da Ilha, Marcelo dedicou-se a restaurar as castigadas pelo tempo e a reproduzir todas as imagens. O bisavô e o avô eram fotógrafos amadores. A paixão pelas imagens, registradas em uma época em que câmera digital não existia nem em pensamento, os fez guardarem as fotos, até então sob tutela do pai de Marcelo.

– Algumas possuem, inclusive, o registro de data e local. Para identificar outras, precisei pesquisar em bibliotecas e consultar historiadores – conta.

Tanto trabalho não foi à toa. Apaixonados pela Ilha e pelas artes, eles também vendem dois DVDs, cada um com 200 fotos da Capital, que datam de 1900 a 1980.

Para emoldurar e pendurar na parede de casa, as imagens mais requisitadas são as tradicionais. Mercado Público, Ponte Hercílio Luz, Miramar e Catedral são as campeãs de venda. As raridades, incluindo-se aí uma foto em que aparece a Ilha do Carvão, que não existe mais, e a de um cemitério que era localizado no Parque da Luz, são menos disputadas, embora tão curiosas quanto.

– Tudo isso eu peguei – diz uma senhora, que passa e aponta para duas fotos entre as tantas expostas na feira.

Ninguém duvida que as imagens penduradas chamam a atenção de quem passa. O que poucos sabem é que, mais do que fazer lembrar e apreciar, as fotos também instigam os clientes a contarem casos e causos, como o do menino que deixava baldes com água em locais estratégicos da Ponte Hercílio Luz para apagar o incêndio provocado pelas xepas de cigarro ao caírem nas fezes dos cavalos que passavam pelo local.

Verdade ou mentira? Marcelo e Janára não arriscam um palpite, mas estão certos de que, assim como a barraca em que comercializam lembranças faz rir, pode fazer chorar:

– É curioso saber, por exemplo, que um cliente reuniu a família para assistir ao DVD e viu que o pai e a vó esforçaram-se para conter as lágrimas.
******************************************
FONTE: DC - (15 de fevereiro de 2009 edição N° 8347)

3 comentários:

Ana disse...

É tudo tão lindo...

Que bela decisão, a sua, de mudar para aí!!

JAMES PIZARRO disse...

É...tens razão ! Deveria ter vindo há muitos anos já ! Mas ainda me sobram alguns anos pra desfrutar disso tudo...é uma orgia de belezas a cada metro que se avança !
Bj

JP

Iracema disse...

Prof. James, a primeira coisa que faço todos os dias é abrir seu site para uma aula sui generis sobre SC. A cada dia fico mais feliz por saber que vocês estão curtindo como nunca a vida nesse paraíso. Vocês merecem!